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“Tens limões nas mãos”, o que fará com eles?

Eu tenho vários limões nas mãos, em especial, quando trato de questões mais íntimas, de papéis sociais cujo sou um fracasso total ou parcial. Estou lidando aos poucos com eles. E pergunto pra ti, o que fará com os seus?

Limão é uma fruta interessante. Serve para sucos, principalmente, mas também permite que seja um “tempero”. É comum que quando as situações ruins da nossa vida começam a se acumular, a gente se sinta com um monte de limões nos braços. Costumamos querer fazer uma limonada deles, aquela suíça, com água tônica de quinino, feita no liquidificador, com um canudo no copo longo e degustada sob o sol forte de uma praia no litoral brasileiro. Entretanto, não há só esse caminho. E é aqui que vamos concentrar nossa conversa.

Dá para chupar os limões. A ingestão direta do limão também traz benefícios. Apesar de ser desconcertante, às vezes até desconfortável. Mas chupar os limões é como enfrentar, de cara, os principais resultados das situações ruins que vivemos. Chupar os limões é fazer o que precisa ser feito, na hora que precisa ser feita. É cancelar, perder, fazer-se menor mesmo com dor, para que se possa construir o novo. Chupar os limões é dar de cara com o escancaro do desemprego, da falta, da ausência de regalias, com a ausência de alguém, com a limitação própria, é dar de cara com o não.

Dá para usar o limão no refrigerante de cola ou na salada e torná-los mais gostosos. Essa fruta tão versátil serve como tempero. E isso é uma característica bem interessante. Uma carne com um pouquinho de limão fica deliciosa, uma alface sem limão não é a mesma coisa e o refrigerante de cola com limão e gelo ganha um quê a mais de gosto. Usar o limão como complemento é torná-lo útil e potencializar o que já existe. É fazer do que você já faz algo extraordinário. É pegar o que você é bom, investir em melhoria, dedicar-se mais e tornar-se uma autoridade, um especialista. É fazer com que aquilo de ruim que você está vivendo se torne um motivo para você assumir seu lugar no mundo, ajudar outras pessoas e quando o improrrogável se anunciar, você possa dizer: manda ver que eu dou conta.

E dá pra fazer uma limonada. Fazer a limonada tem ares de “dar a volta por cima”, mas eu não curto muito essa ideia. Eu curto mais a ideia de “voltar à superfície”. Porque o que acontece quando situações ruins acontecem em nossa vida é que vamos afundando, afundando, até que chegamos ao fundo do poço. E do fundo, ninguém passa. E como diria a Banda Tópaz, “tudo que chega no fundo do poço, inevitavelmente melhora”. E melhora para voltar à superfície. Para viver no lugar que a maioria está. Fazer uma limonada tem a ver com se reposicionar, com reconquistar direitos, lugares e capacidade de escolha. A limonada vem com gosto de conquista, de ganho, de vitória, embora isso não signifique em momento algum permissão para arrogância.

Eu tenho vários limões nas mãos, em especial, quando trato de questões mais íntimas, de papéis sociais cujo sou um fracasso total ou parcial. Estou lidando aos poucos com eles. E pergunto pra ti, o que fará com os seus?

Capa: Pixabay.com/Reprodução

2 respostas em ““Tens limões nas mãos”, o que fará com eles?”

Eu tenho aprendido de uma maneira meio tardia que preciso de alguma forma usar meus limões .seja em uma limonada .seja na salada ou ate mesmo chupa-los

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