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Comportamento

O drama de viver em negação por muito tempo

É preciso tentar assumir o lugar do outro, isto é, retirar-se da equação e tentar ver-se e ver a situação a partir dos olhos do outro. Não se trata de suposição, se trata de inverter a percepção.

Muitos de nós temos dificuldade em aceitar o que está acontecendo, de fato, em nossas vidas. Prazer, eu sou um deles. Tenho constante facilidade em negar a realidade. Ainda pior: em estabelecer expectativas sobre o que, aos olhos alheios, sequer existe. Isso vai desde as coisas do coração até situações trabalhistas e jurídicas. É um drama.

Entretanto, há momento importante: o momento em que saímos da negação e começamos a entender o que, de fato, aconteceu. Quanto mais longe ficamos do problema, quanto mais o aceitamos, mais sintetizamos o que aconteceu. O que antes era complexo, agora é óbvio. As lentes, portanto, começam a ser limpas. E de longe, as expectativas se esvaem e dão lugar ao realismo absoluto.

Para sair do estado de negação é preciso tentar assumir o lugar do outro na situação em que se encontra. Foi assim, por exemplo, que consegui encontrar meus erros e diagnosticar o porquê de uma situação amorosa que eu lancei todas as minhas expectativas simplesmente não foi pra frente. Foi assim, por exemplo, que consegui entender o porquê o trabalho que eu tanto queria e estava qualificado para obtê-lo simplesmente não veio. É preciso tentar assumir o lugar do outro, isto é, retirar-se da equação e tentar ver-se e ver a situação a partir dos olhos do outro. Não se trata de suposição, se trata de inverter a percepção.

Quando alguém diz que não quer algo, tendemos a buscar respostas em cima disso. Mas o fato em si é que, apesar de ser legítimo que queiramos buscar respostas, isso não passa de uma prolongação da negação em nossas vidas. Se o ato de querer não existe, independe de porquê. Soberano é o outro. Portanto, é melhor aceitar.

Quando um recrutador diz que não irá te contratar, ainda que você busque os porquês, sugeridos ou ditos claramente, isso é apenas mais uma forma de delongar o estado negacionista em nossas mentes. Se o recrutador que é quem dá a palavra final disse “não”, seu esforço não é bem-vindo em reverter tal decisão nem tampouco em entendê-la.

Para eu, jornalista, apaixonado por informações e dados, é complexo demais viver sem algumas respostas. O que torna um drama. E que alimenta um estado de negação. Não há antídoto físico para isso. Apenas mental: terapia, ressignificação, descanso no seu Poder Superior.

Quanto mais tempo passamos em negação, menos tempo temos para viver. Melhor é assumir as dores da perda, da não consecução, da não realização, da ausência, do descalabroso sentimento de culpa. Assim, responsavelmente, se vive. Não para os outros, mas para si. Afinal, no fim de tudo, permanecer em negação é negar a nós mesmos aquilo que jamais conseguiremos negar diante do mais vultoso silêncio: quem somos.

Capa: Pixabay/reprodução

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