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Prazer, Bruno, 24 anos

A quem está chegando, conto com você nessa caminhada. A quem já foi, perdão. A quem permaneceu, vocês estão gravados no meu coração.

Começo o dia de hoje com a certeza de que será menos um dia da minha existência passageira aqui na Terra. Consigo, inclusive, calcular que o dia de hoje será regado a alegrias muito marcantes com amigos, familiares e outras pessoas que gosto. Há muita gente no mundo que não gosta de comemorar aniversários, mas eu sou do clube dos que gostam de comemorar. Tive o prazer de nascer numa família que é bastante adepta de comemorações também. Ao completar 24 anos de idade, algumas considerações que faço são importantes para quem tá chegando agora ou quem está me conhecendo de novo.

24 anos de idade não significa maturidade emocional

Desde que completei 18 anos, desfrutei de momentos da vida que jamais havia desfrutado antes. E fiz constatações que jamais fiz antes. Uma delas, e talvez a principal por ser a que estou trabalhando atualmente, é a minha imaturidade emocional, ou talvez, a descompatibilidade da idade com a maturidade comum nesta idade.

O fato de ter queimado muitas etapas no passado me fez, hoje, precisar parar e viver algumas dessas etapas. O ritmo, claro, mais acelerado para algumas coisas, mas extremamente lento para outras. Escrever e falar sobre isso, para mim, é sinal de potencial maturidade. Acaba por ser um ato profético.

A quem está chegando, conto com você nessa caminhada. A quem já foi, perdão. A quem permaneceu, vocês estão gravados no meu coração.

Um Bruno além dos rótulos

Jornalista, comunicador, instrutor, voluntarista, blogueiro, ciclista, consultor, filho, irmão, primo… São tantos os rótulos que nem dá pra citar. Como vivemos em sociedade, os rótulos são comuns. Eles agregam e fazem ser possível uma vida em comunidade. Mas todos nós somos, além deles, humanos.

Reconhecer isso e tentar trabalhar isso em mim tem sido um desafio grande. Entender que por detrás dos papéis há uma pessoa. Eu não preciso ser o melhor namorado do mundo, mas preciso exercer o papel de namorado quando o sou. Eu não preciso ser o melhor comunicador do mundo, mas preciso exercer o papel que me é incumbido quando o sou.

Certa vez, enquanto visitava um amigo, ele me disse: “Bruno, você posta muitas coisas no status e não dá pra entender direito o que você faz, uma hora você posta uma aula, outra hora um canal do Youtube, outra hora uma atividade de marketing, outra hora uma coisa de igreja”. Naquele momento, desconversei e apenas assumi que é um pouco confuso mesmo. Se fosse hoje, eu o indagaria: “você também faz muita coisa, só não posta, não?”

Reconhecer que por detrás de qualquer pessoa há potencialidades é fundamental. Eu, por exemplo, conheço pessoas que têm dotes artísticos para pintura e música, mas têm trabalhos completamente distantes disso. E o fato de postarem pintura e música não faz com que sejam confusas, elas apenas são pessoas compartilhando do que sabem fazer. Quem só faz uma coisa na vida é robô, o humano é sempre mais dinâmico.

24 anos, algumas decisões

Por alguns anos, passei tempo demais focado em exercer projetos e atividades que não eram minhas. Parece estranho, mas construir esse site – isto é, tirá-lo do papel e da minha mente – levou exatos 2 meses. Enquanto que, semanas antes de começar a construir esse site, construí um site para uma outra pessoa em apenas um fim de semana. E anos antes, levei duas semanas para construir outro para uma pessoa, muito mais complexo que este meu que hoje é acessado por você.

Ter prazer e me empenhar em projetos pessoais foi uma tarefa difícil demais de começar, mas eu comecei. Enquanto 2019 foi um ano de abrir caminhos e possibilidades, 2020 foi o ano de afunilar as experiências e garantir que projetos viáveis pudessem ser executados. Passei a ser mais metódico com minhas metas e objetivos e, claramente, pude desfrutar de prazer ao ver algumas tarefas finalizadas. Ainda há muito sonho jogado na lixeira ou rascunhado na minha agenda. Considera-se por aí que tenho condições de montar a solução ótima de um problema em vinte e quatro horas, menos quando esse problema é meu. Aí geralmente posso demorar até anos.

Ao considerar a vida centrada em mim, por um tempo, passei a ter mais tempo para cuidar-me e, assim, estar pronto para ajudar outros em momentos mais críticos. E também me permitiu escolher melhor onde depositar minha energia. Não digo que aprendi lições inteiras, mas estou no caminho.

Eu, uma trilha a ser descoberta

Perceber que eu não me conhecia tão bem foi fundamental para começar a me descobrir. Nesse caminho, pude conhecer nuances de meus relacionamentos e a terapia foi fundamental para me deixar mais autônomo nesse processo.

Descobri porque tenho extrema dificuldade em me desapegar de relacionamentos amorosos não recíprocos – a ponto de paralisar a vida e o meu luto emocional demorar meses (o atual já dura mais de 5 meses, e o anterior foi praticamente um ano). Também descobri que o modo como funciono em relacionamentos amorosos não é o da maioria comum e não há nada de errado com isso nem me faz melhor que ninguém, apenas preciso escolher melhor as pessoas com quem me relaciono e ter maior autocuidado na hora de conhecer pessoas.

Também pude degustar, com muitas vezes mais intensidade, o prazer que tenho em fazer, realizar e transitar sozinho e poder desfrutar de boas companhias apenas quando me for conveniente. O fato de a solidão não me ser um empecilho para realizar os meus sonhos é, talvez, a maior descoberta que tive nesses últimos anos que vivi. Sempre participei de muitas coisas sozinho, às vezes me questionava o porquê meu caminho era solitário e até me vitimizava por isso, mas descobri que realmente gosto disso, não tenho problema com isso e precisa haver muita segurança, confiança e conexão em quem convido para fazer parte de momentos comigo. Quem me conhece mais de perto sabe que são escassos os meus convites a ir a algum lugar comigo, mas quando esse convite existe é porque há relevância. É mister que praticamente nunca meus convites são recusados, justamente por sua raridade.

E pegando essa última palavra, da raridade, quem me conhece de perto sabe que tenho uma capacidade muito grande de tornar momentos simples em momentos extremamente relevantes para mim a partir da narrativa que construo. Um fim de semana acampado numa chácara pode dar lugar a uma narrativa floreada, repleta de reflexões e conclusões, com conversas que se arrastam por dias. O que faz com que eu considere, e não me abstenha de classificar com ressalvas, os momentos únicos. “Nunca antes” e “primeira vez” são expressões muito comuns nos momentos que vivo e tenho graça nisso porque realmente gosto de viver experiências diferentes.

Nada de monotonia. Minha vida é movimento. Aquietar-se, porém, torna-se necessário de vez em quando. A monotonia, porém, não existe. Dificilmente eu tenho semanas iguais. Quem me acompanha de perto sabe que as coisas por aqui rolam com muita incerteza, flexibilidade, dinamismo e principalmente, aventuras! E, embora eu já tenha experimentado a monotonia por algum tempo, e tenha me sentido confortável nela, me chama a atenção hoje viver esse movimento. Acho que é tempo de experimentação, de abrir horizontes, de aproveitar a juventude com muito vigor.

Pra você que está chegando, prazer, Bruno, 24 anos de idade.

Pra você que foi embora, perdão.

Pra você que permaneceu, você será lembrado(a).

Morrer é ser esquecido: enquanto alguém lembrar de você, você continua vivo.

Mario Sergio Cortella

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