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Bolsonaro Presidente: por quê?

Desde a redemocratização do Brasil, na década de 90, o Brasil nunca teve um partido genuinamente de direita. Quando o Partido Social Liberal (PSL) emergiu, os conservadores brasileiros encontraram representação.

Você, que votou em Bolsonaro nesta eleição que passou, é bem-vindo aqui. Este não será um texto negativo, que aplaque todas as minhas contrariedades ao plano de governo eleito. Por vários motivos, dediquei-me a fazer um texto sobre nosso novo presidente, mas dentre eles, há um em específico que gostaria de compartilhar com vocês: sinto que precisamos entender o que motivou a guinada brasileira à direita.

Pois bem, sem delongas, vamos ao início. Alguns acreditam que eu só leio livros, notícias e folhetins de esquerda, mas isto não é verdade, até porque se o fosse nada do que falo aqui abaixo seria possível. Em grande parte, este post está creditado ao Alberto Carlos Almeida, ex-articulista do Jornal Valor Econômico e escritor do best-seller “A cabeça do brasileiro” e de vários outros livros, incluindo o que eu li e me trouxe uma visão bastante ampla a respeito do tema em questão: “Quem disse que não tem discussão? – Política, religião e futebol“.

Alberto entregou pesquisas aos peessedebistas em 2009 que previam a eleição de Dilma e alertou-os para substituir Serra por Aécio Neves, o que não foi feito e em 2014 se provou uma escolha que quase foi vencedora, numa eleição bastante atípica das anteriores, com forte presença da internet. Alberto repete, neste livro, que faltava alguém para entregar aos brasileiros uma visão de defesa de privatizações e outras pautas conservadoras, que defendesse menos Estado. E essa pessoa emergiu. Era João Amoêdo, do Partido Novo.

Porém, o brasileiro encontrou em Bolsonaro a resposta para duas coisas que Amoêdo não foi claro nem enfático: “a defesa da família brasileira” (uso aspas porque foram palavras amplamente repetidas pela direita nestas eleições) e o combate ao crime com deliberação ao cidadão de liberdades antes proibidas, como a posse de armas, já acertada inclusive com o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, para ser um dos primeiros atos de governo do Presidente Jair Messias Bolsonaro.

Há vários brasileiros, totalmente diferentes em suas concepções políticas, mas podemos, para ficar lúdico, dividir em três grupos: os que votam na esquerda por acreditar que o discurso da esquerda é o mais adequado aos pobres, os que votam no centro ou na centro-direita porque não querem votar na esquerda e os que não têm representação, estes são os conservadores, de direita, que querem menos Estado, mais privatizações, menos governo metendo a mão no bolso e mais dinheiro no bolso das pessoas. Você pode, talvez, pensar que estes últimos são todos os brasileiros. Mas não são. Algumas pessoas pensam diferente de outras, por isso, é possível elencar os grupos acima.

Desde a redemocratização do Brasil, na década de 90, o Brasil nunca teve um partido genuinamente de direita. Embora tivessem genuínos de esquerda e muitos que não sabiam o que queriam nem de qual lado ficariam, ora apoiando pautas de esquerda, ora de direita, ora se imiscuindo das situações do país. Quando o Partido Social Liberal (PSL) emergiu, os conservadores brasileiros encontraram representação. Essa parcela de brasileiros pode ser encontrada nas primeiras pesquisas que revelavam os cenários com Bolsonaro pré-candidato, muito antes mesmo do período eleitoral começar, começando com 8% e indo a 12%, em 12 meses.

Não são muitos os conservadores no Brasil, mas são muitos os que não estão contentes com os governos, com o sistema financeiro, com o sistema judiciário, com a segurança pública. É aqui que começa a resposta para a grande pergunta: por que Bolsonaro venceu a eleição, mesmo com uma taxa de rejeição inicial chegando a 76%?

Quer dizer que os brasileiros gostaram do plano de governo de Bolsonaro e aderiram a ele? Pesquisas a respeito de pontos polêmicos do programa de governo do presidente eleito mostram que nem todos os eleitores concordam com as propostas do presidente (privatização, liberação de posse de armas, reaproximação ideológica com os EUA), mas isso não quer dizer que votaram obrigados ou por terem sido comprados, nada disso, isso não é objeto deste post.

Muitos brasileiros também votaram em Bolsonaro porque ele não era do PT, nem do PSDB, nem do DEM, nem do MDB. Ele representava um sentimento de renovação, embora não o seja, afinal, é político profissional há mais de 27 anos e aprovou pouquíssimos projetos de lei. Mas eleição tem dessas coisas: mesmo que um candidato não seja tudo aquilo que ele fala, as pessoas tendem (incluindo a mim) a acreditar no que ele fala.

Mas certamente o ponto final para a maioria decidir por Bolsonaro foi a memória. O PT se tornou o partido que é identificado pela corrupção endêmica, largamente noticiada em todos os anos de governo do partido. Embora hajam mais de 150 delações premiadas, milhares de indiciados e dezenas de presos pela Operação Lava Jato, nem todos os processos tiveram trânsito em julgado, isto é, finalizaram.

O brasileiro encontrou-se em Bolsonaro também porque temos uma maioria de pessoas que são associadas ao cristianismo e o então candidato não teve medo de dizer que, sendo eleito, tomaria medidas para estreitar os laços entre Estado e Religião e não escondeu sua ideologia. Ele não fez como a maioria dos candidatos faziam no passado: nunca pisavam em igreja nenhuma, mas no período eleitoral se portavam como fiéis de todas as religiões. Muitas pessoas demonizaram qualquer voto fora de Bolsonaro dentro de igrejas e algumas pessoas, inclusive lideranças, o colocaram como o “escolhido de Deus” para governar o país. Essa cultura de acreditar nesse tipo de intervenção divina levou à confirmação do voto de uma parte do eleitorado bolsonarista.

Bom, há outros motivos para eleger Bolsonaro? Sim. Vários. Eles são todos legítimos? Depende de que lado você está. Depende do que você defende e de qual ideologia é a sua. Talvez você seja de esquerda e não concorde em nada que o Bolsonaro propõe e também não concorde com parte do que Haddad propunha, mas votou em Haddad por causa do maldito pensamento de voto útil. Talvez você também não concordasse com Bolsonaro e acreditasse em Amoêdo como o seu candidato ideal, mas não votou no empresário porque “sabia que ele não tinha chance” e acabou por escolher o candidato do PSL. De novo, o voto útil.

Mas reclamações à parte, daqui a pouquinho Bolsonaro vai ser empossado. Pela primeira vez em nove anos, não vou à posse presidencial. Além de não ter feito parte do grupo de brasileiros que elegeu o presidente, não suportaria não poder levar meus cartazes, meu guarda-chuva e meus aparelhos eletrônicos para a posse, afinal, o medo de um atentado contra o presidente que chegou comprando briga com o Oriente Médio impede que tenhamos uma posse mais aberta, como foram as anteriores.

Desejo muita coragem de cuidar de nosso país ao presidente e prometo continuar sendo um Cidadão em Construção, pacífico, diplomático e muito afável ao diálogo com todos aqueles que votaram no presidente. Só não mexe pra pior com a Educação que aí a conjuntura muda.

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