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Há cinco anos, o que eu queria ser?

Hoje, cinco anos após responder a essa pergunta com aquela visão infantil do que eu queria, continuo querendo parte das mesmas coisas. A grande diferença é que hoje eu tenho outra mente. Ainda estou aprendendo e criando coragem para tomar várias decisões, mas já não estou mais no passado infantil.

Aos 18 anos, minha visão de felicidade se comportava dentro de um aquário que continha um carro, um emprego público estável, uma casa própria (preferencialmente um apartamento), uma bike de média qualidade, um diploma de ensino superior, uma esposa e um cachorro. Bobinho eu, né? É sobre exatamente isso que quero falar neste post semanal.

Geralmente os 18 anos marcam a vida do homem e da mulher por representarem a maioridade legal. Fato é que muitos nesta época estão ingressando na faculdade, às vezes já empregados, às vezes até habilitados a dirigir um veículo – que pode ser o próprio ou não. Essa sensação de independência que permeia a mente do jovem vai se esvaindo aos poucos com a realidade da vida adulta.

Aquele aquário no qual nos propomos a ficar, totalmente intactos e seguros de qualquer ameaça começa a ruir e desabar à medida que vamos buscando novos desafios, conhecendo novos lugares e principalmente novas pessoas. O lar já não é mais tão interessante quanto antes porque não é o único lugar em que se pode ter momentos felizes. O bar, as amizades, a igreja, a faculdade, os clubes sociais, tudo começa a disputar atenção, tempo e dinheiro nosso.

No entanto, assim como conhecer o novo é bom, necessário e potencialmente positivo, tudo que é novidade nos deixa acesos, prontos para reagir. Só que uma hora o novo para de ser novo. E aí voltamos a olhar para nós mesmos. E começamos a nos perguntar quem realmente somos. A pergunta aqui mudou de figura: já não é mais “o que” temos, mas “quem” somos.

Como é fácil dizer a alguém que passa por uma crise de identidade típica dos anos de juventude que tudo vai ficar bem! O difícil é fazer essa pessoa acreditar nisso. Nesse momento vem a ansiedade, os erros, os acertos, os lamentos e as alegrias. Só que, na real, é aqui que a gente de fato passa a ser a gente mesmo.

É só a partir do momento em que olhamos para quem somos é que conseguimos tomar decisões mais acertadas. No fim, percebemos que aos 18, só temos maioridade legal. São raras as exceções de gente que chega aos 18 anos com maturidade para ser independente. Porque ser independente não é não depender de ninguém. É saber os limites da sua dependência.

“Como você quer estar daqui a cinco anos?” Fazemos essa clássica pergunta para adolescentes e jovens e muitos respondem com uma certeza quase que divina de tudo que acontecerá na sua vida. Esses são os mais susceptíveis a crises porque cabe, na honestidade da experiência, dizer que nem tudo acontece conforme queremos e planejamos. Por razões simples: somos humanos e nossos sonhos e vontades mudam.

Há também circunstâncias incontroláveis que alteram o curso da nossa vida. Um exemplo simples é que eu cheguei a ter carro, mas o capotei. Eu cheguei a ter um emprego público, mas era temporário. Eu cheguei a ter uma namorada, mas não evoluímos para um casamento. Eu cheguei a ter uma bike, mas ela foi furtada. Eu cheguei a dar entrada num financiamento de uma casa, mas não assinei os papéis. Eu fiz três anos de faculdade, mas não concluí.

Hoje, cinco anos após responder a essa pergunta com aquela visão infantil do que eu queria, continuo querendo parte das mesmas coisas. Ainda quero ter um carro (ou alugar, quem sabe), uma bike (só que de maior qualidade), uma família (essa é a mais difícil porque dinheiro não compra), um emprego estável (não precisa ser público), uma graduação (essa está no caminho), uma casa (nem precisa ser própria) e, dependendo do espaço, um cachorro. A grande diferença é que hoje eu tenho outra mente. Ainda estou aprendendo e criando coragem para tomar várias decisões, mas já não estou mais no passado infantil.

Que meus passeios no parque de diversões sejam apenas para viver a juventude com minha futura esposa e com meus futuros filhos. Que Deus me conduza. E te conduza também. Faça planos. Projete. Trabalhe. Mas pense primeiro em ser antes de ter.

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