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Votamos em extremos não tão extremos assim

Os dois são grandes postes, ela de um partido, ele de um sentimento conservador. Os dois são mitos, quem governava não era quem assinava. Os dois têm uma dívida a pagar.

Em 2014, reelegemos Dilma Rousseff. Em 2018, elegemos Jair Bolsonaro. O que os dois têm em comum? Extremos, não tão extremos assim. Além de uma personalidade muito parecida, os dois compartilham posições nas extremidades das balanças partidárias.

Os dois são grandes postes, ela de um partido, ele de um sentimento conservador. Os dois são mitos, quem governava não era quem assinava. Os dois têm uma dívida a pagar, ela com o ex-presidente Lula, ele com Janaína Paschoal, Miguel Reale Jr., Hélio Bicudo, Sérgio Moro e Eduardo Cunha.

Ao analisar os discursos de ambos os governantes e sua prática, encontramos uma equipe técnica de boa qualidade por detrás de suas ações, estas prejudicadas por seus discursos acalorados, envoltos de um sentimento revolucionário e, quase sempre, arrogantes.

Não adianta dizer que o presidente se cercou de gente da melhor espécie: uma faxina ética, como a feita por Dilma em 2012, será necessária na virada do ano. Vão-se os presidentes, voltam-se os fatos. E tudo continua igual. Não há sistema pior que a democracia, exceto todos os outros, já dizia Eduardo Bueno que, provavelmente, ouviu isso de outrem.

Cada um escolhe seu extremo. Em 2014 escolhi Dilma Rousseff. Em 2018, aqueles que pensam diferente de mim escolheram Jair Bolsonaro. Estamos todos no mesmo barco. O furo está aumentando. E a manopla de direção está esquecida. 2022 está logo ali. Mas até lá, há muito o que se ver, sentir e resistir, sobretudo, no que tange ao desmonte da educação pública federal. Somos povo. Somos um.

Foto de capa: IstoÉ Independente/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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