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Masculinidade

#Masculinidade: homens, meninos e crianças

O que caracteriza um homem? O que caracteriza um menino? O que caracteriza uma criança? Há várias formas, incluindo a faixa etária, para classificarmos esses termos que usamos para nos referirmos a pessoas do sexo masculino. No entanto, lhe desafio a observar a partir de uma ótica menos legalista e moralista e mais subjetiva. Vamos classificá-los a partir da relação dependência e independência.

Chegamos ao último texto da série #Masculinidade. Antes de mais nada, um agradecimento a você que participou comigo em todos os textos, que leu, que acompanhou, que compartilhou. Se você está chegando agora, saiba que clicando aqui você tem acesso a todos os textos da série. Para fechar, vamos falar sobre essa comum divisão que escutamos por aí: homens, meninos e crianças.

O que caracteriza um homem? O que caracteriza um menino? O que caracteriza uma criança? Há várias formas, incluindo a faixa etária, para classificarmos esses termos que usamos para nos referirmos a pessoas do sexo masculino. No entanto, lhe desafio a observar a partir de uma ótica menos legalista e moralista e mais subjetiva. Vamos classificá-los a partir da relação dependência e independência.

Crianças

Elas são o projeto de vida de seus pais. Consequentemente, dependem deles para praticamente tudo. Nos primeiros anos de vida, para tudo. Logo depois, vão adquirindo autonomia, mas o sustento, a proteção, a saúde, tudo ainda é responsabilidade dos seus progenitores. Em resumo, crianças dependem totalmente de seus cuidadores.

Meninos

Eles já não dependem mais tanto de seus pais, mas ainda sobrevivem às custas deles, ainda que já possam sobreviver às suas custas. Nesta fase, os meninos costumam ser mais proativos, tomarem decisões e realizarem experiências muito pontuais, voltando atrás em muitas delas. Nesta fase, o que determina o quanto de tempo o rapaz permanecerá por esse estágio são as condições socioeconômicas, ambientais e sua visão para o seu futuro. Meninos, em resumo, continuam dependendo de seus progenitores, no entanto com menor grau e com mais autonomia em determinadas áreas da vida.

Homens

O homem é um núcleo autônomo. Às vezes ele ainda mora na casa dos seus progenitores. Às vezes ele mora sozinho. Às vezes ele mora numa república. O local aonde mora não o define. O que o define são suas decisões, sua responsabilidade por si próprio e por suas contas (afinal, que humano não as tem, né?). O homem, geralmente, reconhece em si, nesta fase, suas fraquezas, seus desejos, suas potencialidades. Ele já sabe o quer, alguns diriam. Em resumo, o homem é responsável por si mesmo e depende de outros em medidas justificáveis.

Relacionamentos

Antigamente, eu tinha uma visão bem tosca e exigente de relacionamentos e de “quando nos relacionarmos”. Hoje, essa visão mudou. Não acho que só “homens” devem se relacionar. Até porque o menino passa a ser homem com a construção que lhe é feita. E os relacionamentos que ele nutre o auxiliam a desenvolver essa construção moral, relacional e filosófica.

Mas não quero me ater a críticas. Pelo contrário, quero explorar o que há de melhor em meninos e homens. Crianças não namoram, então ficam por aguardar essa fase adiante.

E o que há de melhor nos meninos? A aventura. O espírito desbravador. A coragem. A certeza de que amanhã vai ser outro dia. A velocidade. O contínuo gosto pelo prazer, pela diversão, pelo lazer. Os meninos sabem, como ninguém, ser surpreendentes. Meninos são capazes de muita coisa. Que você, menino, explore tudo isso com cautela, mas sem se prender muito.

E o que há de melhor nos homens? A segurança. O espírito de construção. A visão de futuro. A certeza de que ele será responsável por seus atos. O senso de manutenção. O contínuo gosto por conhecer mais e mais do seu par. Os homens sabem, como ninguém, ser convincentes. Homens são capazes de transformar sonhos em realidade. Que você, homem, possa aproveitar essas características para se desenvolver ainda mais.

Porque no fim de tudo, todo mundo que é homem já foi menino e criança. Quem já é menino, já foi criança. E quem é criança, almeja ser homem. Não queime etapas. Viva cada uma delas. Explorando o que cada fase tem de melhor. Converse. Exponha isso. Manifeste seus desejos, suas emoções.

Documentário “O silêncio dos homens”

Como de praxe, ao fim de todos os textos, você fica com o documentário “O Silêncio dos Homens”, uma produção incrível disponível gratuitamente no Youtube. Se passou despercebido, tire uma horinha do seu dia, vá para um canto tranquilo e assista esse documentário. Está tudo bem se lágrimas rolarem e se você se sentir movido a fazer algo.

Documentário “O silêncio dos homens”

Encerramento

Ao finalizar essa série, preciso confessá-los algo. Escrever é terapêutico para mim. E se eu fosse contar ou colocar num copo todas as lágrimas que derramei ao escrever esses textos da série, com certeza não seria apenas um copo. A gente se emociona. A gente se vê. A gente se descobre. Não se trata apenas de escrever por escrever ou para garantir acessos ao site, mas de tentar, nessa imensidão sem dono que é a internet, levar um pouco de afago para corações que sofrem do mesmo que eu já sofri e/ou sofro. Gosto de entender que cada dia a mais que vivo me traz um ou mais ensinamentos diferentes. Isso me faz ser uma pessoa nova a cada dia. Escrevendo, me torno mais humano. E ao balizar problemas, situações adversas, dores e fraquezas, começo a me entender melhor. Eu tenho certeza de que serei um esposo melhor do que eu era antes desse texto. Porque, apenas pelo ato de escrever e meditar sobre o tema da masculinidade, foi possível descobrir fraquezas e fortalezas que precisam ser trabalhadas para que eu possa ter um relacionamento saudável – com erros, porque todos nós erramos – mas saudável.

Encerro, dedicando-lhe uma música. Ela fala sobre nossa responsabilidade frente ao amor. E também, obviamente, sobre nossa vida. Que nós, seres do sexo masculino, possamos amarmos mais, em especial aos nossos pares, que possamos discutir nossas dores e termos espaços para nos abrirmos. “Somos balões de emoções num mundo de alfinetes”, escutei essa frase essa semana sem compreender a fonte. Mas há verdade. E nesta verdade, que possamos quebrar os nossos alfinetes e demonstrar o que temos dentro de nossos balões sem culpa e sem medo.

A começar em mim (Vocal Livre)

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