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O gosto pela construção nas relações afetivas

Pode ser, talvez, a forma mais lenta, pedregosa e cara de se fazer uma relação dar certo. No entanto, pode ser também a mais segura, a mais estruturada e a melhor desenvolvida pela intelectualidade humana. A construção tem a ver com três etapas: planejamento, execução e avaliação.

Sim, esse é um texto realista. Se você tem um namorado ou namorada, leiam juntos. Já é um começo de uma construção.

Todos nós começamos relações amorosas com expectativas. Há pelo menos duas instituições sociais aplicadas às relações afetivas: o namoro e o casamento. Mas até mesmo para os “esquemas fixos que não são namoros” existe uma expectativa na mente de cada um dos componentes da relação. Ninguém começa pensando em acabar amanhã. Nem começa, necessariamente, pensando em ter filhos, comprar uma casa financiada e ter um abrigo de animais quando envelhecerem juntos.

Naturalmente, as expectativas exercem um papel importante. Se bem dosadas, elas podem levar ao estímulo de relações saudáveis e duradouras. Se muito altas e além do que cada pessoa consegue entregar, serão um peso. Para esse ajuste, é interessante que os pombinhos apaixonados façam um pacto forte. Há inúmeras receitas sobre como fazer uma relação dar certo e, confesso, já tentei algumas e sempre gosto de ressaltar que sempre depende. Cada caso e cada pessoa precisam ser tratados de forma individualizada.

Entretanto, há um espaço muito amplo para a construção relacional. Pode ser, talvez, a forma mais lenta, pedregosa e cara de se fazer uma relação dar certo. No entanto, pode ser também a mais segura, a mais estruturada e a melhor desenvolvida pela intelectualidade humana. A construção tem a ver com três etapas: planejamento, execução e avaliação.

Na etapa de planejamento, as expectativas precisam ser colocadas à mesa. É como se você estivesse com 100 reais e um portfólio de 100 produtos para escolher um apenas de R$ 100. Você precisará fazer várias tomadas de decisão. Talvez definir suas regras, o que é negociável e o que não é. A construção de uma relação não se dá no papel. Mas sim no pacto de confiança, verdade e transparência que cada sujeito da relação faz com o outro.

Como tudo na vida, a execução toma mais tempo e dinheiro do que pretendíamos investir anteriormente. São necessários ajustes, também, de acordo com o tempo, com as situações climáticas e claro, com os incidentes que podem ocorrer ao longo do percurso. A execução, porém, precisa rumar ao objetivo estabelecido durante a fase de planejamento.

A avaliação, por sua vez, é uma fase branda para quem está de fora e turbulenta para quem está dentro. É quando começamos a analisar a qualidade da construção. Ventos fortes, tempestades, chuvas fortes, será que algo poderá abalar aquela construção? E o que fazer nesses casos? São respostas e ações que precisam ser encontradas no meio do processo. Sempre com respeito e verdade.

Certa vez, tive certeza de que estava apaixonado por alguém com quem eu poderia construir uma relação saudável e longa quando partiu dela as seguintes frases: “lembre-se que a base do seu prédio é uma amizade forte” e “eu prefiro uma casa com jardim cheio de flores”. Essa pessoa, mesmo vinda de uma família e formação diferente da minha, tinha a mesma mentalidade minha quanto à relacionamentos. Ela entendia que era necessária uma construção. E que a base que permitiria que essa construção se mantivesse firme com as intempéries era uma amizade forte, verdadeira e transparente. Outrora, ao completar que gostaria de uma casa com jardim florido, ela menciona intrinsecamente que não está preocupada com a altura e quantidade daquele relacionamento, mas sim com o bem-estar e qualidade.

Acontece que nem sempre encontramos pessoas que pensam exatamente assim. E aí precisamos propor isso de um jeito simples e claro de ser entendido. Basicamente, eu já fiz isso e, no meu caso, deu certo até que começamos a fazer a construção ruir, cada um com sua parcela de culpa na picareta que destruía as bases firmes outrora firmadas.

Há quem queira conhecer as bocas do mundo inteiro antes de construir algo sólido com alguém. Há quem se contente em encontrar um terreno fértil e começar a construção. E há quem queira somente construir a si sem construir um prédio afetivo com outra pessoa. No fim, cada um toma conta de si. Mas eu sou dos que amam a ideia da construção mútua e dou todo apoio a quem vai por esse caminho.

E você, o que pensa sobre o assunto?

Capa: Pixabay/Reprodução

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