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Masculinidade

#Masculinidade: masculino versus feminino

Esqueça as características biológicas. Homens e mulheres podem compartilhar, dentro de si, características femininas e masculinas sem afetar sua existência biológica. Compreender essa distinção comportamental e quando estimular ou limitar ela é fundamental para que nos tornemos mais equilibrados em nossas relações, em geral, especialmente naquelas que são mais próximas.

Se você ainda não acompanhou os outros textos da série, dá tempo, basta clicar aqui e ler tudo. Seja bem-vindo(a) a mais esse texto sobre #Masculinidade. Hoje é dia de ser dicotômico quanto a um assunto. Isto é, permanecer na visão de distinção clara entre masculino e feminino. Porém, com um desafio: enxergando que comportamentos e características masculinas e femininas podem conviver em um mesmo corpo. Vamos falar sobre a graça de enxergar o poder de cada uma das preciosidades que a vida nos permite ter.

Esqueça as características biológicas. Homens e mulheres podem compartilhar, dentro de si, características femininas e masculinas sem afetar sua existência biológica. Compreender essa distinção comportamental e quando estimular ou limitar ela é fundamental para que nos tornemos mais equilibrados em nossas relações, em geral, especialmente naquelas que são mais próximas.

Vamos dividir em dois blocos, com cinco características cada. Você pode aumentá-las ao fim deste texto no comentário. Caso discorde também, faça sua contribuição. Aqui é lugar de discussão e de acréscimo.

O poder do feminino

Empatia. Esse é um poder não-exclusivo, mas muito bem trabalhado por elas, as mulheres. Elas tendem a se unir em momentos de crise, a entender o que o outro fala, pensa e, principalmente, sente. Mulheres tendem a ser muito mais empáticas que homens porque geralmente têm maior sensibilidade emocional. Esse poder, que pode ser trabalhado em homens, também pode ser ainda mais aperfeiçoado em mulheres, principalmente para que exerçam a empatia sem trazerem carga emocional negativa para si.

Resiliência. As mulheres têm em si uma força de transformar-se e regenerar-se mesmo depois de momentos de tensão, de destruição emocional. Os homens podem descobrir essa força do feminino em si e devem estimulá-la, visto que essa é uma característica cada vez mais necessária em um mundo de relações líquidas, como defendeu Bauman. Mulheres podem potencializar essa força ensinando outras mulheres em situação de vulnerabilidade a desenvolverem essa visão resiliente.

Senso de comunidade. É muito comum, na infância e na adolescência haverem grupos homogêneos de meninos e meninas nas escolas. A heterogeneidade nos grupos começa a aparecer mais tarde, na puberdade. Enquanto homogêneos, os grupos femininos costumam a ser mais bem estruturados, com menos dificuldades de relação e mais eventos programados. Enquanto os grupos masculinos costumam ter alta rotatividade entre seus membros e a maioria dos eventos por supetão, sem planejamento, justamente porque coesão não é um fator presente na maioria deles. O senso de comunidade, presente no feminino, é algo que, estendido para a política, por exemplo, faz com que mulheres tenham maior afinidade com movimentos sociais enquanto homens tenham mais facilidade de tratos um a um, negociações mais homogêneas. Essa competência pode ser trabalhada em todos.

Gerenciamento de tempo. Atirem-me pedras os machistas, mas eu gosto de trabalhar com chefes mulheres! Elas podem ser bravas, muitas vezes até um pouco emotivas, mas têm, entre tantas outras competências uma fantástica gestão de tempo. Principalmente aquelas que são mães. Conhecendo a minha facilidade para a procrastinação, ter alguém que, de forma inteligente, me ajude a gerenciar o tempo e as minhas tarefas, em especial, àquelas que têm metas, é o ideal. Portanto, é a minha experiência, pode não ser a sua. Mas no geral, o feminino tem esse poder de gerenciar muito bem o tempo. Talvez pela predisposição biológica para se tornarem mães, talvez pelo que foram educadas assim, eu sinceramente, não sei. Mas o feminino tem um poder de fazer caber em um dia coisas que nós, homens, com olhar objetivo, dificilmente conseguiríamos em três dias. Quer um desafio? Peça a uma mulher para programar um passeio, entregue a ela um computador, um orçamento máximo de quanto vocês podem gastar e o destino. Ela irá encontrar tantas coisas para se fazer – e tudo vai dar certinho – que se fosse você, iria passar mofando num hotel e reclamando que “não tem nada pra fazer na cidade”. Mas a boa notícia é que nós, homens, também podemos desenvolver essa competência feminina e aprender com elas.

Afetividade. Não podia faltar essa, né? Mulheres não são sempre assim, mas o feminino é. No feminino, a afetividade vem em primeiro lugar. E é lindo ver o desenvolvimento da afetividade nos primeiros anos da infância. Meninas tendem a não brigar, a serem carinhosas, a abraçar, a beijar no rosto, a jogar beijo, tendem a terem suas brincadeiras bem organizadas e quando uma pessoa se machuca, elas logo se mobilizam para cuidar da outra. A afetividade é um traço feminino necessário em nós, homens, e que necessita ser trabalhado com mais intensidade do que os outros. Isto porque, culturalmente, somos levados a permanecermos inertes, os durões, a manifestar de forma reservada a nossa afetividade. Mas mulheres que não são muito afetivas também podem trabalhar isso para fortalecer esse aspecto do feminino nelas. Não é ser grudenta (a menos que esse seja um traço seu, pessoal), mas é estabelecer uma conexão que vai além do óbvio e que entende as dores que não sangram, mas apertam o peito.

O poder do masculino

Objetividade. Um poder já muito bem trabalhado por algumas mulheres, mas que é de abundância nos homens. O masculino tende a ser objetivo em seus pensamentos, isto quer dizer que a maioria de nós trabalhamos com metas: se queremos isto, como conseguiremos? Se podemos conseguir, vamos fazer e ponto final. E isso gera uma espécie de obstinação. Essa objetividade também se manifesta no diálogo. O homem tende a ser mais direto nos seus diálogos, por isso, é muito comum vermos homens em facções criminosas falando com outros bandidos em linguagem clara e acessível sobre seus planos e regras de cada região. Essa competência pode ser melhor trabalhada pelos homens e potencializada em mulheres para que relacionamentos de qualquer espécie possam frutificar em menos tempo.

Velocidade. Esqueça evoluções e conquistas graduais! O homem quer velocidade em tudo que faz. Por isso o masculino tende a buscar o caminho mais rápido, muitas vezes até ignorando um possível custo-benefício mais alto. Se por um lado isso é ruim, por outro é permitido dizer que em situações de crise, essa característica masculina pode ser fundamental para minimizar os efeitos negativos. Como todas as competências já mencionadas, ela não é exclusivamente masculina e poderá ser trabalhada no universo feminino. Enquanto os homens também devem ponderar a execução dessa competência, tomando cuidado para que não confundam a característica de velocidade com o transtorno causado pela ansiedade.

Senso de risco. O masculino tem uma facilidade grande de identificar riscos e calculá-los para prever seu resultado. Junte isso à objetividade e velocidade e terá um combo explosivo. O homem pode trabalhar essa competência para que ela não se torne irresponsável, tanto para si quanto para outros. E a mulher pode trabalhar essa competência masculina em si para aprender a administrar situações que requerem análise de riscos e um pouquinho de coragem para assumir responsabilidades e compromissos sem segurança clara no futuro.

Zelo. O masculino é zeloso com sua imagem, em especial a profissional e a afetiva. Estar bem ou pelo menos passar a imagem de estar bem é essencial para o masculino. Isso pode ser algo bom, se observado de um prisma que considere o valor que trabalho, família, posses e relações institucionais têm na vida do homem. Mas por outro, pode esconder frustrações e alimentar um estado permanente de mentira. Por isso, o homem precisa trabalhar essa competência de forma equilibrada enquanto a mulher pode puxar pra si essa competência já com os prévios cuidados de não levar para o estado de bem-estar mascarado.

Senso de manutenção. O masculino possui algo bem bacana, se for bem explorado: em time que está ganhando não se mexe e se o time está perdendo, vamos tentar virar o jogo. O homem gosta de manter suas posições, suas relações e seu status. Isso se reflete, inclusive, quando analisamos as estatísticas de divórcios no Brasil e no mundo aonde quem, na maior parte das vezes, toma coragem de sair da relação é a mulher. Os motivos não são o objeto dessa discussão, mas sim o fato de que o homem gosta de manter o que tem, ainda que em péssimas condições, como é o caso de muitos casamentos. Sendo um pouco mais corajoso, eu diria que o masculino tem predisposição maior para amar decididamente, embora nem todos os homens estejam cientes desse poder. As mulheres podem trabalhar isso em si também com bastante cautela para não aceitarem o inaceitável, enquanto os homens podem descobrir esse potencial e usá-lo a favor de relações longevas e bem estruturadas.

Diferenças que nos unem

São as diferenças entre o masculino e o feminino que nos unem, justamente por se complementarem e por se tornarem passíveis de serem trabalhadas em qualquer sexo. A popular guerra dos sexos, na minha visão, é apenas um jogo de palavras imbecil. Afinal, pra quê guerra se a harmonia, a completude e a união que geram a paz?

Que você fique na compreensão de que, nós homens, temos muito a aprender com as mulheres e a trabalhar e aperfeiçoar tanto o feminino quanto o masculino em nós. E que você distribua, em amor, esse texto com seus amigos e amigas. Fique com o documentário “O silêncio dos homens”.

Documentário “O silêncio dos homens”

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