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Sobre migalhas, carência e amor de verdade

Precisamos de mais gente que assuma a vida com mais cautela e menos exigências. Que saiba o momento exato de desafiar-se. E que saiba quando se afastar. Gente que saiba o valor de um abraço, de um aperto de mão e de um “tá tudo bem com você mesmo?”. Precisamos de gente assim.

Eu não sei o que é amor de verdade. Eu nunca vivi um amor de verdade. Porque amor é constante, flexível, pacífico e bom. Então, tudo que eu falar de amor é apenas uma sombra do que penso ser, porque realmente ainda não vivi. Mas já vivi alguns momentos em que me senti amado – tosco demais dizer que me senti amado sem saber o que é amor, mas está valendo.

Pra mim, o amor de verdade está em estar junto, em querer compartilhar, em aceitar e vivenciar o outro. Está também em querer agradar, em ajuntar-se, em compartilhar decisões. No final, pra mim, o amor acontece sem forçar. E dói, e dói muito, porque neste momento exato eu estou lamentando um suposto amor que perdi justamente por forçar. Mas há uma única esperança: se é amor, acontece.

Assim como o amor, a carência também acontece. Só que ela acontece no sentido ruim. Ninguém gosta e quer ficar carente, mas fica. Tem gente que toma cerveja pra aliviar. Tem gente que sai por aí. Tem gente que come muito. Cada um foge como pode. A carência, no entanto, é coisa de gente que não teve amor. Ou que está à procura de um amor. Ela pode até se amar, mas ainda continuará carente – se pra ela for muito importante ter um(a) parceiro(a) para compartilhar a vida.

Muita gente acaba caindo nas migalhas. Eu confesso que já caí nas migalhas. Até que um dia, alguém passou como um furacão na minha vida e me fez entender que eu merecia mais que isso, bem mais. Só que merecer não significa encontrar alguém no mesmo passo em que você está. E aí que volta a carência. E se não cuidar, voltamos a nos alimentar de migalhas.

Está na moda visualizar e não responder. Está na moda matar um momento feliz com uma ligação do(a) ex. Está na moda tirar proveito da fraqueza do outro, seja provocando-o ou abandonando-o. Mas essa moda não precisa pegar. Aliás, se você encontrar alguém que não é da moda, cole com essa pessoa.

Precisamos de mais gente que assuma a vida com mais cautela e menos exigências. Que saiba o momento exato de desafiar-se. E que saiba quando se afastar. Gente que saiba o valor de um abraço, de um aperto de mão e de um “tá tudo bem com você mesmo?”. Precisamos de gente assim.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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