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Não dar pérolas aos porcos é autocuidado

Hoje entendo que tomar essa precaução de escolher bem onde semear é autocuidado.

O papel dos relacionamentos amorosos na minha vida é muito importante. Há inúmeros aprendizados para a vida inteira que tirei deles. E hoje quero conversar um pouco sobre essa frase bíblica que já foi dita a mim por três vezes e eu não escutei – obviamente, me ferrei. E hoje, entendo que tomar essa precaução de escolher bem onde semear é autocuidado.

Eu, definitivamente, não consigo me relacionar com alguém com quem eu não encontre uma conexão afetiva e emocional antes da conexão física. Gostos, formas de agir, trejeitos, defeitos e, principalmente, o modelo mental é que são os principais elementos decisores da minha paixão. Depois desse encanto com isso, vem o encanto com o corpo. Para a maioria das pessoas heterossexuais, o encanto com o corpo vem primeiro. Talvez seja por isso que nunca beijei uma garota num primeiro encontro. E nunca tive relação amorosa com ninguém que, antes, não fosse uma das minhas amizades mais profundas.

Feitas as apresentações desse modo demissexual de se relacionar, agora é hora de introduzir a frase “não dê pérolas aos porcos”. Por causa dessa minha característica que mostra dificuldades para se relacionar, não sou do tipo que consegue manter contato com várias pessoas ao mesmo tempo. E depois de ter passado por um luto emocional pelo término de um longo namoro, aí que me tornei mais seco e sem contatos ainda. Mas a vida me apresentou uma pessoa muito especial no início deste ano. Tivemos uma conexão muito boa. A meu ver, era tudo muito perfeito, até os defeitos que nós dois tínhamos e os caminhos necessários para tratá-los. Porém, precisei deixar claro para essa pessoa que estava focado nela. Era uma pérola que, no terreno que estava sendo lançada, não ia ser aproveitada. Ela já havia me deixado claro que não buscava nada além de amizade comigo. Ainda assim, continuei lançando algumas pérolas guardadas.

Lembro-me de uma semana em que essa pessoa começou a trabalhar e mandei uma mensagem pra ela ao fim do dia, um minuto antes dela sair do expediente. Fiquei sem resposta. Insistente, procurei ela duas horas e meia depois, em casa. Ela se reclamava cansada e eu levava um agrado pra ela. Achava eu estar lançando uma pérola frutífera, mas… Não. Esqueci-me que o terreno não era propício e, mais uma vez, estava jogando pérolas aos porcos. Ela era e ainda continua sendo a mesma pessoa, excelente e boa, e o fato de não me querer não faz dela alguém ruim. Mas diz muito sobre essa minha atitude de fazer investimentos multiplicando cem por zero – sabendo que todo resultado de multiplicações por zero é zero.

Mas ao cair na real de tudo isso, pude relembrar outros dois momentos em que lancei pérolas aos porcos. Na primeira, eu era adolescente e me tornei serviçal de alguém que não correspondia aos meus sentimentos. Na segunda, tendo feito besteira antes, passei a ser condenado por tal e a ser tratado como segunda opção, mesmo tendo tomado as decisões corretas.

No fim, ou seja, até agora, depois de quebrar um pouco a cara passei a não me deleitar em conversas que, embora magníficas e que durassem uma noite, não teriam o mesmo ímpeto no dia e na semana seguinte. Para alguns equilibradores de pratos deve ser fácil manter contato com várias pessoas e saber dividir essa atenção necessária à conversa com outrem. Mas eu, realmente, não sei fazer isso.

Portanto, não tenho dúvidas de que, em algum momento, uma pérola vai ser lançada num terreno em que possa se transformar num belo adorno de um amor. E que eu seja alcançado por pérolas. E que eu não seja um porco. Amém.

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