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Se cuida também, querido – ou um convite ao autocuidado masculino

O autocuidado masculino pode se estender até algo muito mais próximo do que as mulheres estão acostumadas a fazer e que acabou por virar um estigma de que só o feminino se cuida.

Novembro Azul está aí para nos relembrar dos cuidados quanto ao câncer de próstata. Nós, homens, tendemos a evitar os postos de saúde, os exames de rotina e as campanhas de vacinação. Assim, morremos mais rápido e, nessa imensidão desconhecida que é o nosso corpo, vamos vivendo uma vida capenga e cheia de pequenos problemas que, quando se manifestam, estão grandes demais para serem enfrentados.

Apesar de falar do Novembro Azul, quero me estender. O autocuidado masculino precisa ser evidenciado e relembrado diariamente. Medidas simples e práticas como se olhar no espelho, reparar uma verruga, uma ferida, um nódulo ou uma secreção podem ser salvadoras. Mas podemos ir além da prevenção de doenças.

O autocuidado masculino pode se estender até algo muito mais próximo do que as mulheres estão acostumadas a fazer e que acabou por virar um estigma de que só o feminino se cuida. Podemos ir à uma sessão de massagem, fazer nossas unhas numa manicure, fazer uma hidratação na pele, massagear nossos cabelos com milagrosos cremes amaciantes. Isso não nos faz menos homens e não desmerece as mulheres em suas práticas já comuns.

Sei que talvez você ache isso um pouco estranho e tenha medo do que vão pensar. Então, quero te contar algo: tive que fazer cinco cirurgias de retirada de unha encravada nos dois dedões do pé (três num pé e duas em outro) e, após as cirurgias, me foi recomendado procurar um profissional de podologia. Como o valor era alto, procurei uma manicure conhecida e perguntei à ela se ela já tinha lidado com a situação e se poderia me acompanhar.

Resultado: de 15 em 15 dias, eu estava no estúdio dela fazendo as unhas. Fui criticado por algumas pessoas, inicialmente. Certo da minha masculinidade e do bem danado que aquilo fazia para mim, não me preocupei mais. Na segunda vez eu já havia gostado tanto que nunca mais parei de ir, embora por um tempo (quase dois anos) tive que cortar minhas unhas em casa devido à uma fortíssima contenção de gastos. Voltei assim que possível. Além do corte das unhas, ela também passa base e faz massagem. De vez em quando peço que ela depile o dorso do pé. Venci o preconceito que eu mesmo tinha graças a uma questão de saúde. Minhas unhas nunca mais encravaram e meu preconceito também fora desencravado.

Garoto, menino, homem, se cuida também. Faz bem pra você!

Capa: Pixabay/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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