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#Masculinidade: por que os homens morrem mais cedo?

Para esta conversa, podemos elencar três razões: homens estão mais susceptíveis a mortes acidentais por sua maior exposição, homens morrem mais cedo porque não se cuidam compativelmente com sua necessidade biológica e homens morrem mais cedo porque são homens.

Em ritmo de festa, mas ao mesmo tempo de despedida, vamos para o penúltimo texto da série #Masculinidade. Tivemos a oportunidade de levantar várias questões, trazer um fórum de discussão sobre o poder do masculino e também suas mazelas e dramas. Agora, vamos falar sobre essa constatação triste que leva os homens a morrerem mais cedo que as mulheres, sendo ambos humanos, dotados de características biológicas que os permitiriam ter o mesmo tempo de vida, se observados cuidados compatíveis com o sexo biológico.

A questão não é somente morrer mais cedo como também em maior número. Talvez a pergunta correta a se fazer não seja “por que os homens morrem mais cedo?”, mas sim “por que as mulheres vivem mais que os homens?”. Fazer essa inversão lógica da pergunta nos permite explorar respostas mais esclarecedoras.

Para esta conversa, podemos elencar três razões: homens estão mais susceptíveis a mortes acidentais por sua maior exposição, homens morrem mais cedo porque não se cuidam compativelmente com sua necessidade biológica e homens morrem mais cedo porque são homens.

Mortes acidentais e por violência

A nossa cultura é um negócio maluco. Já exploramos o quanto somos estigmatizados, enquanto homens, dentro de nossas famílias e relações sociais. Agora chegou de explorar os efeitos disso. O homem, muitas vezes para se provar o “bam-bam-bam”, acaba por se envolver em acidentes e incidentes desnecessários. Seu ego e sua necessidade de aprovação, literalmente, o expõem ao risco de morte.

Não que seja impossível de se ver mulheres se expondo a altos riscos, mas é ligeiramente mais fácil ver homens em situações de risco. Se formos para o sistema penitenciário brasileiro, veremos que as mulheres ocupam menos de 10% do numerário de presos. Ou seja, se considerarmos que situações de crimes são um tipo de exposição ao risco, e que de fato os que estão presos são responsáveis por seus crimes, temos um retrato da proximidade da criminalidade com o masculino e, portanto, de sua susceptibilidade ao risco.

Além disso, temos questões estruturais como o alistamento obrigatório para homens, a predisposição física da maioria dos homens para esportes mais violentos como lutas (não que seja impossível ou incomum ver mulheres no MMA ou boxe) e por fim, a alta concentração masculina em postos de trabalho nas estradas ou em profissões de alto risco.

Homens não se cuidam como deveriam

Ou talvez, muitos sequer se cuidam. Uma cena cada vez mais comum é ver homens idosos nos postos de saúde. Essa não era uma realidade há alguns anos. O que motivou essa virada de chave foram os mais variados estudos que permitiram aliar a atenção básica à longevidade, além do maior nível de escolarização de filhos e netos que agora insistem com seus pais e avós para que se cuidem. Ainda assim, nós, homens, não nos cuidamos como deveríamos.

Manter a carteira de vacinação em dia, fazer consultas de rotina, fazer exames de rotina, testar para infecções sexualmente transmissíveis e examinar a próstata são ações não tão amistosas para os homens. Por força do hábito de só procurar o médico quando se sente mal e também por uma cultura que não o estimula a esses cuidados por considerar uma “fraqueza”. É triste dizer que esse é o panorama que começou a ser mudado no início do século.

Mas que felicidade! Há mudanças e essas mudanças permitem que cada vez mais homens estejam nas academias, nas pistas de corrida e nos postos de saúde. O que falta, porém? Falta um acompanhamento mais próximo e específico. É como se o homem se limitasse à clínica geral enquanto a mulher fosse às especialidades. O homem tende a não se importar ou a se importar menos com as especificidades do seu corpo. Tende a ser genérico. Homem no nutricionista? Difícil, a menos que ele esteja na jornada para “ficar grande”: academia e nutrição andando juntos.

Homens morrem mais cedo e morrem mais porque são homens

“Homens são todos iguais”. Já vimos aqui na série #Masculinidade que não. Mas podemos agregar algumas características e identificá-las na maioria dos homens, senão em todos. E algumas dessas características e desses “poderes” do masculino o levam a viver a vida mais perigosamente.

Não é preciso falar muito. Não é preciso reforçar nada. Esse é um tópico remissivo que concentra as duas afirmações anteriores e mais características vindas de outro título.

Eu quis fugir um pouco das estatísticas para que pudéssemos discutir algo mais ‘light’ hoje. O último texto precisa ser introduzido com uma entrada mais fina. Que você fique com o documentário “O Silêncio dos Homens”.

Documentário “O silêncio dos homens”

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