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Andar de bike é seguro no Brasil? 4 a cada 100 mortos no trânsito são ciclistas

O esporte se tornou um dos principais durante a pandemia, mas há riscos. Em levantamento do Ministério da Saúde, as mortes de ciclistas em acidentes de trânsito somam 4% do total.

Bruno Cidadão, especial para a Uninter (PL Inovação em Jornalismo) com apoio financeiro da Associação Bike Anjo (Fundo Local #5)

Prática do ciclismo é muito comum, mas riscos de acidentes ainda afastam praticantes das ruas (Foto: Bruno Cidadão)

Num trânsito onde falta educação, é mais perigoso andar de bike do que de triciclo, ônibus, caminhão, barco, navio ou avião. É o que mostra o levantamento do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. São 1.330 mortes de ciclistas em acidentes de trânsito enquanto a soma dos outros modais citados é de 1.153 mortes. Os dados consideram o ano de 2018.

Mais de 4% do total de mortes por acidentes no trânsito brasileiro é de ciclistas. Considerando um recorte específico das mortes de pedestres, ciclistas e motociclistas, as motocicletas lideram com 61%, os pedestres vêm em segundo com 31,65% e os ciclistas vêm em seguida com 7,28% do total de mortes no recorte.

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Infogram

Para a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), porém, em 2018 o número de óbitos de ciclistas foi ainda maior que o levantado pelo Ministério da Saúde, 1.545 pessoas. Considerando os dados da última década, o Brasil perdeu mais de 8,5 mil ciclistas em acidentes de trânsito fatais. São Paulo, Paraná e Santa Catarina são os três estados que lideram os números, somando 35,9% das mortes totais.

Mobilidade Urbana

O número de bicicletas no Brasil é de cerca de 50 milhões, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), número maior que o de automóveis (41 milhões). Definir estratégias para integrar esse modal de forma segura ao cotidiano do trânsito brasileiro é uma das expectativas da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), lei federal nº 12.587/2012 estabeleceu que os municípios com mais de vinte mil habitantes deveriam implementar a através da criação de um plano municipal de mobilidade urbana, os chamados “PlanMobs”.

O prazo final para essa elaboração era 12 de abril de 2019. No entanto, em novembro de 2019, o governo federal estendeu, através da Medida Provisória nº 906, para abril de 2021 o prazo.

Ciclistas disputam espaço com vários outros veículos nas cidades brasileiras (Foto: Bruno Cidadão)

A PNMU é uma estratégia para concentrar esforços da União, Estados e Municípios para melhorar todo o sistema de mobilidade urbana, incluindo todos os modais de transporte e as vias destinadas a pedestres. O objetivo é que as cidades brasileiras passem por um processo de transformação dos espaços urbanos e do uso do solo, permitindo assim acompanhar a diversificação dos modais de transporte e a evolução demográfica nas cidades brasileiras.

Ciclismo ganhou as ruas durante a pandemia

O coronavírus afastou as pessoas de seus comuns círculos sociais, mas amplificou a criação de outros: é o caso dos grupos de ciclismo que cresceram junto com as vendas das bicicletas no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), até maio deste ano houve aumento de 50% nas vendas de bicicletas com valores entre R$ 800 e 3 mil reais, em comparação com o mesmo período em 2019.

A popularização das bicicletas durante o período da pandemia puxou o aumento nas vendas. Segundo a Aliança Bike, houve aumento também das vendas de bicicletas elétricas, que são bastante práticas para quem precisa se mover com mais rapidez e com menor gasto de energia pelos centros urbanos.

Mesmo com a pandemia, a venda de bicicletas subiu movimentando até mesmo crianças na prática do esporte (Foto: Bruno Cidadão)

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