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Carta às pessoas que conheço

Resolvi escrever esta carta e disponibilizá-la virtualmente para sinalizar que neste tempo de quarentena já deu saudade de voltar à rotina normal. No entanto, estamos distantes fisicamente, mas próximos virtualmente. Se você chegou até aqui, não perdemos a nossa conexão e isso já é um bom motivo.

Unaí, Minas Gerais, 23 de Março de 2020.

Prezados e prezadas,

Resolvi escrever esta carta e disponibilizá-la virtualmente para sinalizar que neste tempo de quarentena já deu saudade de voltar à rotina normal. No entanto, estamos distantes fisicamente, mas próximos virtualmente. Se você chegou até aqui, não perdemos a nossa conexão e isso já é um bom motivo.

Sabe, nos últimos tempos tenho vivido experiências afetivas cada vez mais intensas e intencionais. Com amigos, colegas de trabalho, irmãos de fé e com as mais variadas pessoas que passam na minha vida. Aprendi a valorizar o tempo junto, o chamado tempo de qualidade, aquela conversa boa, tempo “jogado fora” diriam alguns. Foi difícil e eu retrato isso em vários textos do meu blogue. Mas é gratificante.

Se amanhã o mundo tiver fim, eu terei cumprido parcialmente com a minha missão enquanto vivi. Busquei demonstrar aquilo que sentia e que pensava. Busquei animar os desanimados e cuidar de alguns que precisavam de cuidados. Também fui cuidado, animado e bem quisto por muitos. Aprendi a perdoar e, sobretudo, a pedir perdão, mesmo com dor no coração, dada a nossa ignorância e incapacidade de aceitar nossos erros e palavras mal colocadas.

Mas amanhã o mundo não terá fim. Pelo contrário, firme na revelação explícita na Bíblia, aguardo o Resgate de nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda há muito o que ocorrer, mas é sempre bom lembrar que Ele virá e lembrar disso com muita felicidade e expectativa. Será o momento em que o Amor se completará para todos, a fé e a esperança se consolidarão n’Ele.

Até lá, quero continuar rindo, chorando, dizendo aquilo que penso e sinto. Quero pedir perdão para aqueles a quem magoei. Sem medo. Gosto tanto do perigo da liberdade que passei a viver perigosamente um dia após o outro, um dia de cada vez. Às vezes me pego, por causa da ansiedade, tentando controlar o meu futuro. Mas não preciso muito para me lembrar que não se controla o incontrolável. Se vive o hoje.

Hoje é tempo de nos aquietarmos em nossas casas. Vai guardando essa saudade aí. Vai guardando os seus abraços, os seus beijos e os seus apertos de mãos. Guarda os seus olhos. Guarda as músicas. Guarda aqueles pratos bem gostosos. Ajusta sua playlist, monta a lista de filmes e pode ir planejando aquela viagem legal. Cuida bem de você e guarda esses momentos. Guarda tudo que aprender. E guarda, mas guarda bem mesmo, seus afetos.

Vai guardando isso tudo. Porque no dia que essa quarentena acabar, nós vamos nos encontrar. E eu quero chorar no seu ombro e ter o meu encharcado. Eu quero sorrir com você. Eu quero cantar, mesmo desafinado, com você. Eu quero pegar na sua mão e dizer: você é importante pra mim. E para aqueles que amo, quero voltar a reafirmar com palavras (quem me conhece sabe o quanto esse é um desafio para mim): eu te amo. Quero olhar no fundo dos olhos dos meus melhores amigos e reafirmar que a vida sem eles seria impensável e que eu os amo. Quero olhar nos olhos da minha paixão e dizer pra ela que o quanto ela fez e faz falta, o quanto ela é linda, o quanto eu sou grato a Deus por tê-la apresentado para mim antes de tudo isso e que o abraço dela é um dos melhores lugares do mundo. Também quero encontrar-me com aqueles amigos que me chamam há tempos para ir na casa deles e eu acabo por dizer que não tenho tempo. Quero abrir minha casa para recebê-los também. Vai guardando tudo porque a gente vai ter tempo para tirar todo o atraso, colocar a conversa em dia e depositar nossas emoções num momento de regozijo e festa.

Eu não sei como você leu o parágrafo anterior. Mas eu te confesso que o escrevi cheio de lágrimas nos olhos. Em primeiro de abril de 2015 eu compartilhei um texto chamado “A humanos interessam humanos” com minha pequena lista de amigos. 2015 foi um ano que mexeu muito comigo e com minha humanidade. Esse texto foi o registro dessa virada de chave. Eu o escrevi em meio à lágrimas também. Eu espero que agora em 2020 essa carta virtual também seja um registro de uma virada de chave.

Com saudades,

Bruno Cidadão

Capa: Pixabay/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

2 respostas em “Carta às pessoas que conheço”

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