Categorias
Comportamento Posicionamentos

Algo de estranho tem acontecido comigo e é bom falar sobre isso

Algo de estranho tem acontecido comigo. A priori, eu creio ser algo bom. Por mais que seja estranho. Esse algo estranho tem a ver com meus olhos, meus sentimentos, minhas decisões. Resumindo, meu mundo.

Eu tenho 23 anos de anos de idade. Eu venho de uma família de classe média-baixa. Eu moro numa cidade de interior. Já comecei duas faculdades e não concluí. Já fiz dois cursos técnicos. Já fui professor, instrutor, gestor e pesquisador. Feitas essas apresentações que ajudam a entender quem eu sou, passo adiante.

Algo de estranho tem acontecido comigo. A priori, eu creio ser algo bom. Por mais que seja estranho. Esse algo estranho tem a ver com meus olhos, meus sentimentos, minhas decisões. Resumindo, meu mundo.

A primeira coisa estranha que tem acontecido comigo é a coragem. Me sinto mais seguro. Me sinto menos incapaz. Claro que ainda titubeio em muitas situações e, em especial com minha imagem pessoal, ainda não tenho tanta segurança. Mas o fato é que estou mais corajoso em comparação com o conjunto anterior de tempo que vivi. Não falo daquela coragem de andar à pé numa rodovia escura às altas horas da noite. Nem da coragem de pedalar sozinho 70 Km sem avisar para onde eu estava indo. Falo de uma coragem para tomar decisões necessárias.

A segunda coisa estranha que tem acontecido comigo é que eu tive capacidade para me apaixonar por alguém. E dá vontade de gritar aos quatro ventos isso porque isso é muito importante pra mim. Não me satisfaz mais olhar, desejar e xavecar – apesar de que eu praticamente nunca fiz isso por não ter coragem e por não achar que as coisas funcionem assim. Hoje o que me satisfaz é partilhar a vida. Com todos os problemas e dificuldades, mas também com as pequenas conquistas. Já não olho para minha ex-namorada com raiva, desejo ou qualquer outra coisa. Olho para ela com aquela sensação de que tivemos um período de tempo juntos e esse tempo acabou, cada um com suas dores, eu com minhas responsabilidades e parcelas de culpa, ela com as dela. E agora cada um toca o seu caminho, carregando os aprendizados e cicatrizes. Eu quero ir adiante. E desejo que ela vá também.

E dedico um segundo parágrafo a esse assunto porque é neste exato momento que meu coração está doendo. Não uma dor de machucar. Mas a dor da espera. Muitos creem que o amor é fácil. Eu prefiro acreditar que ele acontece, às vezes com espinhos, às vezes com brigadeiro quente. Outra coisa é que não dá pra forçar mais. Aos 23 anos, “conquistar” é uma palavra cara para mim. Eu gosto de conquistar, mas pra ficar. Não gosto de jogar, aliás, treinador não joga. Não me encanta mais aquele tipo de gente que faz dificuldade, que cria barreiras para um encontro, que leva tudo em banho-maria. Pra mim é: quer ou não quer. E tudo bem quando a outra pessoa não quer. Só gosto que deixe isso bem claro pra mim.

Dedico ainda um terceiro parágrafo para falar sobre a minha paixão. Eu acredito fielmente que ela lerá isso aqui um dia, mas com certeza, não será hoje. Ela é inteligente, sagaz, linda, tem um olhar cigano desnudador, tem covinhas, um nariz delineado, sobrancelhas imponentes, um cabelo liso e brilhoso que a faz ser reconhecida em qualquer lugar, ela tem um humor leve e solto, é mais divertida que eu, maior que eu, mais autônoma e independente que eu, é dona de uma história de garra, ela sabe tomar decisões, é estudiosa, ama a natureza, gosta de cães e gatos, sabe ler um bom livro e sabe entender as referências literárias mais sutis, tem uma comunicação clara e extremamente concisa aonde consegue dizer a maioria das coisas que quer dizer numa frase, é uma pessoa que instantaneamente faz com que a gente queira ser melhor, queira se cuidar, pra estar lado a lado com ela. Eu poderia passar o restante desse texto falando sobre ela, mas haverão outros momentos em que dedicarei espaço a falar dela.

A terceira coisa estranha que está acontecendo comigo é que, a esta fase da vida, já era para eu estar morando sozinho (numa média nacional da geração anterior), mas essa geração fica cada vez mais na casa dos pais. Só que, apesar de não morar sozinho, tenho conseguido separar muito bem as minhas decisões das decisões da minha família, em especial, do meu pai que é uma pessoa muito importante para mim. Ou seja, aos poucos, estou me tornando um núcleo da família que será desmembrado tão logo seja possível e/ou necessário.

A quarta coisa estranha tem a ver com minhas terapias. Ter tomado a decisão de iniciar as terapias e ter permanecido firme foi um passo importante. Mas tentar seguir à risca os aprendizados de cada sessão tem sido o maior desafio e, consequentemente, a mais forte recompensa. A cada terapia, saio de lá com a certeza de que estou no lugar certo, fazendo a coisa certa, me cuidando.

A quinta e última coisa estranha é que eu aprendi a ser mais sensível sem me deixar ser tão vulnerável. Sempre fui muito vulnerável, sentimentalmente falando. Hoje mudei um pouco. Eu não tenho vergonha de assumir pontos fortes e pontos fracos perante qualquer pessoa. E faço isso com a certeza de que, independente do que a pessoa falar, isto não irá atacar quem sou. Porque quem sou toca à mim e não aos outros. No fim das contas, é a gente e a gente mesmo, então, é melhor chorar de tristeza ou de felicidade do que reprimir só pra parecer forte. Afinal, o sofrimento vai ser o mesmo.

Eu poderia falar sobre pelo menos mais cinco coisas estranhas que têm acontecido comigo, mas prefiro me aquietar por agora e dar um fôlego para falar sobre isso depois. Talvez depois de um pedal reflexivo.

Algumas pessoas me perguntam se eu não me exponho muito aqui no blogue. Bom, quem vem aqui, vem com boas intenções, vem pra me conhecer, vem porque foi recomendado ou porque quer entrar na minha alma. E se vier com más intenções, a gente vê o que faz. Aqui é um lugar de Cidadania, Esperança e Informação. Aqui é um blogue tudo-em-um, por este motivo, aqui não tem monetização. Aqui só tem coração.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

Comente! Aqui é o lugar!