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Só sei que não é inveja nem negatividade

Por vezes, bate saudade das emoções que tive ao lado de várias pessoas. Mas consciente de que tomar decisões é meu único papel real enquanto humano, decido por me estabelecer no que vivo hoje. E, sendo ruim, bom, escasso ou farto, é o que tenho.

Há muito tempo quero conseguir escrever sobre uma frase que guardei por mais de dois anos no meu Telegram: “não é inveja, é vontade de estar junto”. Esse tempo todo passou e acresci uma vírgula e um outro período: “, mas é melhor como está”. Hoje o meu papo aqui é masculino, mas se você inverter os gêneros, poderá fazer leitura de igual qualidade. Prepare suas lágrimas se você for frouxo igual a mim. (risos)

Primeiro, essa leitura só se faz a partir do momento que você viveu algo bom com alguém e gostaria de estar com ela ao ver uma foto, um vídeo ou ouvir um relato dessa pessoa ou de outra contando um determinado evento.

Por muitas vezes, ao receber fotos de minha então namorada em algum lugar com sua família, eu desejei estar lá. A priori, ciúmes. É o que eu pensava. Mas descobri que era mais além. Não era ciúme ou insegurança, mas sim uma coisa inexplicável, mas que eu vou tentar traduzir como “vontade de estar junto”, algo como querer partilhar daquele momento, daquele pedaço específico de vida junto daquela pessoa.

Esse sentimento passou a ser observado em outros momentos, e até mesmo alheios à essa pessoa. Então comecei a observar que essa vontade de estar junto poderia se chamar inveja. Novamente, refutei tal argumento. Inveja é querer para si e não querer para o outro. Não fazia sentido para mim viver o momento bom que eu vislumbrava de forma que isto fizesse com que o outro não pudesse ter a mesma sensação que eu. Neste caso, a inveja caía por terra e dava lugar ao sentimento de partilha, de universal realização e prazer.

Porém, e agora, numa noite bastante quente de outubro, decido escrever este texto ampliando o que já vinha pensando há dois anos. Às vezes dá vontade de estar junto, dá vontade às vezes de substituir um ou mais componentes daquele ambiente por você mesmo, e de participar. Mas… É melhor reconsiderar que o melhor que aconteceu é, hoje, esse momento não ser mais seu. E aqui, o texto parece ficar muito nebuloso, por isso trato de exemplificar abaixo.

Sou amador no trato com o feminino. Desde a minha mãe até minhas profundas paixões, as minhas relações foram sempre extremamente conturbadas. Separando o bloco de duas paixões, sendo a primeira que foi convertida em namoro e a segunda que não chegou a isso, posso confirmar que fui pego por certa coincidência. Hoje eu rio, mesmo com uma lágrima no olho esquerdo, ao ver que, em meses exatamente iguais, distantes em 600 Km e num ciclo interpessoal completamente distante e distinto, as duas pessoas que amei por último na minha vida hoje namoram pessoas com o mesmo nome.

Vez ou outra, alguma pessoa faz aquela difícil pergunta: “e fulana, como vai?”. Daí eu tenho que explicar. Outras vezes, alguém vem tecer algum comentário. E por terceiros ou mesmo por interesse próprio – no meu caso, por ambos – a gente acaba sabendo detalhes de como anda a vida daquelas que um dia passaram por nossas vidas e, naquele período finito de tempo, foram as pessoas mais importantes delas.

É bom saber, por exemplo, que uma pessoa se sente amada. É bom saber que as declarações dela nas mídias sociais são cada vez mais apaixonadas. Dá vontade de ser o alvo destas manifestações. Entretanto, retomando a vírgula e o período mencionado no início do texto: “, mas é melhor como está”. Cada um para o seu canto, cada um se reconstruindo na sua velocidade, com as suas ferramentas e condições.

Eu sou bastante lento e lerdo em retomadas. A minha celeridade na queda é inversamente proporcional à velocidade de retomada. Vivo muito tempo em negação e isso é um drama. Esse tem sido o meu jeito de funcionar frente às dramáticas e intempestivas situações da vida em comunidade.

Por vezes, bate saudade das emoções que tive ao lado de várias pessoas. Mas consciente de que tomar decisões é meu único papel real enquanto humano, decido por me estabelecer no que vivo hoje. E, sendo ruim, bom, escasso ou farto, é o que tenho.

Que nossos corações decidam sempre pelo melhor, mesmo que o melhor seja seguir distante. E que nunca a negatividade, a inveja ou o ciúme dominem ou encontrem espaço em nossos corações.

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Foto de Capa: Pixabay/Reprodução

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