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Sobre duas rodas há um mundo de possibilidades

Tudo aquilo que nos abre muitas possibilidades também requer de nós um esforço de se jogar, de se desafiar, de se envolver. Cabe a nós, no uso do que temos e nas condições que temos, explorar essas possibilidades. Sem muitas exigências. É pegar a bike e ir…

Pedalar nos ensina a viver, escrevi aqui no blogue outro dia. E viver é, no mínimo, descobrir e atingir milhões de possibilidades que temos enquanto humanos. Duas rodas montadas sob um quadro e uma pessoa sobre um selim. É tudo o que se precisa para que esse mundo de possibilidades se abra.

Ao pedalar, sobretudo sozinhos, temos capacidade de observar detalhes da natureza, de construções urbanas e até mesmo de nossos corpos porque, por algum motivo muito especial, ao subirmos nas bicicletas, temos roubados de nós a nossa angústia, a nossa ansiedade e o nosso medo, permitindo que sobre apenas um olhar mais demorado com tudo e para todos.

Já em grupo, pedalamos com mais afinco. O grupo geralmente puxa para cima. Anima, consola, alerta e instiga. Também é possível observar mais detalhes sobre as composições socioeconômicas e étnicas dos nossos pares e perceber que, sobre uma bicicleta, todo mundo é – ou pelo menos chega perto de ser – igual. Pedalar em grupo é um desafio para quem é deseducado a conviver em comunidade, para quem não tem senso de cuidado com o outro (e que fique claro que nem todo mundo é relacional nem por isso são pessoas ruins). Por isso, a indicação é que comecemos sozinhos antes de ir para o grupo, mas sempre que possível com alguém para nos guiar e liderar enquanto somos calmamente ensinados.

Como andar de bicicleta pode nos trazer alguns desafios e incertezas, a precaução sempre ajuda. O medo paralisa, a precaução promove. Enquanto o medo de descobrir uma trilha nova ou de se acidentar numa rodovia nos fazem deixar todo o nosso potencial pregado no sofá de casa enquanto assistimos TV, a precaução nos faz ajustar nossas bikes, comprar itens de segurança, estabelecer limites e treinar mais antes de enfrentar desafios maiores.

Tem muita gente por aí que está pedalando todos os dias com uma bicicleta que custou menos que os equipamentos de segurança de um atleta de elite desfrutando de paisagens e experiências que não têm preço algum, enquanto muita gente afortunada com suas bikes caras e todos os seus itens completos e novos estão paralisados porque não se sentem prontos.

Tudo aquilo que nos abre muitas possibilidades também requer de nós um esforço de se jogar, de se desafiar, de se envolver. Sobre duas rodas, temos um mundo de possibilidades. Cabe a nós, no uso do que temos e nas condições que temos, explorar essas possibilidades. Sem muitas exigências. É pegar a bike e ir…

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