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Relacionamentos

Às vezes o tempo não é o mesmo

Às vezes o ‘time’ não bate. Não estou falando de disponibilidade. Talvez eu esteja falando de momento de vida. Talvez eu esteja falando de propósito de vida. Talvez eu esteja falando de compatibilidade geográfica. Talvez, de tudo isso junto. No fim, ninguém está pronto para um relacionamento, mas todo mundo tem oportunidade de começar, se quiser.

Não sei vocês, mas meus domingos são cheios de reflexões. Talvez por ser o primeiro dia da semana e porque eu goste de análises. Há três domingos venho refletindo sobre esse assunto de ‘time’, ‘timing’ ou tempo em bom e claro português. Me permito, com ressalvas, a discuti-lo à luz do coração e dos sentimentos humanos. Se você vem comigo, saiba que esse não é um texto absoluto porque o jeito que eu penso não é único e nem tampouco é via de regra.

Na minha adolescência, tive dois pensamentos dominantes (e hoje, vejo como errôneos) acerca de relacionamentos: o primeiro era de que devia ignorá-los o quanto possível para focar na minha vida profissional, financeira e estudantil, o segundo era de que, mesmo que eu me apaixonasse, não teria condições de sustentar um relacionamento por não estar pronto.

Hoje sei que não estou pronto – talvez ninguém esteja – para me relacionar com ninguém. A chave é justamente essa. Quem está pronto está na sepultura. Quem está pronto não precisa aprender, quem está pronto não tem necessidade de errar e acertar para aprender, quem está pronto não precisa se construir (e o que seria um relacionamento senão uma construção mútua?), quem está pronto, repito, está morto. Vivos não estão prontos.

Entretanto, às vezes o tempo não bate. Não estou falando de disponibilidade. Talvez eu esteja falando de momento de vida. Talvez eu esteja falando de propósito de vida. Talvez eu esteja falando de compatibilidade geográfica. Talvez, de tudo isso junto. Não aplicarei minhas experiências pessoais para induzir sua conclusão. Conclua com o que você tem à mão.

Às vezes conhecemos uma pessoa extraordinária, porém estamos vivendo um momento que não queremos nos relacionarmos com ninguém (e aí não entra o motivo de não se achar pronto, pois esse não vale). Às vezes há uma conexão maravilhosa entre duas pessoas, uma confiança de alto nível se estabelece, porém não há reciprocidade sentimental porque há diferenças no modo de sentir entre um e outro. Às vezes conhecemos alguém, rola uma reciprocidade sentimental super bacana, mas faltam condições geográficas e financeiras para que um relacionamento se estabeleça (no mundo adulto, os filmes do mocinho que larga tudo para se casar com a princesa em um universo distinto é bem mais difícil do que parece). Às vezes o ‘time’ não bate.

Parece, às vezes, realista demais bater de frente com isso. Mas quando o ‘timing’ não é o mesmo, há três opções, com suas respectivas consequências: uma parte ou as duas mudarem toda a sua condição atual para caberem no relacionamento (consequentemente, o relacionamento é maior que quem compõe o mesmo, portanto, é uma prisão abstrata); estabelecerem um pacto temporal para organizarem mudanças, uma espera ou uma certa paciência com a crise que uma parte está vivendo (consequentemente, cria-se um compromisso antes do relacionamento se estabelecer e pode ser que em algum momento esse pacto fique caro à uma das partes); assumir que agora não dá e tentar seguir adiante (consequentemente, vai doer, vão ser necessárias desistências e o desfazimento de planos mentais, além de desprender-se da ideia de que, obrigatoriamente, ambos se encontrarão no futuro, apesar de ser possível).

Com o pouco que pude aprender até aqui, creio no relacionamento como uma forma de manifestarmos o melhor de nós. E não há como sermos melhores sem sermos livres. Relacionamento depende, muitas vezes, de uma confiança absoluta no outro, mas por escolha, nunca por obrigação. Relacionamento também é sobre tomar decisões 50 a 50%, ao invés de 0 e 100% (excluídos casos mais particulares, obviamente). No fim, ninguém está pronto para um relacionamento, mas todo mundo tem oportunidade de começar, se quiser.

Para encerrar, uma conversa de pé de ouvido com você que se apaixonou por alguém e não foi correspondido, ou porque conheceu um cara legal numa festa e ele é do exterior, ou porque aquela moça que você conheceu te disse que não quer relacionar-se com ninguém por agora e ponto final. Do fundo do meu coração, o meu conselho é que você, assim como eu, dê o primeiro passo para começar a aceitar os nãos da vida. Sim, eu que sempre fui todo esperançoso dizendo isso parece ser contraditório. Mas a verdade é que Epiteto estava plenamente certo quando mencionou que “o que importa não é o que acontece, mas como você reage”. A verdade é que num planeta de sete bilhões de pessoas, se organizar direitinho, você encontrará uma pessoa no seu ‘time’, na sua ‘vibe’, se é que pra você isso é essencial. Se não for, toca sua vida e quando o amor bater à porta, você saberá. O amor não confunde, ele dá sinais claros, basta sabermos perceber.

Que você fique em paz. Que você viva as etapas. Que você decida amar, sim. Que você viva intensamente uma paixão. Que você saiba lidar com o luto de amores que deixaram de ser servidos à mesa. Que você possa reconhecer aonde errou para evitar na próxima oportunidade. Que Deus, o Deus das segundas chances, te conceda uma segunda chance no tempo adequado. Faça dessa música de Tiago Iorc sua canção de guerra nesse tempo:

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