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A arte do segundo lugar – uma reflexão sobre “O Maior Idiota do Mundo”

Ao se perder aquilo que tanto se almejava, também é possível encontrar ensinamentos e um pouquinho de sorriso. Perder, nem sempre, é uma certeza de que você nunca mais irá ganhar. Perder pode ser apenas um jeito difícil de aprender a ganhar.

Não há quem não goste de ganhar. E não há quem queira perder sempre. A competição, ora estabelecida em nosso mundo factível, se estende à nossa mentalidade e tudo acaba sendo uma relação de ganhos e perdas. Nessa balança, há quem encontre arte na derrota. Ou pelo menos, faça arte com ela. Vem comigo nessa reflexão de uma música que, talvez, você não conheça ainda.

Quem me apresentou a Banda Tópaz foi um dos meus melhores amigos, pouco depois dele entrar na faculdade e descobrirmos que gostávamos da Banda Resgate. Sempre muito realista (naquela época, eu o considerava pessimista, mas na verdade eu que era otimista demais), aos 19 anos ele me mostrava uma canção que, segundo ele, era uma de suas preferidas da sua preferida banda de rock.

Até hoje essa canção continua nas minhas playlists. Aprendi a gostar dela, justamente, por sua letra, além é claro da indicação de uma pessoa que marcou um período da minha vida e continua nela até os dias de hoje, mesmo a quilômetros de distância. O realismo – que numa primeira leitura pode ser encarado como pessimismo – retratado na música é muito efetivo para nós que estamos construindo as nossas vidas, saindo da adolescência e entrando na vida adulta. É preciso aprender a ser derrotado algumas vezes e a fazer arte com isso, se possível.

“Ser especialista em nada” é uma das características mais fortes em nossos currículos quando estamos à busca de nosso primeiro ou segundo emprego. Aprendemos um bocado, fizemos vários cursos, mas o mundo nos parece tão grande e diverso que podemos ir por qualquer caminho. Entretanto, o mercado nos requer especialidades. E nós somos: em nada. Adquirir as especialidades vêm com estudo e, principalmente, trabalho. É a prática que nos torna especialistas. De resto, são pedaços caros de papel que condecoram especialistas por aí.

Deve ser ruim você se pegar analisando seu histórico e perceber que é uma constante na sua vida: “tudo que envolve falhar”. A questão em si é que precisamos ser um pouco mais sensíveis com nós mesmos. Não dá pra dizer que tudo é falha. Às vezes apenas não saiu como gostaríamos, mas não houve falha. Às vezes somos exigentes demais conosco, com os outros, com nossas ações e com nossas relações. E não dá pra manter esse nível alto porque somos humanos e a falha existirá, sim, ainda que nas condições que você sonhou serem ideais.

O que seria, no entanto, “a arte do segundo lugar”? Quando Tópaz compôs a frase, provavelmente estavam falando de algum integrante da banda ou talvez de todos. É interessante observar que no segundo lugar há, também, arte. E arte nos traz pelo menos alegria ou reflexão. Não há arte que traga dor.

Portanto, no segundo lugar, ao se perder aquilo que tanto se almejava, também é possível encontrar ensinamentos e um pouquinho de sorriso. Perder, nem sempre, é uma certeza de que você nunca mais irá ganhar. Perder pode ser apenas um jeito difícil de aprender a ganhar.

Em especial, na minha vida, a frustração e a derrota são instrumentos de aprendizado. Sou uma pessoa muito cabeça dura e acabo aprendendo do jeito mais difícil. Isso acaba se convertendo em um aprendizado tácito e, posteriormente, a depender da situação, escrito. Isso vira registro e pode ajudar a abreviar as dores de outras pessoas. Tenho buscado fazer arte com as vezes que cheguei em segundo lugar.

Há mais frases relevantes na música, mas creio que apenas o que já foi dito acima permitirá que você conheça mais da música. Fique com o clipe abaixo e delicie-se.

Clipe “O maior idiota do mundo” de Tópaz (Fonte: Youtube/Reprodução)

Capa: Pixabay/Reprodução

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