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O tempo de viver aventuras passageiras

Hoje, um pouco mais velho e consciente de tudo isso, percebo que falhei ao queimar etapas na adolescência. E chego a outra dura constatação: o tempo perdido não volta, mas há como aproveitar o que se tem no hoje e acelerar processos não vividos, bastando vivê-los com a consciência do hoje.

Depois que a adolescência passa, quem a viveu bem, consegue ter uma vida normal e assumir compromissos mais longos e pertinentes à vida adulta. Quem queimou ou precisou queimar etapas acaba por ter que viver algumas aventuras meio fora de hora. É sobre isso que quero que você pense.

Acho que todo mundo quer ter a oportunidade de viver aventuras meio loucas. Quem nunca viveu, quer viver. Quem já viveu, sempre fala: cuidado. Isso acontece em todas as áreas da vida. A gente acaba tendo um gosto pelas emoções que nos causam arrepios: medo, insegurança, enfim, o frio na barriga.

Lembro de uma das minhas conversas com minha psicóloga em que eu manifestei o desejo de viver um romance e que sentia muita falta disso (havia mais de um ano que eu havia tido meu namoro, o primeiro e único, encerrado) e ela me dizia: viva, mas com a consciência que tem hoje e não com a consciência da adolescência. Isso foi importante. Eu soube me jogar de cabeça no meu próximo romance, ainda que tivesse sido irrecíproco. Vivi todas as emoções (inclusive as piores) com a certeza de que precisava vivê-las. Me faltara isso na adolescência, afinal meu primeiro beijo foi com minha então primeira namorada, relacionamento esse que desde a paquera até o término final – dentre tantos – foi de praticamente quatro anos.

Mas não é só nos relacionamentos que as aventuras são bem-vindas. Me ocorre de lembrar que na minha adolescência, ainda que eu tivesse bicicleta, não tive oportunidade de fazer nenhuma cicloviagem nem tampouco trilhas. Foi no auge da minha juventude, aos 23 anos, que fiz as minhas duas primeiras cicloviagens, sendo 500 Km rodados de bike, somadas. A última dessas foi sozinho, enfrentando uma rodovia movimentada e com acostamento pouco generoso. Foram emoções e sensações ausentes na adolescência que agora se manifestavam presentes.

Hoje, um pouco mais velho e consciente de tudo isso, percebo que falhei ao queimar etapas na adolescência. E chego a outra dura constatação: o tempo perdido não volta, mas há como aproveitar o que se tem no hoje e acelerar processos não vividos, bastando vivê-los com a consciência do hoje.

Tenho certeza, entretanto, que mais velho poderei compartilhar de experiências incríveis e de mostrar aos que estiverem a me ouvir que, por mais que um diploma, uma carreira e uma conquista financeira ou física seja importante, há emoções que necessitam ser vividas em seu tempo. Ressignificar o que passou, viver o não vivido e deixar o passado no passado são imperativos.

Que você viva suas aventuras.

Capa: Pixabay.com/Reprodução

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