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O que aprendi assistindo “500 dias com ela”

Moderno. Adulto. Psicologicamente adequado. Realista. Maduro. São alguns dos adjetivos para esse filme. Para os personagens, é possível dar outros adjetivos, mas é tudo muito subjetivo e não pretendo ficar nesta seara. Não quero falar dos personagens em si, mas do que cada um e o filme no geral conseguiu me ensinar.

Hoje eu me propus a escrever sobre um assunto particularmente sensível, mas envolto de um conhecimento que é público: o filme “500 dias com ela” não é um filme romântico nem tampouco sobre princesas e príncipes. O título do filme, apesar de muito sugestivo, remete à experiência que podemos ter com outra pessoa e essa experiência ter um fim.

Moderno. Adulto. Psicologicamente adequado. Realista. Maduro. São alguns dos adjetivos para esse filme. Para os personagens, é possível dar outros adjetivos, mas é tudo muito subjetivo e não pretendo ficar nesta seara. Não quero falar dos personagens em si, mas do que cada um e o filme no geral conseguiu me ensinar. Lembro: visão própria, particular, pode não ser exclusiva, mas tende a ser.

Eu já fui Tom. Talvez eu ainda o seja um pouco. Os anos vêm passando, experiências, análises e convergências estão sendo feitas para que eu deixe de sê-lo. Tom não enxerga tudo com o óculos da realidade. Tom é intenso, embora não pareça num primeiro momento. Tom é desequilibrado, embora tudo seu lhe seja tão monótono. Tom é ingrato. Tom me passa a ideia de uma pessoa que acha que a vida lhe deve algo.

Eu já fui Summer. Talvez eu esteja me esforçando para sê-la neste momento. Depois de tomar muitos tapas na cara, sofrer um pouquinho e me esforçar para caber em relações ou lugares que não eram meus, mudanças estão em curso. Summer é a expressão máxima de independência, autonomia e responsabilidade afetiva. Summer é intensa quando se permite ser, o que não a torna desequilibrada. Summer é grata pelo que tem, pelo que é e pelo que passou, mas não se prende nisso. Summer me passa a ideia de que só ela é capaz de alterar o futuro dela.

Entre Tom e Summer, há amigos, colegas de trabalho e uma criança. Os amigos, em sua maioria, são a expressão máxima de desequilíbrio. Os colegas de trabalho, tanto faz. E a criança, irmã que aconselha Tom, demonstra com sua sabedoria aquilo que Dostoiévski havia registrado: “a alma é curada no convívio com as crianças”. A criança acalma e incita, no tempo certo, Tom. A criança, talvez, é a representação da Summer, porém, em menor idade. Esse enredo me ensina que não existe vida em isolamento. Isso traz o filme à um patamar de realidade incontestável: ao invés de focar na história de Tom e Summer, ele abre os olhos do narrador para pessoas e situações indiretas na vida dos dois.

Cada passo de um ou de outro, nós, espectadores, ficamos na esperança de um desfecho nos padrões Disney. Mas não. Aqui o filme é de realidade. É de situações que acontecem todos os dias. E é aqui, no finalzinho deste texto, que eu me lembro de algo importante. Tom viaja por 500 dias entre o início e o fim de um caso de amor com uma garota. No entanto, nesses 500 dias, menos de 100 foram exatamente “com ela”. Isso quer dizer que menos de 20% foi realmente vivido. E isso diz muito sobre o que condicionamos a nossa mente a passar quando estamos apaixonados e nutrimos expectativas cujo o outro não é capaz de suprir. Construímos uma realidade paralela, bem maior do que aquela vivida.

Não pense você que eu estou isento de passar pelo mesmo que Tom passou. Acontece que, agora, tenho ciência de que posso e preciso lidar com relacionamentos de forma mais madura. Um não é um não. E um sim é um sim. Sem margens. O meu desejo é de todos os dias me tornar mais Summer quanto à maturidade emocional para relacionamentos e mais Tom para se entregar perdidamente à quem quiser partilhar uma vida comigo.

Sobre Summer, enxergo que ela feliz é melhor do que ela confusa e triste. Portanto, se não é com Tom, é com outro. Até porque, na verdade, ela não precisa de ninguém para se sentir completa e feliz. Ela só expande essa felicidade e completude junto com outra pessoa, também completa e feliz.

Este que vos fala, também viu o Outono chegar, mesmo depois de achar que o verão nunca passaria. Demora, mas essa estação traiçoeira e misteriosa chega. E ela vem pra curar e pra testar o que foi aprendido, acredite.

Assista ao trailer do filme

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Capa: Cena do Filme 500 Dias com ela/EOH/Reprodução/Internet

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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