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Comportamento

É sobre relevância e importância

O sucesso vem, na minha visão, pela continuidade, pela formação de pessoas que deem continuidade àquela filosofia de existir, de fazer e de ser. Porque no fim, a vida é sobre relevância e importância e nada mais que isso.

Aos 24 anos de idade, o tão esperado sucesso não chegou na forma como tinha sido desenhado. Ao caminho de um quarto de século, mais de metade da vida “útil” do corpo humano, cheguei até aqui endividado, sem um diploma de curso superior, sem um carro, sem uma casa, sem um namoro ou casamento, sem um filho, sem dinheiro investido, sem o smartphone da última geração, sem um concurso público efetivo, sem um emprego CLT, sem uma empresa com alto faturamento, sem viagens de férias (sem férias também), sem o sucesso que costuma ser pintado de forma tão sublime por aí.

Entretanto, aos 24 anos de idade, meu nome está escrito na vida de algumas pessoas, nos anais de alguns eventos científicos, no rodapé de algumas matérias jornalísticas, nos registros funcionais de algumas entidades dos três setores, neste domínio virtual que abriga esse blogue. Eu nunca fui de observar muito essa questão da relevância, mas nesse 2020 que foi um ano atípico encontrei relevância nesta vida finita que levo e graças ao acompanhamento terapêutico, tive oportunidade de desenvolver uma autoestima mais balizada em quem realmente sou.

Eu sou o tipo de pessoa que vai na sua colação de grau e se diverte nela. Eu também sou o tipo de pessoa que você vai apresentar seu carro novo e eu vou te dizer: é melhor você não deixar eu dirigir porque eu já capotei um carro e vai que né? E por fim, sou o tipo de pessoa que pode aparecer numa terça-feira cinzenta, e se você me chamar para almoçar por educação, eu vou aceitar se eu estiver com fome e se você oferecer, também por educação, uma rede para a sesta, eu vou sorrir, pilhar e dormir sem precedentes nela.

O que quero dizer é que geralmente costumo viver o máximo dos momentos legais com pessoas legais que gosto. Também tenho aprendido a praticar a lei dos dois pés: se num lugar eu não aprendo, não tenho prazer ou não posso contribuir, posso pegar os meus dois pés e ir embora sem criar nenhum atrito. Porque pra mim vale mais a relevância do que a presença. Eu prefiro estar virtualmente num lugar aonde participo ativamente do que presencialmente num lugar que não posso somar nem ser somado.

Eu não sou uma pessoa muito agradável de se ter todos os dias por perto. Tenho largas variações de humor, as quais me permitem, num mesmo dia amanhecer querendo quebrar tudo e xingar até a formiga que sobe pela parede, estar gargalhando desmedidamente no almoço e terminar a tarde chorando numa ligação ou num abraço. Soma-se a isso crises de ansiedade, um pouquinho de traumas que vêm sendo enfrentados, uma capacidade incrível de procrastinar e dificuldade em dizer “não” e em priorizar o que é importante.

O que, no entanto, nem sempre digo é que tem gente, e não é pouca gente, que consegue extrair o melhor de mim. Eu preciso, necessito de coordenação, liderança. Prefiro quando esta é feita por uma mulher. Não obstante, até o momento, os trabalhos em que vivi mais de 6 meses foram todos administrados por mulheres. Mas estou sempre aberto a receber orientações. Se procedo com elas, aí é outra história e isto faz parte da minha personalidade.

Se por um lado tenho defeitos e esses defeitos caracterizam também a minha importância para os meios em que estou inserido, há também algumas qualidades. Para estas, prefiro que outros falem. Acho bonita a lente do outro sobre mim. E como percebo que tenho essas qualidades? Pelos resultados.

Algumas vezes eu duvidava do que eu fazia. Mas eu fui me tornando cada dia mais observador sobre esses resultados e comecei a perceber, por exemplo, que a minha presença geralmente processava algumas alterações simples, mas que imprimiam o meu jeito de ser e de viver. E consequentemente isso trazia uma nova experimentação, algumas permaneciam, outras não, como é comum da vida em sociedade.

Prefiro mil vezes trabalhar um semestre inteiro para trabalhar uma equipe e formar um grupo forte e capaz de ser autônomo quanto à solução de problemas do que ir lá num único dia e resolver isso. Mas nem sempre eu consigo essa proeza de formar gente – por vários motivos, inclusive um pouco de procrastinação da minha parte. Por isso, algumas vezes, a intervenção pessoal parece ser tão relevante. E apesar de parecer bom, é um sinal ruim.

É bom ser relevante e resolver problemas, sim, porém tornar isso corriqueiro é um risco. É uma defasagem. O sucesso, outrora chamado acima, vem, na minha visão, pela continuidade, pela formação de pessoas que deem continuidade àquela filosofia de existir, de fazer e de ser. Porque no fim, a vida é sobre relevância e importância e nada mais que isso.

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Foto de capa: Pixabay/Reprodução

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