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Como a Reforma da Previdência altera minha aposentadoria?

O Brasil passa pela primeira reforma previdenciária com grandes impactos desde a Constituição de 1988. Mas no que essa reforma mexe na nossa vida? Resolvi fazer simulações com a minha situação. Antes de mais nada, é verdade que reformar é necessário, mas há questões muito sensíveis.

Eu comecei a trabalhar aos 16 anos de idade, 6 meses após ter completado a idade mínima de contribuição. De lá para cá, já saí de empregos, já empreendi sendo MEI, já fiquei sem contribuir. Hoje tenho 22 anos, quase 23. Tenho 6 anos de contribuição e 0 meses. Ou seja, há um hiato de quase 1 ano sem contribuição. A tendência é que ao longo de toda a minha vida trabalhista eu fique pelo menos 7 anos sem contribuir, se as coisas não piorarem. Mas, vamos fazer a conta como está.

Como é a Previdência hoje?

Hoje, nós bancamos a conta dos nossos aposentados, mas essa conta não fecha e o Tesouro Nacional precisa entrar com dinheiro. Traduzindo, dinheiro de imposto que iria para educação, saúde, transporte, infraestrutura, acaba indo para a Previdência.

No cálculo abaixo, simulo a aposentadoria por idade nas regras que ainda valem hoje. Eu precisaria ter 65 anos de idade e contribuir mais 74 meses para conseguir me aposentar por idade.

Já no segundo cálculo, que é a aposentadoria por tempo de contribuição, ficaria assim: eu precisaria contribuir por mais 29 anos e 12 meses. Nestas contribuições não entra a contagem de tempo do MEI, pois contribuições à Previdência feitas enquanto MEI não se enquadram na soma, apenas para aposentadoria por idade.

Como fica a Nova Previdência?

Agora, com os cálculos novos, a situação muda um pouco. É importante considerar que os cálculos podem sofrer alterações, pois a Proposta de Emenda Constitucional da Reforma da Previdência ainda está em votação na Câmara, passará pelo Senado e só depois vai para sanção do Presidente da República.

Na regra de transição, por pontos, eu conseguiria receber 100% do meu benefício com praticamente 61 anos de idade, no entanto deveria contribuir ininterruptamente por 38 anos e 2 meses. Já para a aposentadoria por idade na regra de transição considerando 60% do benefício, a idade mínima fica em 65 anos e eu teria que contribuir mais 14 anos ao invés de 74 meses no sistema em validade.

Já com a regra nova, proposta, sem transição, a aposentadoria por idade com 60% do benefício fica igual à regra de transição. Já na aposentadoria por tempo de contribuição, há a necessidade de contribuir por mais 29 anos, no entanto, com 90% do benefício e tendo que alcançar a idade mínima de 65 anos e 1 mês.

Agora, a coisa muda de figura quando a intenção é receber 100% do benefício. Seria necessário, para a aposentadoria na idade mínima mais 34 anos de contribuição enquanto na aposentadoria por idade, aos 85 anos, por também 34 anos, no entanto, com um hiato de 20 anos. Enquanto por tempo de contribuição seria possível se aposentar em 2061, por idade somente em 2081.

Parece um pouco complicado, mas o tecido retalhado da Previdência precisa ser enfrentado por costureiros com sensibilidade e, de frente. Cada passo dado irá mexer na vida de gerações inteiras.

Aguardemos as aprovações e vetos para calcularmos, enfim, nossa nova aposentadoria. E faça a sua privada, antes de mais nada!

Foto de Capa: Pixabay/Reprodução

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