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Dar e semear primeiro, se a colheita vier é lucro

Que você fique no amor. E possa plantar nos terrenos que lhe foram concedidos. Nunca se esqueça dos pilares e dos princípios cujo o amor se baseia. Algumas pessoas são um exercício diário – senão todas. Ame-as.

Não sei se você já teve a oportunidade de plantar uma horta, uma árvore ou qualquer outro vegetal. Você precisa preparar o terreno, furar, lançar as sementes ou enterrar a muda, regar, esperar, eliminar plantas daninhas e animais que querem destruir aquela plantação, até que a colheita vem – ou não.

Na minha vida, ainda pouco experiente, tenho buscado aplicar essa mesma lei da semeadura em quase tudo. Geralmente isso é encarado como “arriscado” demais, sobretudo em tempos que chamamos de reciprocidade alguns aspectos do medo da entrega em relacionamentos, sejam eles de amizade ou principalmente amorosos.

Não queria, mas preciso desabafar. Eu escrevo esse texto no mesmo período em que faço um caminho doloroso (não é o melhor, mas é o que me propus neste momento). Sim, eu me propus a sentir essa dor, a dor da entrega unilateral por um espaço definido de tempo para sinalizar um desejo, um caminho. Arriscado, no mínimo. Mas como eu saberei se a semente vai crescer ou se vai morrer, mesmo com a rega? Só tem como saber tentando.

Estive aprendendo – e na verdade, acaba por ser um exercício diário – que o amor se baseia em dois pilares: paciência e bondade. E em dois princípios: amor não tem a ver com quem recebe e sim com quem pratica, e o amor não gera medo. Aqui não tem a ver com “ser” paciente ou “ser” bom. Não somos. Tem a ver com praticar a paciência e a bondade. É ação. É diária. É contínua.

Eu entendo o amor que Deus teve e tem para comigo. Não faz sentido limitar esse amor. E nem tampouco deixar de compartilhá-lo. Portanto, prefiro nada ter e ser sempre um doador. De tempo. De conforto em tempos difíceis. De confiança. De serviço. Sou agraciado todos os dias com isso. Tem dias que estou na bad e me aparecem pessoas que me colocam pra cima. É uma troca. É a resposta de Deus para muitos dos meus medos. É também a resposta de Deus para os meus plantios. É a minha colheita.

Eu não me sinto confortável, por mais que tenho formação religiosa cristã, em misturar aspectos amorosos à crenças religiosas. Ainda assim, por causa do significado de amor que aprendi a partir de Jesus Cristo, posso tentar entender o que é amor. Já disse em outro texto que não sei o que é amor porque nunca o vivi ainda. É meio contraditório, mas no fundo, você sabe do que estou falando. Estou falando que tenho uma carência de amor pessoal, de uma manifestação clara e humana de amor, e que parcialmente, essa carência é suprida por um amor abstrato, porém compreensível, da parte de Deus.

Consegui aprender também que nesse processo de semear, precisamos ter muita cautela com o tipo de terreno em que semeamos. Há terrenos que são férteis, porém, não garantem a subsistência no longo prazo. Enquanto há terrenos que precisam ser bem preparados antes de semear para que possam produzir por muito tempo. Doido como sou, escolhi um terreno árido, fissurado, que precisa de um cuidado diário antes de lançar a primeira semente. Os testes confirmam a necessidade de persistir.

Sinceramente, a este ponto, não sei se vou colher algo além dos pequenos arranhões que os espinhos dos cactos deste terreno me fizeram. Mas a preparação do terreno está sendo feita. Com as tecnologias disponíveis. Com o respeito à agressividade do terreno e, sobretudo, com respeito às características individuais de cada parte do terreno. É um terreno cujo já foi habitado. Talvez ainda o seja. Parecem haver escombros. Ainda não dá pra ver muita coisa. Mas dá pra ter certeza de que é exatamente isso que quero. Antes dar e plantar, depois colher – se Deus assim quiser.

Que você fique no amor. E possa plantar nos terrenos que lhe foram concedidos. Nunca se esqueça dos pilares e dos princípios cujo o amor se baseia. Algumas pessoas são um exercício diário – senão todas. Ame-as.

Capa: Pixabay.com/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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