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Ataques aos nossos, quando vamos acordar?

O momento não é de clareza, mas de nebulosidade total. O momento não é de esperança, mas de preocupação. O momento é de formar redes para reconhecer e proteger os nossos. Vamos precisar dela se quisermos reagir. Aliás, vamos precisar reagir, senão seremos extirpados do Brasil que até pouco tempo tentava ser de todos.

Não continue a leitura desse texto se você não quiser ler algo que te incomode. Mas se continuar, assuma esse risco. Eu aviso: há gatilhos psicológicos aqui.

Um líder de um país, seja ele um presidente, príncipe, rainha, chefe de Estado, rei, enfim, governa para uma maioria votante que o elegeu, quase sempre, seja de forma indireta ou direta. Esse líder arrasta pessoas com o seu exemplo, seja ele bom ou ruim.

Nossas referências brasileiras estão indo por água abaixo a cada vez que o presidente Jair Bolsonaro ou sua equipe de governo – especialmente a ala olavista – abre a boca. E com certeza, esse exemplo arrastará pessoas. Arrastará o seu vizinho, o seu colega de trabalho, o seu parceiro escolar, o seu amigo, talvez até mesmo seus pais, seus parentes ou seu cônjuge.

Mas o limite chega para todos. Ontem, Bolsonaro atacou os esquerdistas considerando que “não devem ser tratados como pessoas normais”. Também atacou a imprensa presente no evento em que discursava, mas estende-se obviamente à todos os que fazem jornalismo na TV, no rádio, no jornal e na web brasileira. Quando ele disse “deixem o meu governo em paz”, “passem a produzir verdade”, estava dizendo que sim, vai atuar como já tem feito para destruir as empresas de mídia que não trabalharem a seu favor. Ou você não acha estranho que a Globo, uma das maiores emissoras de TV do mundo e a líder em audiência no Brasil, esteja recebendo verbas menores que SBT e Record?

Os ataques mais sutis já foram. Agora são ataques pesados. Ataca-se todo profissional de imprensa, todo esquerdista, todo aquele que discorda ou faz objeções ao desempenho pífio do governo. A intolerância que se estabeleceu contra estes agora se estabelecerá no inverso porque a lei da ação e da reação vale, principalmente na política. Quer ver? Ainda há lulopetistas que não aceitam, de modo algum, os primeiros passos dados por FHC nas políticas contra a desigualdade social, isso somente porque FHC esteve ligado, mesmo sendo de formação centro-esquerdista, ligado a um partido de centro-direita.

Os ataques estão indo contra os nossos. Atacam os nossos valores, as nossas profissões, os nossos cérebros. E olhe, começo a me ver cada dia mais preocupado com o nosso futuro em dois, três anos. A pontinha do iceberg veio ontem com um secretário ‘corajoso’ que citou o agitador nazista Goebbels em um discurso cheio de truques da propaganda nazista. Bolsonaro escondeu isso demitindo-o, mas não podemos esquecer que a alta cúpula inteira está tomada por pessoas que acreditam em super teorias da conspiração e num tal de “kit gay” que nunca, absolutamente nunca, existiu.

O momento não é de clareza, mas de nebulosidade total. O momento não é de esperança, mas de preocupação. O momento é de formar redes para reconhecer e proteger os nossos. Vamos precisar dela se quisermos reagir. Aliás, vamos precisar reagir, senão seremos extirpados do Brasil que até pouco tempo tentava ser de todos.

Eu havia prometido para mim que nesse 2020 não me envolveria com a política me candidatando e isso cumprirei. Não me candidatarei. Outrossim, não serei omisso, e farei minha parte nesta cidade tão calorosa, abundante e linda que é Unaí, mas tomada de cidadãos que, com seu pleno direito, estão buscando sepultar os direitos de outrem.

As nossas respostas locais influenciarão o rumo das políticas nacionais e globais. Ou reagimos, ou seremos nós os próximos.

Capa: Bolsonaro mostra livro que seria o suposto “kit gay”, mas MEC e editora desmentem que livros tenham sido distribuídos (Foto: Reprodução/TV Globo)

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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