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Comportamento

A disputa pelo controle gera descontrole e infelicidade

Disputar o controle do controlável é uma tentativa constante de nós todos, humanos. Para quem tenta disputar o controle, há um dispêndio grande de energia nessa briga.

Controlar o incontrolável é uma tentativa constante dos ansiosos. Disputar o controle do controlável é uma tentativa constante de nós todos, humanos. Seja nas relações amorosas, seja nas relações trabalhistas, há uma disputa constante pelo controle. A ideia de chefia e liderança, de um(a) “cabeça” é muito comum na nossa vida. Hoje quero conversar com você sobre isso.

Para quem tenta disputar o controle, há um dispêndio grande de energia nessa briga. Gatilhos e mecanismos de controle, ataque e defesa estão sempre ativos. E, convenhamos, o mundo inteiro está em uma gigantesca guerra de controle. Temos várias potências mundiais que articulam seus embargos, taxas e mercados para atingir objetivos que beneficiem a si e afastam os oponentes. Grandes guerras são mobilizadas com um único objetivo: expandir o poder. Quando Sun Tzu nos ensina que “o verdadeiro objetivo da guerra é a paz”.

Trazendo para nossa realidade pessoal, podemos estar travando guerras em nosso trabalho. Se somos subordinados, podemos ser mecanismo de ataque ou defesa de nossos líderes da guerra. Se somos líderes, talvez estejamos tão imbuídos na conquista de um objetivo que todos os que se posicionam de forma desalinhada são considerados inimigos e as pessoas passam a ser apenas armas da guerra. No fim, pra quê tudo isso? Não estou dizendo que, em alguns momentos, não precisaremos guerrear, mas viver o tempo inteiro nisso não nos levará a sucesso algum.

Também podemos ter uma guerra silenciosa – ou não – dentro de nossos lares. O esposo controla o orçamento, a esposa controla a cama. O filho reage de acordo com o que lhe é dado, o neto procura a forma mais fácil e manipuladora de conseguir o que quer. Num espaço que, tendenciosamente, seria de paz, harmonia, liberdade e verdade, a guerra instalada não permite que ninguém confie em ninguém, afinal, todos são instrumentos de guerra e também são guerrilheiros. Repito a pergunta: no fim, pra quê tudo isso? E repito a consideração: em alguns momentos, precisamos agir com táticas de guerra, mas sempre se lembrando de que o outro é uma alma humana e merece respeito.

Em resumo, a disputa pelo controle gera descontrole e infelicidade. Descontrole porque aonde há disputa não há paz total. Infelicidade porque por onde passam tanques de guerras e cruzam-se balas não há como sorrir demorada e verdadeiramente.

Sei que parece muito idealista da minha parte crer que dá pra ser feliz e aceitar um controle em que tudo aconteça de forma pacífica, mas eu sou dos que acreditam em diálogos humanizados, combinados leais e na verdade, acima de qualquer outro elemento, para que qualquer relação dê certo. Se alguém disse que podemos vencer uma guerra com mentiras, essa pode ser uma mentira. E eu estou disposto a crer que só a verdade vence guerras, ainda que derrotas constantes existam.

Capa: Pixabay/Reprodução

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