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Uma boa conversa na calçada – e o fato de que quem quer te procura

Tem dias que a gente acorda, começa os nossos afazeres e, por algum raio de felicidade e sorte, nos aparece alguém e diz: “vim te visitar, você está ocupado(a)?”. E quando eu chegar em você, só quero um papo de calçada. Não precisa me chamar pra entrar, não precisa se maquiar, não precisa fazer café nem tampouco comprar um bolo. Só quero te ver, conversar com você e satisfazer essa necessidade humana de relacionar-me com o outro.

Hoje está cada vez mais difícil ficarmos na calçada de casa ou de nossos apartamentos conversando com quem quer que seja. O medo das infecções, o medo da criminalidade, a ausência de quem tope bater um papo na calçada. Aquela conversa de que quem quer, te procura, é verdade.

Tem dias que a gente acorda, começa os nossos afazeres e, por algum raio de felicidade e sorte, nos aparece alguém e diz: “vim te visitar, você está ocupado(a)?”. A menos que algo absurdo esteja acontecendo, sempre encontramos tempo para receber aquela visita inesperada. Visita boa é aquela que vem por causa de você, por causa de uma boa conversa. Mas é também aquela que vem com outras intenções, com um pedido de ajuda ou com um compartilhamento de uma conquista.

Me lembro que na minha adolescência tive inúmeras conversas de calçadas com meus então amigos e colegas. Muitos não permanecem sequer mais como colegas porque desenvolveram suas vidas e elas os levaram por caminhos distantes dos meus. Hoje é bem mais difícil bater um papo na calçada de casa. Mas de vez em quando acontece.

As pessoas cujo desenvolvemos uma relação suficientemente boa para aceitarmos que elas nos interrompam com uma visita inesperada sabem exatamente aonde moramos. Por isso, se seu amigo diz que não te visita porque não está com tempo, ele está falando a verdade. Mas o que ele não diz é que desse tempo dele super ocupado, não o interessa investi-lo em você.

A mesma coisa vale para nós. Não posso me gabar, em momento algum, de ser um amigo atencioso. Também caio na mesma de falar muitas vezes que estou sem tempo. Mas se eu sei aonde moram meus amigos, por que não visitá-los, ainda que só para dar um “oi”, um abraço e ir embora? Porque talvez o relacionamento nutrido não seja tão relevante a esse ponto nesse momento da minha vida.

Conseguir compreender que as coisas não funcionam como em testes A/B nas relações humanas é um primeiro passo para a convivência agraciada. Quero ter a oportunidade de bater um papo de calçada, por longas horas, com as pessoas que gosto. Mas ora, não seria melhor eu mesmo buscar tornar essa oportunidade uma realidade?

Então, não se assuste se um dia desses, sem avisar, eu bater na sua porta. Eu sei em qual lugar da cidade você mora. Eu sei que você vai estar lá. E quando eu chegar em você, só quero um papo de calçada. Não precisa me chamar pra entrar, não precisa se maquiar, não precisa fazer café nem tampouco comprar um bolo. Só quero te ver, conversar com você e satisfazer essa necessidade humana de relacionar-me com o outro.

Fique com a canção “Naquela Rua”, de Marcela Taís:

Foto: Pixabay.com/Reprodução

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