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Sobre emoções masculinas reprimidas

Hoje faz cinco anos que eu fui obrigado a começar a colocar pra fora tudo que eu tinha reprimido. Relacionamentos não vividos, síndrome de rejeição, autoimagem defasada e, por fim, minha incompreensão com o mundo e com as pessoas.

“Homem não chora”. Eu nunca me dei bem com essa frase. Talvez porque eu tenha sido uma criança chorona. Chorava por qualquer coisa. Principalmente aquilo que eu queria e não podia fazer. Mas veio a adolescência. E junto dela, um peso forte sobre as minhas costas: chorar não era pra mim, chorar era fraqueza.

Hoje faz cinco anos que eu fui obrigado a começar a colocar pra fora tudo que eu tinha reprimido. Relacionamentos não vividos, síndrome de rejeição, autoimagem defasada e, por fim, minha incompreensão com o mundo e com as pessoas.

De lá pra cá, muita coisa mudou. E demorou. Na verdade, demoraram anos. Muita gente assistiu às minhas lágrimas caírem, mas poucos as limparam ou me abraçaram. A maioria dizia “não chora, não”, como se chorar fosse… ruim.

Hoje eu não tenho vergonha de, no primeiro encontro com uma garota, demonstrar minha sensibilidade emocional. Eu também não tenho vergonha de chorar em casa. Eu choro tanto por felicidade quanto por tristeza. Às vezes a lágrima não costuma sair, mas tem vezes que sai. E sai com soluços e tudo mais.

Eu trabalho diariamente com pessoas. E na maioria das situações não podemos adotar uma postura rígida demais. Para pessoas que se interagem mais verbalmente, como é o meu caso, dá pra perceber muitas coisas somente no jeito de falar. Muitas vezes exercer a empatia é muito perigoso, até mesmo nas negociações mais complexas. Confesso que às vezes situações do trabalho – que são corriqueiras e deveriam se resumir somente ao horário do expediente – acabam sendo absorvidas e levadas em consideração por uma semana ou mais.

Mas uma coisa eu posso dizer sobre essa evolução. Hoje eu sou mais honesto com minhas emoções. Muito mais. Hoje, quando meu coração dói, eu sei expor isso. Acho que é só por conta disso que ainda estou vivo. Parei de reprimir as emoções. Passei a vivê-las. Há um descompasso, mas esse ainda é melhor do que a repressão.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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