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#Masculinidade: homens e relacionamentos amorosos

É a partir daqui que vou extrair a maior parte das reflexões que falo sobre a postura e ação do homem nos relacionamentos afetivos. Não posso falar além daquilo que vivi, portanto, se você homem não se identificar… Está tudo bem. Cada pessoa é um universo distinto.

Seja bem-vindo(a) a mais um texto da série #Masculinidade. Tocaremos num assunto irrestritamente aberto, mas pouco discutido: como os homens lidam com os relacionamentos amorosos e como o são dentro deles? Partindo do pressuposto que há várias formas de relacionamentos amorosos vigentes na sociedade atual, me manterei na linha da monogamia, um relacionamento entre duas pessoas apenas.

O homem tende a ser um sujeito mais direto que a mulher. Foi sempre isso que ouvi falar. Mas na minha vida amorosa, pude constatar que nem sempre somos assim. Isso depende, portanto, da forma como originamos nosso modelo de tomada de decisões. Se crescemos em meio a dúvidas e sempre deixando que outros decidam por nós, a tendência é que levemos essa indecisão para os relacionamentos também.

Eu me apaixonei três vezes na vida. Uma vez platonicamente (em 2012). Uma vez inesperadamente (em 2015). E outra vez decididamente (em 2020). A única vez que a paixão funcionou foi em 2015. Dessa paixão surgiu um relacionamento que durou cerca de três anos, dos quais um ano e cinco meses foram um namoro monogâmico e consideravelmente estável. É a partir daqui que vou extrair a maior parte das reflexões que falo sobre a postura e ação do homem nos relacionamentos afetivos. Não posso falar além daquilo que vivi, portanto, se você homem não se identificar… Está tudo bem. Cada pessoa é um universo distinto.

Você deve ter observado que não mencionei a palavra amor no parágrafo anterior. Esse é um primeiro ensinamento que aprendi: por mais frio, direto, objetivo, o homem precisa estar apaixonado para entrar num relacionamento amoroso. Se não houver paixão, ele não terá razões para decidir amar. Os homens tendem a aprender que devem governar muito bem as suas emoções, mas nem todos aprendem. Este que vos fala, por exemplo, ainda está aprendendo a governar. Ainda assim, se falta paixão no início, não se pode decidir amar.

Outra coisa muito comum de acontecer com os homens nos relacionamentos amorosos, em especial, nos mais maduros – aonde as duas pessoas já são adultas e têm uma certa bagagem – é que a família importa. Vocês, meninas, podem até achar que a gente não liga muito pra família de vocês. Mas naquela roda de conversa só de homens, quando vamos falar de vocês, mencionamos as famílias de vocês. E como elas nos recepcionam – e em geral as famílias recebem os homens bem. A família importa porque temos uma visão bem objetiva de relacionamentos e acreditamos que eles transcendem quem nós somos.

Tendemos também a acreditar muito em nós e nossos parceiros. Essa é uma dificuldade muito grande do homem em tornar equilibrada a confiança e a desconfiança sadia. Por vezes, confiamos tanto na pessoa que está ao nosso lado que estamos levando ela à um estado de inconsciência própria, afinal, todos temos limitações e erros. Desconfiar, em amor, com respeito e educação, pode ser a chave para dar o conselho certo na hora certa. Aqui não menciono desconfiança que leva a abusividades no relacionamento. Longe disso. Falo realmente de que o homem tende a cavar o poço da sua família por acreditar demais – seja em si, seja nos outros.

O homem também tem facetas negativas que precisam ser equilibradas com o poder do feminino – seja nele ou na parceira. O homem tende a ser explosivo ou enérgico demais, especialmente quando colocado em situações de pressão. Sobretudo porque se sente pressionado, sozinho, e reage para tentar manter-se sob o manto de herói. É uma faceta negativa. E que precisa ser neutralizada, balanceada, com o poder do feminino. O feminino acalma, apascenta, abraça, diz que tudo vai ficar bem. O feminino traz esperança, conforto, paz. O homem, repito, tem as suas facetas negativas e precisará ser tratado para reduzir ao máximo a dependência do feminino externo e passar a desenvolver essas competências de equilíbrio em si mesmo.

Tendemos também a ser menos comunicativos nos relacionamentos. Aqui vai uma recomendação: mude. Não importa o motivo que te faz ser mais fechado e não ter comunicação ou tê-la de modo rarefeito. Não importa se o seu par não é comunicativo. Mude! Ninguém é obrigado a adivinhar o que você pensa, quer ou sente. Portanto, comunicar irá ajudar a manter o relacionamento por mais tempo, às vezes até pela vida toda. No entanto, comunicar é diferente de gritar, explodir, ser manipulador, ou qualquer outra coisa viciada. Comunicar é transmitir o seu pensamento para uma mesa aonde seu(ua) parceiro(a) irá conseguir deglutir. Quando se comunica olho no olho, boa parte dos vícios em comunicação começam a ser deixados de lado. Portanto conversem sério, conversem, briguem se necessário, mas com uma condição: eye to eye, olho no olho. Isso implica que as conversas mais sérias, as chamadas DR’s sejam presenciais ou, em último caso, via chamada de vídeo.

E por fim, longe de esgotar o tema, o homem tende a amar através do serviço. E ele sente-se muito bem com isso. Mas o serviço é apenas uma das cinco linguagens do amor. Quem acompanha-o no relacionamento deve estar ciente de qual é a principal linguagem do amor entendida e fornecida. Se constatar que é o serviço, aceite, agradeça, mas também estimule-o a desenvolver outras linguagens. Eu, por exemplo, tenho uma necessidade muito grande de afirmação e toque. A minha linguagem do amor preferida é a afirmação combinada com o toque. Enquanto a minha linguagem manifestada é, geralmente, o serviço. Ao longo de anos tenho buscado desenvolver as demais linguagens, em especial, a afirmação. Dizer eu te amo, você é importante pra mim, eu gosto de você, você é um presente, enfim. Tudo que isso que para uns é fácil, para outros é difícil. Mas eu garanto algo: não conseguimos sem tentar, sem vencer o medo, sem gaguejar.

Quero aqui contar algo interessante. Eu, em março, estou completando um ano de solteirice total. Praticamente um ano sem contato físico com qualquer outra mulher. A carência, obviamente, bate e bate com força. Mas ao mesmo tempo que tudo isso acontece, eu também vejo que é uma forma de eu recarregar as minhas baterias, desenvolver as minhas linguagens do amor, para que eu possa aprimorar a minha forma de me relacionar com outro alguém. Posso dizer a você, meu companheiro homem: a gente não precisa morrer por ficar sozinho, por ninguém querer a gente ou porque aquele relacionamento que parecia ser pra vida toda, mesmo com todo esforço, não foi pra frente. O que precisamos é reinventar e mudar a nós mesmos todos os dias. Para nós e para outros. Quando estivermos bem conosco, vamos saber a hora certa de nos entregarmos de corpo e alma e viver algo lindo. E se não der certo? Você já fez o caminho, já sabe por onde recomeçar.

Eu te desejo muita sorte. Muita coragem. E muito aperfeiçoamento. Assista ao documentário O Silêncio dos Homens. E, se achar que outro amigo ou colega precisa ler esse texto, manda pra ele ou compartilha no seu feed.

Documentário O Silêncio dos Homens

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