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Comportamento

A graça de viver uma nova paixão

Eu, particularmente, neste exato momento da minha vida, vivo uma paixão. Súbita. Há um mês, exatamente, me aconteceu algo forte, impressionante, cheio de significados para mim. Eu tentarei narrar com o máximo de detalhes possíveis para que você, leitor, entenda o que houve.

Quando nós somos adolescentes, há muita facilidade em tornar visível nossos sentimentos por outras pessoas. É possível demonstrar com flores, com escritos, com chocolates, cestas, abraços, beijos, músicas e outras coisas mais. Quando nos tornamos adultos, algo de muito estranho acontece e parece que essa demonstração passa a ser cada vez mais rara, finita, difícil. Principalmente quando quem quer demonstrar já quebrou a cara uma ou mais vezes no amor.

Eu, particularmente, neste exato momento da minha vida, vivo uma paixão. Súbita. Há um mês, exatamente, me aconteceu algo forte, impressionante, cheio de significados para mim. Eu tentarei narrar com o máximo de detalhes possíveis para que você, leitor, entenda o que houve.

Era tarde de 28 de janeiro de 2020. Um dia comum. Uma terça-feira. Eu tinha muita coisa a ser feita e estava na mesa do meu trabalho, já dando andamento. Minha mesa estava bagunçada – sim, durante meu expediente minha mesa é uma bagunça. Sentado com minha lombar em 90 graus na cadeira giratória, olhando para o monitor e desenvolvendo algo que não sei mais o quê, talvez um contrato, uma arte, não sei. À minha esquerda havia uma porta pela qual entravam todas as pessoas. É muito comum que muitas pessoas entrem e saiam sem que eu perceba, pois na maioria das vezes elas se interessam apenas pelo cadastro que é feito em outra sala.

Mas não era um dia comum. Um rosto aparece naquela porta, olha para um lado, para outro, e nesse momento, eu olho. Voltei meu olhar para o monitor, mas um segundo depois, me peguei com um sorriso no rosto e olhando de novo para aquela garota. Mais alguns segundos com olhar fixo e encarado e ela retribui o olhar. E aqui começa a mágica! Ela quebra a minha sequência de olhares com um joinha. Eu dou um sorriso. Retorno ao meu monitor. Abro o Twitter e posto:

Ela vem, faz inscrição e volta. Volta para fazer o curso. Ao meu lado. Atento ao nome dela, faço uma rápida busca nas redes sociais. Encontro-a. Meu coração palpitava acelerado. Uma menina tão bonita como aquela não iria me dar papo. Mas resolvo pesquisar mais e encontro um perfil de fotografias dela. Entro no perfil, ajeito o monitor e viro ele para ela. A uma distância de dois metros, vejo o rosto surpreso dela. Ela fala com propriedade sobre as fotos. Eu disse que tinha seguido ela, mandado solicitação de amizade no Facebook e que depois conversávamos. Até aquele momento, tudo parecia um flerte meu para com uma garota.

Começamos a conversar virtualmente. Ela era diferente. Mais direta, mais seca. A voz doce havia dado lugar a poucos caracteres, respostas rápidas, sempre muito precisas. Aos poucos fui perguntando o que queria saber pra ela. Eu estava desiludido com qualquer chance de gostar de alguém por agora. Tinha conhecido uma pessoa, mas essa pessoa estava me fazendo de trouxa. Minha ex havia voltado o contato, mas nosso retorno era insustentável do ponto de vista geográfico. Algumas pessoas com quem eu havia ficado anteriormente tinham suas vidas já delineadas. Eu tinha muita carência e estava trabalhando isso na terapia. Apaixonar-me era um risco iminente, portanto, era necessário tomar cuidado.

A primeira semana de conversa com ela foi fria. Estávamos nos conhecendo, mas foi fria demais. Ela era direta, eu também. Às vezes cada um dava um soco no estômago do outro com alguma opinião. Não tínhamos trocado WhatsApp ainda – apesar de que eu poderia ter usado da minha posição para obtê-lo no cadastro dela. Ficamos de marcar uma pedalada e a pedalada não saiu. No dia da aula inaugural dela, mais outro baque senti.

Eu estava atrasado e cheguei com pressa. Ela me chama pelo nome, me dá um aperto de mão e eu digo que preciso ir. Vestida com uma jaqueta jeans e calçando um All Star, ela estava ainda mais elegante que no primeiro dia – aliás, no primeiro dia, ela estava com uma saia cigana, do jeito mais apaixonante possível. Quando finalizou a aula, ia chamá-la pra sair, mas ela foi embora. Mandei mensagem no Instagram. Ela respondeu depois. E já começamos a marcar um lanche.

Foi aqui que comecei a trocar os pés pelas mãos. Ela fez questão de deixar claro que seria um lanche entre amigos, não um encontro. Mas eu não processei essa parte como deveria, talvez.

O tempo passou. Veio a primeira aula dela. Neste momento, eu já estava embriagado de emoções e de expectativas para o lanche no dia seguinte. Mas acredite: ela conseguiu me deixar ainda mais embriagado a cada segundo que eu olhava para ela. Juntos, na porta, quis aumentar o tempo dela comigo. Não fazia sentido deixá-la ir. Estava tão bom. Era como uma áurea de felicidade e paz que ela irradiava.

Aquele tempo passou e veio o lanche. Arrebatador. Detalhes contados em outro texto cuja senha de acesso é o nome dela.

Dali pra frente, muita coisa mudou. Muita coisa veio. E eu não consigo ainda falar sobre elas com detalhes. O processo ainda está em jogo. Mas tem exatamente um mês que minha vida não é mais a mesma. Que a presença de alguém mexeu com ela. Arregaçou minhas bases emocionais. Devastou pra construir de novo. Essa é a graça de viver uma nova paixão.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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