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Um minuto atrasado, uma oportunidade perdida

E a verdade é essa. Eu perdi um processo seletivo por causa de um minuto de atraso. E a culpa? Minha. Houveram tantos avisos quanto possíveis por parte da equipe que fazia a seleção. Meu atraso me custou essa oportunidade.

Eis que em alguma instituição nesse Brasil inteiro a hora é integralmente levada a sério. A pontualidade da unidade de gestão de pessoas de uma instituição a qual prestei processo seletivo e sua séria relação com a hora me fizeram aprender que, provavelmente, eu serei melhor se passar a ser mais pontual. E eu perdi uma oportunidade de emprego. Vem comigo nessa história.

Contexto

Pouco antes da pandemia ter status de pandemia fiz uma prova para atuar numa vaga de entrada em uma instituição inovadora e que respirava o empreendedorismo. Me senti com uma oportunidade nas mãos. Fiz a prova, fiquei em quinto colocado no número de acertos. Era uma colocação ótima que me colocaria dentre os favoritos à vaga caso eu evoluísse nas próximas etapas do processo seletivo.

Já tinha pedido demissão do meu emprego uma semana antes e fiquei mais calmo: eu nutria muitas expectativas, me considerava preparado para a vaga e suficiente em competências exigidas. Quando a pandemia veio, o processo foi suspenso sem data pra voltar. Passaram-se praticamente seis meses e o processo foi retomado.

Fui convocado para uma avaliação coletiva de habilidades, uma espécie de dinâmica e conversa com o setor de recursos humanos, coisa de empresa grande, que quer fazer o melhor tipo de seleção. Foram alguns desses processos na minha vida que me fizeram conhecer melhor o universo das seleções de pessoal e, posteriormente poder ensinar aos meus alunos de nível profissionalizante. Pois bem, estava tudo marcado e acertado. Eu deveria ter uma apresentação na ponta da língua e ainda poderia preparar um material para completar – assim o fiz, preparei um vídeo-GIF com dezenas de fotos mostrando minha trajetória de vida, acadêmica, profissional, etc.

Além disso tudo ainda tinha uma regra: o encontro virtual aconteceria às 8h00min, mas a sala estaria aberta a partir das 7h30min. No dia anterior, fui dormir praticamente 4h da manhã, bastante ansioso, mas confiante no processo.

A avaliação coletiva

O celular despertara às 7h, joguei um soneca para 7h20 e acordei de vez. Saltei do colchão e fui para o banheiro. Tomei um banho calmo. Sentei-me na cadeira à frente do computador, cliquei no botão de ligar, e simultaneamente, peguei meus fones de ouvido, pluguei no celular, abri o e-mail, cliquei no link da reunião e abri o aplicativo.

Começou a chamar, mas eu fui recusado. Chamei novamente, um minuto depois, e novamente, recusado. Um minuto adiante, chamei novamente e fui recusado.

Print do app Teams com chamada recusada

Às 8h03, preocupado, mandei mensagem para uma funcionária do local perguntando se havia algum problema com o link. Ela se prontificou a buscar informação.

Print da conversa do WhatsApp com o atendimento da funcionária

E quando ela trouxe a informação, eu desabei. Ainda num primeiro momento, não acreditei, pelo contrário, tive que buscar os logs de entrada no aplicativo e de rede para saber se eu realmente havia entrado um minuto atrasado.

E a verdade era essa mesma. Eu perdi um processo seletivo por causa de um minuto de atraso. E a culpa? Minha. Houveram tantos avisos quanto possíveis por parte da equipe que fazia a seleção: estava escrito no edital, estava escrito no formulário de confirmação, estava escrito no documento que preenchi dizendo que li tudo e que concordava com tudo, e alguns dias antes eu havia recebido um e-mail avisando tudo junto com o link. Meu atraso me custou essa oportunidade. E me levantou dúvidas sobre o quanto eu realmente estava preparado para a cultura da instituição.

Print do e-mail com a informação de que não era possível admitir a entrada após o horário

Mas bem além, me ensinou que há lutos emocionais que demoram meses e outros, dias. Enquanto passei dias chorando e alguns meses me arrastando, sem conseguir focar, estudar e trabalhar com o máximo de mim devido a um processo de luto emocional por uma paixão que não rolou conforme a expectativa e que também começou junto com esse processo seletivo, passei uma manhã inteira mal, chorei, fiquei em posição fetal, não consegui trabalhar, mas no fim da tarde eu já estava começando a fase de depressão e no dia seguinte, comecei a buscar a aceitação. De vez em quando, ainda vou pensar nesse dia marcante e nesse tal um minuto de atraso, mas sem mágoas.

Pelo contrário, eu estarei cada dia lembrando que uma das instituições privadas que mais respeito continua sendo inspiração por levar a sério as suas próprias regras, padrões e sua cultura. Assim como minha admiração pela instituição não começou esse ano, ela também não acaba com essa oportunidade perdida. Espero poder encontrar-me com esta organização novamente, em outro momento, seja como difusor do trabalho que fazem, seja em outra condição.

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