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Quebrar o coração é parte do processo

A Jout Jout, aquela mulher que tem uns vídeos bem legais no Youtube sobre comportamento e relacionamentos, jogou na cara de todos nós que esse negócio de “não tô criando expectativas” é só mais uma das mentiras que contamos para nós mesmos. E nós vivemos para a verdade, nunca para a mentira.

Parece que viemos da mesma fábrica. Chamamos de coração a nossa mente e processamos sentimentos nesse pedaço de massa fundamental à nossa existência. E parece que nesse modelo em que fomos fabricados, nosso coração precisa se partir uma ou mais vezes para que o conheçamos. Ele é enganoso, diz um provérbio bíblico. E não adianta se enganar, você também vai quebrar a cara, por bem ou por mal. Isso faz parte do processo. Temos uma opção: ou evitamos sabendo que uma hora vai acontecer ou então abraçamos o processo e o amamos vivendo-o intensamente. Passada essa introdução longa, aviso: trago gatilhos psicológicos para você que está com o coração em processo de despejo.

Você pode ser o cara ou a garota mais lindos da Terra. Você pode ser o cara ou a garota mais feios da Terra. Eu, vocês, todo mundo tem algo em comum: a capacidade de quebrar a cara quando o assunto é sentimento.

Você conhece alguém, as borboletas no estômago aparecem, você se sente envolvido de um poder heroico e se declara para aquela pessoa. Por razão A ou B, essa pessoa pode não corresponder às suas expectativas. Ou então ela pode corresponder às suas expectativas. Em quaisquer circunstâncias, você pode ter seu coração quebrado ou também pode quebrar o coração da outra pessoa.

Você tem na sua mão uma responsabilidade muito grande se assume uma relação. Mas acredite, também tem quando se exime dessa responsabilidade e diz um não. A questão em si não é sobre a responsabilidade, mas sim sobre culpa. No fim, todos nós somos responsáveis por quebrar o coração alheio, às vezes com, às vezes sem culpa.

Mas no fim, meu amigo e minha amiga, sabendo que nesse mundo todo mundo vem com um quezinho de responsabilidade sobre a dor alheia, como agir? Não se relacionar com ninguém e correr quando as borboletas no estômago forem fustigadas e remexerem como marimbondos enfurecidos? As borboletas estão dentro de você. Para onde você for, elas irão contigo. Você pode fugir, mas elas continuarão aí.

A resposta é uma: se joga. Estamos falando de adultos que gostam de alguém compatível. Se joga. Não poupe palavras. Não se limite. Mostra, sim, que gosta. Ri pra tela do celular. Manda poema. Faz terrário. Cria música. Leva chocolate. Compra uma camiseta. Conhece os pais. Posta coisas fofinhas sobre essa pessoa nas mídias sociais. Ande de mãos dadas. Seja disponível. Não faça promessas, apenas se jogue!

Sabe por que? Porque a Jout Jout, aquela mulher que tem uns vídeos bem legais no Youtube sobre comportamento e relacionamentos, jogou na cara de todos nós que esse negócio de “não tô criando expectativas” é só mais uma das mentiras que contamos para nós mesmos. E nós vivemos para a verdade, nunca para a mentira. Te convido a ver o vídeo antes de continuar a leitura – se você tiver estômago.

Fonte: Youtube/Reprodução

Mas acredite, eu só encampei essa ideia porque vivi na pele a dor do arrependimento. De não ter sido assim antes. Eu tentava ser do tipo que corria com as borboletas no estômago, achando que ia acalmá-las. Eu era frio, durão, inacessível. Eu sou muito grato porque uma pessoa acessou, com paciência e teimosia, o meu coração inacessível e me fez cair de cara no chão e começar a aprender do zero que relacionar-se é, pra início de conversa, correr riscos. Hoje essa pessoa não está mais comigo e eu não tenho mais outro sentimento senão o de gratidão por ela ter passado pela minha vida e me ensinado que se jogar tem muito mais a ver com viver o hoje do que, necessariamente, se machucar.

Faço uma analogia, a essa altura, que deve lhe ter sido comum em algum momento da vida. Quase todo mundo já ralou os joelhos. Há dois tipos de cuidados: o imediato que envolve passar álcool ou água imediatamente e cobrir o ferimento com pomada ou uma gaze; e o tardio, que envolve fazer o mesmo, porém depois do sangue coagulado e geralmente sob alguns gritinhos de dor. Dói mais fazer o procedimento depois que o sangue esfria. Então, amigo ou amiga, deixa doer logo de cara quando você quebrar a cara. Porque quando você terminar de tratar o ferimento, ele vai cicatrizar. E ao invés de demorar um ano ou mais, você poderá estar curado em meses, talvez até dias – dependendo do quanto você estiver treinado a isso.

Para concluir, lhe desejo que quebre a cara logo. Que se apaixone. Que receba os seus não’s o quanto antes. Que se entregue a um sentimento avassalador e que o estimule. Que faça a outra pessoa se sentir nas alturas. Que você também possa ser agraciado com isso. Porque um dia ou outro, nós vamos ser responsáveis por quebrar o coração do outro, e nesse momento, também precisaremos ser tão intensos para assumir nossa responsabilidade quanto fomos para gozar da felicidade.

Pra fim de conversa, vai na fé porque a hora de parar de quebrar a cara chega. O amor não confunde. Ele dá as caras quando é pra ser. Ele acontece. Mais ainda, ele sempre requer, assim como a paixão, que nos joguemos de cabeça e sem paraquedas, porém com um diferencial: ao invés de sentirmos, decidimos.

Capa: Pixabay.com/Reprodução

2 respostas em “Quebrar o coração é parte do processo”

Interessante ler seus textos, pois a maioria deles é daquilo que vc viveu/vive. Por isso é intenso e verdadeiro. Deixo minha admiração ! Abraço amigo !!!
_ Pequena, Pri.

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