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Comportamento

Ansiedade no meio do processo

Ao abandonar o controle e reformar esse lado negativo, entro num caminho difícil. Hoje, dia 0 desse novo desafio, assumo a responsabilidade de manter-me dentro do processo evitando a ansiedade.

Não quero que você leia esse texto sem saber que hoje é dia 13 de abril de 2020 e que eu só estou escrevendo esse texto porque minha psicóloga, Bárbara Couto, pediu. Hoje ela tocou na minha ferida maior. Depois de trabalhar tantos aspectos basilares e acessórios, coloquei sobre a mesa da terapia a necessidade de enfrentar a ansiedade, esse desejo de controlar o futuro, essa coisa que eu tenho desde cedo e que me paralisa. Depois de lhe contextualizar, vamos ao assunto.

Ansiedade está ligada ao futuro. É viver ou querer controlar o futuro. Como o futuro é inexistente, logo não se pode vivê-lo ou controlá-lo. Só se vive o presente, só se toma decisões no presente. Epiteto, filósofo estoicista, nos lembra que “o que importa não é o que acontece, mas como você reage”. Acontecer e reagir é só hoje.

Eu sei que você, talvez, pense: “ah, é fácil, é só viver o hoje”. Para mim, esse é um desafio forte. Confesso que não sei em que passo estou. Confesso que as nuvens ficaram mais escuras. Confesso que neste exato momento, de frente ao computador, meus ombros pesam meio mundo.

Se por um lado, esse é um desafio grande, preciso comemorar algumas pequenas conquistas. Para isso, preciso contextualizar. Eu só namorei uma única vez na vida e esse namoro foi cheio de comportamentos abusivos da minha parte. Após o último término, passei praticamente um ano sem me envolver emocionalmente com alguém. Até que um dia, alguém me chamou muito a atenção e eu desenvolvi um sentimento avassalador por ela, mas infelizmente não foi recíproco e essa dificuldade em receber um “não” (característica bem comum dos abusivos), se manifestou. Com mais brevidade, porém, até o dia em que eu me conscientizei de que o fim da linha havia chegado e resolvi assumir que nada mudaria ali. Eu tinha que me contentar com aquele coleguismo, no máximo, daquela pessoa.

Apesar de não estar namorando nem ter passado por outro relacionamento sério após o primeiro e único namoro, eu tive oportunidade de estabelecer algumas resoluções, dentre elas a de que buscaria ao máximo não repetir comportamentos abusivos em qualquer relação que eu estivesse e que, se o fizesse, o corrigiria o mais rapidamente possível. E, com as palavras de quem tem me acompanhado nesse processo de cura há praticamente 2 anos, “tive muitas evoluções”.

É bom saber disso. É bom saber que estou mudando. É bom saber que estou melhorando e lidando com essa dificuldade. Creio que, neste caminho, seguindo-o diligentemente, poderei frutificar futuramente. Algumas pessoas, implicitamente, me perguntam se não tenho medo de dizer sobre esses meus problemas abertamente. A resposta é sempre: não. Eu faço questão de que as pessoas conheçam esse lado ruim meu. Que é só um de tantos. Eu não sou perfeito e abolir essa noção idealista é o primeiro passo para construir qualquer coisa comigo – de relação profissional a amorosa.

No entanto, hoje eu baqueei. O baque foi duro. Ao perceber que a evolução existe, mas que há um caminho muito mais longo para ser trilhado e trabalhado. E pior ainda é saber que esse caminho vai ser demorado.

Ao abandonar o controle e reformar esse lado negativo, entro num caminho difícil. Hoje, dia 0 desse novo desafio, assumo a responsabilidade de manter-me dentro do processo evitando a ansiedade. Aos 23 anos de idade, um conselho que posso dar é: frequentem os consultórios psicológicos o mais cedo possível.

Recaídas virão. Carência virá. Desejo de voltar a ter o controle sobre o futuro. Tudo isso vai se manifestar. No entanto, agora estou no meio do processo. E se algo me move, é isso. Amar o processo é a chave. Que prossigamos juntos.

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