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Lucas e sua cicloviagem de 140 Km para ver a mãe

Lucas fez uma viagem de 140 Km rumo ao distrito de Ruralminas, partindo de Unaí-MG. Ele disse ter ido às quatro horas da manhã e retornava já mais de 19h30. Ele mencionou que havia ido ver sua mãe, pois havia muito tempo que não a via. Apesar de cansativa, para ele, a viagem valeu a pena.

No início da noite desse Dia das Mães (10/05), enquanto fazia o trecho final da minha pedalada inesperada, na altura de um posto de combustíveis às margens da BR-251, em Unaí-MG, encontrei-me com um ciclista que estava totalmente sem equipamentos de segurança ou iluminação. Disse para se ajuntar a mim, que estava com equipamentos de sinalização, porque era perigoso. E o resto, é uma história emocionante que merece ser contada.

Ao perguntar aonde o jovem Lucas estava, ele disse que vinha de uma fazenda bem próxima ao distrito de Ruralminas, no município de Unaí-MG. São 140 Km, ida e volta, partindo da cidade. Ele disse ter ido às quatro horas da manhã e retornava já mais de 19h30. Com voz um pouco cansada, ele mencionou que havia ido ver sua mãe, pois havia muito tempo que não a via.

O papo estava bom e resolvi acompanhá-lo por mais um pouco do trajeto que ele fazia de volta para casa. Numa bicicleta do tipo mountain bike, ele mencionava que sua viagem, apesar de cansativa, tinha valido a pena. Ao falar isso, ele o fez com uma convicção de quem estava perfeitamente satisfeito com o que acabara de concluir. Também contou que morava num bairro periférico da cidade, próximo ao supermercado aonde trabalhava.

Com 19 anos de idade, morando com sua namorada há quatro meses na cidade, reclamou de duas coisas relacionadas à pandemia: primeiro que o auxílio emergencial da sua namorada, que nunca trabalhou e permanece desempregada, não saiu; segundo que os seus planos de tirar a habilitação para comprar uma moto ou um carro e ver a sua mãe eventualmente foram frustrados pelo isolamento social e a suspensão de aulas práticas no Estado de Minas Gerais.

Perguntei se ele era casado, ele disse que não porque era jovem demais. Porque estava vivendo o momento e aproveitando para ver se davam certo. Apesar de tudo, esboçou um sorriso ao mencionar que estava namorando há mais de um ano. Perto de chegar à casa dele, começamos a nos despedir. Ele mencionava seu cansaço enquanto seu celular tocou: era sua mãe perguntando se ele havia chegado.

Nos despedimos e eu vim correndo pra casa para contar essa história inspiradora. Um jovem, tão novo e que desbrava o mundo praticamente sozinho, assumindo responsabilidades e conquistas que o tornam um homem de valor. E mais valor se encontra quando ele, sem outros meios, escolheu a bicicleta para ir visitar a sua mãe num momento em que todos precisam desse afago e carinho. E detalhe, essa foi a primeira cicloviagem dele.

Capa: Pixabay.com/Reprodução

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