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Minimalismo não é ter pouco, é ter o necessário

Talvez o minimalismo seja para você. E se for, vai com tudo, mas vai no seu tempo! As mudanças podem demorar a ocorrer, mas você sentirá com facilidade a felicidade de ser mais leve.

Antigamente eu tinha meus preconceitos com quem se declarava minimalista. Hoje eu ainda tenho pelo meu costume industrializado e pela cultura do descartável, mas nem tanto, até porque me tornei um minimalista (acho que não em tudo, mas pelo menos em relação a itens materiais). Quero tocar uma conversa com você sobre o que é esse tal conceito e porque ele pode ser interessante para você.

O minimalismo é, basicamente, ter (comprar, adquirir, usar) apenas o necessário para a sobrevivência e prazer humano. Não tem a ver com naturalismo, veganismo, ou quaisquer outros “ismos” por aí. Muitos tendem a misturar as coisas, mas eu não gosto. Eu continuo gostando de uma boa carne assada mal passada e de uma construção de alvenaria bem feita.

Aplicar o minimalismo é mais fácil quando se tem poucos recursos, sobretudo porque a escassez de recursos produzirá uma aceitação maior do conceito. Mas é engraçado: costumamos ver os principais defensores do minimalismo como pessoas ricas que, de tanto dinheiro, escolheram viver com o mínimo. Não é o meu caso. Eu sou uma pessoa com a conta bancária zerada e sem fundos de reserva até o momento. Aceitar que o minimalismo era interessante pra mim foi mais difícil pelo fato de que, mentalmente, eu acreditava que precisava “ter” para “ser” do que em si pela falta de recursos.

Mas eu dei os passos para começar a viver com o mínimo. O primeiro deles foi eliminar tudo aquilo que sugava recursos sem que eu usasse. Dispenso falar sobre tarifas bancárias cujo, graças ao meu entusiasmo em procurar informações sobre o setor bancário e financeiro, nunca paguei. Mas posso falar em seguros, planos de telefonia que extrapolavam minhas necessidades, serviços de streaming que eu não usava, serviços de internet que não condiziam com minha necessidade imediata, entre outros. Comecei cancelando tudo e reassumindo o controle dos pequenos gastos que fazem um rombo no nosso orçamento pessoal.

O outro passo importante foi vender ou doar tudo aquilo que eu não usava ou usava com pouca frequência e não tinha custo-benefício de ter. Vendi um notebook que eu usava bem menos que o computador de mesa. Vendi um tablet que parei de usar após parar de dar aulas. Doei o terno que não me servia mais para o meu irmão. Doei um jaleco que usei apenas algumas vezes no curso técnico para um ex-aluno que fazia Enfermagem. Doei roupas que não me serviam mais para uma moça que conduz um projeto de assistência social. Eliminei roupas rasgadas e itens quebrados que não valiam a pena consertar. Sempre tive o hábito de fazer dispensação de itens em desuso pelo menos uma vez ao ano, mas mesmo assim consegui juntar uma quantidade que eu jamais imaginava que tinha.

E por fim, um passo muito relevante foi levar o minimalismo para minha vida digital. Centralizando informações, reduzindo o número de contas virtuais, mantendo poucos e-mails e categorizando arquivos. Eliminei mais ou menos um terço de todos os arquivos digitais que guardava e que, raramente, me seriam úteis.

Ainda há muita coisa que pode ser eliminada, mas não me agarrei totalmente ao conceito por desorganização mesmo. Concluindo, estabeleci que prefiro pagar aluguel temporário de um determinado item do que comprá-lo e ter custos de manutenção. E que fazer aquela velha e necessária pergunta antes de cada compra é fundamental: eu realmente preciso disso agora?

Viver o minimalismo quase que de forma natural é um modo de deixar a vida mais leve. Eu sempre fui muito burocratizado e burocratizador. Sempre gostei de regrinhas e estou me desfazendo delas. Me tornando um pouco mais leve. Uma pessoa menos “negativa”, menos “pesada” e mais disposta a viver o hoje. Isso acaba me ajudando a controlar a ansiedade, a direcionar corretamente os recursos que adquiro além de me permitir ter maior flexibilidade para mudanças repentinas.

Talvez o minimalismo seja para você. E se for, vai com tudo, mas vai no seu tempo! As mudanças podem demorar a ocorrer, mas você sentirá com facilidade a felicidade de ser mais leve.

Capa: Mayke Santos/Imagem Cedida

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