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Pequenas conquistas, grandes reflexões: 73 Km em cima de uma bike

Mas além disso, cabe mencionar que há uma lição aprendida e agora, provada: não precisamos da melhor bike ou de grandes grupos nem tampouco precisamos de muitos recursos para locupletar sonhos e explorar trilhas desconhecidas.

Não, não é muito. 73 quilômetros é, de longe, pouco para quem pedala além do cotidiano (com vários intervalos de paralisação) há 7 anos. Também é pouco se formos comparar com vários profissionais de ciclismo e atletas que estão em constante evolução. Se olharmos até mesmo para amadores que, como eu, pedalam por razões de saúde, lazer e prazer, não é um número tão grande. Então, por que falar sobre isso?

Aos 16 anos, com minha quarta bicicleta, comecei a pedalar para além do dia a dia. Comecei com percursos de 4 a 10 quilômetros. Quase sempre sozinho, mas de vez em quando acompanhado por meu pai. A minha bicicleta foi furtada em 2012. Parei de pedalar. Em dezembro de 2014, me presenteei um dia antes do Natal com uma bike. Era a bike dos meus sonhos. Uma Caloi Vitus 29 que me custou quase quatro salários cheios. Pedalei por 2015 inteiro com essa bike. E foi com ela que alcancei os meus 72 Km, na BR-251, sentido Unaí/Brasília. Fora um dia intenso. 21 de março de 2015.

Em setembro de 2016, 3 dias antes do meu aniversário enquanto comemorava-o com meus colegas de trabalho, tive minha bike furtada por um descuido meu. Desde então, nunca mais comprei uma bicicleta para mim. Mas nunca parei de usar bicicletas. Ensinei minha mãe a ter mais segurança para pedalar e comprei uma bike para ela. Acabava usando-a em parte do tempo. Incentivei meu pai e meu irmão a comprarem bikes melhores e a praticarem o ciclismo de modo ativo – hoje são as que eu pedalo. Ou seja, eu sou um parasita de bikes dos meus familiares. (risos)

Muita coisa mudou de 2015 para cá, desde o meu peso até meu cabelo. Estou encorajado a dizer que eu mudei. São cinco anos. Passei e ainda estou passando pelo turbilhão – aquela fase maluca de mudanças intensas e preparativas para a próxima fase da vida. Se eu pudesse resumir em uma frase, poderia dizer que fui desconstruído. Mas eu não posso, porque apesar de desconstruído, também me reconstruí, me descobri, me alinhei melhor. Os anos têm chegado e hoje, uma pequena conquista. Essa que me motivou a escrever esse texto e comemorar.

Hoje, sábado, 25 de abril de 2020, saímos em trio para pedalar. Tivemos um acidente logo no início, quando uma das integrantes se desequilibrou e eu vinha logo atrás e acabei atingindo a cabeça e o braço dela com o pedal e pneu da minha bike. Enquanto ela teve vários ferimentos leves, eu tive apenas um hematoma no joelho. Paramos. Vimos que a situação tinha sido apaziguada e ela resolveu continuar. Ao longo de todo o percurso, por força do acidente, tivemos que fazer algumas paradas para certificar de que tudo estava bem. Nos morros mais íngremes, precisamos descer. Todos estávamos cansados. Mas foi ao chegar ao Mirante de Boa Vista, distrito unaiense, que sentimos a tranquilidade, a paz e o descanso que altitudes elevadas nos proporcionam. Voltamos para a cidade e chegamos bem. No trio, quem ficou responsável por gravar a rota foi outro integrante que, ao fim da pedalada, me encaminhou o registro que simboliza tal conquista. Houve um bug que não calculou o tempo correto: cerca de cinco horas e vinte minutos de pedal.

Registro da pedalada feito por Luiz Gustavo através do app Strava

73,1 Km. 5 anos, um mês e quatro dias depois. Bater essa marca é um afago para o coração de quem voltou a pedalar com frequência no segundo semestre de 2019, teve um episódio de trauma no joelho em novembro, voltou novamente em janeiro e graças à persistência e incentivo do seu Bike Anjo, Felipe Silva, e dos amigos e colegas que vieram nos meses adiante, continuou firme. Aprendi a pedalar melhor. Aprendi a pedalar em grupo. Aprendi a ter mais segurança. E a me precaver um pouco mais. Mas além disso, cabe mencionar que há uma lição aprendida e agora, provada: não precisamos da melhor bike ou de grandes grupos nem tampouco precisamos de muitos recursos para locupletar sonhos e explorar trilhas desconhecidas.

O que realmente precisamos é de coragem, vontade, indisposição à desistência, uma mente mais aberta para aprender e ser repreendido quando necessário, pessoas que realmente estejam dispostas a colaborar com um coração manso e humilde, e profissionais que possam extrair o melhor de nós. Hoje, ao completar 73 quilômetros em cima de uma bike num único dia, comemoro. Depois de amanhã, volto a pensar no meu objetivo do semestre. E alcançando-o, voltarei a comemorar. Como eu escrevi aqui esses dias, sobre duas rodas há um mundo de possibilidades.

Aproveito para deixar aqui também o registro feito pela repórter Nash Castro, da Inter TV Grande Minas, do nosso grupo de pedal numa de nossas esticadas. Para assistir, basta clicar aqui.

Eu sou muito grato porque um bocado de gente se juntou a mim para pedalar, desde que comecei. Sempre tive boas experiências. Cada um sempre contribui com meu avanço. Se você pedala, participe dessa vitória comigo. Se não pedala e tem vontade de pedalar, esse é um incentivo. Que estejamos firmes!

Capa: Luiz Gustavo Santos/Cedido

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

2 respostas em “Pequenas conquistas, grandes reflexões: 73 Km em cima de uma bike”

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