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Uma boa conversa inesperada pode curar

Somos melhores quando estamos acompanhados. Somos melhores quando dialogamos. Somos curados pela palavra.

Fala a verdade: é muito bom bater papo, não é? Com olho no olho ainda?! Sem dúvidas é a melhor das sensações ter uma conversa de horas, sobre os mais aleatórios assuntos, sem nenhuma preocupação. Apenas o simples motivo de conversar já basta.

É natural que haja um ponto de partida. Alguém precisa tomar a atitude de fazer o primeiro questionamento, de lançar o primeiro comentário ou de plantar a primeira apresentação. Mas a conversa flui quando há reciprocidade. O interesse sai do primeiro interlocutor e vai para o segundo, para o terceiro.

A conversa é uma característica humana muito positiva, pois permite a expressão de uma série de sentimentos, conscientes e inconscientes. A transmissão direta ou subjetiva deles transcende o volume das palavras. Os gestos falam. Os olhares falam. Os sorrisos falam. Até aquele ajuste no cabelo que geralmente damos em algum momento transmite uma informação, expressa algo. Nosso corpo reage tão bem à comunicação oral que até mesmo nossas necessidades básicas podem ser parcialmente supridas. Quem nunca passou horas sem tomar água porque estava conversando? Ou até mesmo deixou de ir ao banheiro por esse mesmo motivo?

Encontrar alguém que sente e converse sobre coisas aleatórias, no mesmo nível e intensidade que você não é mero esforço. É sorte. Longe das pretensões sentimentais, políticas, acadêmicas ou financeiras, encontrar um ou mais interlocutores dispostos a fazer a conversa andar é sorte, repito, uma baita sorte.

De vez em quando eu tenho essa sorte. Ou talvez, eu tenha escolhido a melhor parte mesmo com o mundo girando ao redor e tentando silenciar aquela conversa, afinal, quem conversa cresce e crescer é motivo de novidade. Novidade gera medo. Medo gera infelicidade. Infelicidade é triste, coisa de gente pela metade. Gente que precisa conversar pra encontrar no outro a sua metade. Não falo de romance, falo de metade humana, a parte que nos falta, a empatia, a compreensão, o conhecimento do outro e a felicidade.

Somos melhores quando estamos acompanhados. Somos melhores quando dialogamos. Somos curados pela palavra.

Capa: Pixabay/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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