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Quando o limite é alcançado, resta tomar uma decisão

Limite é uma palavra que nos ajuda a definir, como um divisor, o que está de um lado e o que está do outro. Qual é o seu limite? O seu limite está entre o que você suporta e o que você considera ou já sabe não suportar. E quando o limite é alcançado, resta tomar uma decisão, firme, dura, mas extremamente necessária antes que você se desintegre ou a situação que te espera se esvaia no tempo.

Por inúmeras vezes, eu hesitei em tomar decisões. No trabalho e no meu posicionamento político e religioso, sempre fui mais proativo. Nas demais áreas da vida pessoal, sempre mais restritivo, cauteloso e, de um modo geral, medroso. Mesmo depois de tomada uma decisão, a hesitação continuava pairando sobre o ar. Na minha mente, o medo de errar foi sempre determinante. A insegurança de uma decisão mal tomada era horripilante.

Eu tenho meus motivos para ser assim, mas as pessoas não têm obrigação alguma de concordar ou entender esses motivos. Foi assim que durante os últimos anos da minha vida, já em fase adulta, tomei decisões diversas, tomado pelo medo de errar. E muitas vezes, errando consideravelmente.

Mas eis o limite. Mesmo para uma decisão errada, há um limite. Você suporta essa decisão errada até um determinado limite, preestabelecido ou estabelecido ao longo da caminhada da vida. Assim como também para as decisões certas, estabelecemos um limite, embora geralmente este seja extremamente mais flexível que o limite determinado para uma decisão errada.

O limite pode ser físico, emocional, financeiro ou até mesmo social. É por isso que todos, sem exceção, temos um limite para cada área de nossa vida. Às vezes, o limite é um orçamento apertado, cujo gasto não pode ser superior à receita. Às vezes, o limite é um grito desnecessário proferido por alguém a quem amamos. Às vezes, o limite é a remoção de direitos humanos por um governo.

Quando um autor encontra o seu limite de produção, ele denomina esse estado como bloqueio criativo. Geralmente esse bloqueio advém de outras áreas da vida pessoal ou profissional dele terem alcançado o limite preestabelecido. Para restabelecer o nível aceitável de limite, ele tem duas difíceis decisões: esperar até que abaixem-se os níveis de limitação ou aumentar o limite e continuar produzindo.

Para ambas as situações elencadas acima, há um preço. Para esperar, é preciso suportar o bloqueio por tempo indeterminado e promover férias forçadas. Para aumentar o limite, é preciso recorrer aos métodos de flexibilização ou ocultação da dor, a saber as terapias, os mantras, as drogas – lícitas e ilícitas -, os vícios e a força motivacional da autoajuda.

O preço que é pago, seja a espera forçada ou os métodos paliativos e mentalmente danosos, pode não valer o esforço. É neste ponto que se concentra a necessidade de avaliar a ordem de prioridade da situação. Há coisas que, mesmo que tenham alta prioridade, precisam ter um fim para que outras, de prioridade menor ou maior passem a ser privilegiadas.

Tomar decisões não é fácil. Se fosse uma tarefa fácil, todos se concentrariam em tomar as melhores decisões e não no ato de tomar as decisões, de fato. Tentamos escolher a melhor hora e muitas vezes, deixamos para o último segundo. Tentamos ser ternos e, na maioria das vezes, somos confusos e rudes. Tentamos acertar, mas na maioria das vezes só acertamos em potencial a dor de outra pessoa.

Para tomar decisões, é preciso estar decidido antes. E não é feio voltar atrás, quando necessário. Feio é se condenar até a morte por uma decisão errada. Feio é não tentar reverter a decisão errada e, com alguns ajustes, torná-la correta. Tome decisões corretas. Mas se tomar erradas, conserte-as enquanto você vive, para que não morra com o legado de não ter feito nada de proveito na vida. E só ultrapasse os seus limites até onde seu corpo e suas faculdades mentais não sejam prejudicados, caso contrário, é hora de decidir por você.

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