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Movimento de escolas particulares acende debate sobre a volta às aulas presenciais em Unaí-MG

As apurações da reportagem foram realizadas ouvindo pais, profissionais de diversas áreas, além do levantamento de dados sobre o coronavírus em Unaí-MG. Conversamos também com representantes do movimento pela volta às aulas na cidade.

Um grupo de escolas particulares do município de Unaí-MG mobilizou pais, crianças, adolescentes, vereadores e outras autoridades para defender a volta às aulas presenciais na rede particular de ensino. Com a manifestação em forma de carreata marcada para sexta-feira (15), diversas vozes comentam o assunto com várias opiniões a respeito do assunto.

A produção que se segue é um apanhando geral do assunto, mostrando que o movimento unaiense se parece com vários outros movimentos espalhados pelo Brasil. As apurações da reportagem foram realizadas ouvindo pais, profissionais de diversas áreas, além do levantamento de dados sobre o coronavírus em Unaí-MG. Foram ouvidos também representantes do movimento pela volta às aulas na cidade.

As implicações do ensino remoto para professores, alunos e pais

Diante da necessidade do ensino remoto nas redes particular e pública de ensino, alunos e professores precisaram mudar completamente suas rotinas para dar continuidade à formação. De acordo com a professora Sara Branquinho, professora há 23 anos e atuando com ensino infantil e anos iniciais do fundamental, ouvida pela reportagem, a ausência de treinamento para uso das ferramentas digitais e a dificuldade em conseguir a adesão dos alunos à rotina de estudos à frente das telas foram as principais dificuldades.

“Acredito que pra maioria dos professores tenha sido desafiador ministrar, de uma hora pra outra, aulas online, mesmo porque, não nos foi ofertado treinamentos para usarmos ferramentas digitais e no início tudo foi feito à grosso modo. Outro desafio foi conseguir, no início do ensino remoto, a adesão dos alunos na realização das atividades e manter a parceria dos pais, que foi fundamental para nos ajudar na realização do nosso trabalho, principalmente com os alunos do Ensino Infantil e do Ensino Fundamental l dos Anos Iniciais. O nosso esforço foi constante, ofertando vídeos explicativos, envio de atividades complementares, realização projetos, incentivos a leitura e atendimento individual via WhatsApp. Tudo isso para que a aprendizagem acontecesse e para que os alunos não ficassem prejudicados”.

Sara Branquinho, professora no ensino infantil e fundamental

Estudantes das redes pública e privada ouvidos pela reportagem relataram insegurança para retorno às aulas presenciais, mas também uma sensação de que não estão aprendendo no ensino remoto da mesma forma que seria no ensino presencial. Alguns temem que o retorno das aulas presenciais poderão causar um aumento do número de casos devido à dificuldade de manter um real distanciamento e o uso contínuo da máscara nos ambientes de sala de aula.

Ainda segundo estudantes da rede estadual de ensino, houve dificuldade em seguir os Planos de Estudos Tutorados (PETs) porque a linguagem utilizada nas atividades era diferente da que os professores costumeiramente usavam em sala de aula, além da dificuldade em fazer uso das ferramentas de mediação do ensino remoto. Todavia, tanto para alunos da rede pública como privada que a reportagem conversou, o contato com colegas e professores faz falta.

De acordo com o doutor em Psicologia e pai de crianças em idade escolar, Arthur Henrique Pereira, a interação, mesmo que sem contato físico, é fundamental para o desenvolvimento psicomotor das crianças e adolescentes. “Nós observamos que as nossas crianças têm tido um atraso no desenvolvimento, inicialmente um atraso psicomotor porque não tendo atividades direcionadas para a questão motora, a criança começa a perder um pouco de equilíbrio, lateralidade e noção espacial, e isso são pré-requisitos para o aprendizado concreto e abstrato que seria o prolongamento para seu desenvolvimento cognitivo, que está ligado às questões de linguagem, memória, aprendizado, coisas que a criança em seu cotidiano escolar desenvolve não só com as tarefas escolares, mas com o direcionamento que o professor dá e muitas vezes os pais não conseguem sanar em casa”, explica.

A médica Juliana Mendes, mãe de duas crianças em idade escolar, conta que a expectativa quando houve o fechamento das escolas era de que houvesse retorno rápido das aulas, mas que conforme a pandemia foi se alastrando e o ensino remoto não se mostrou eficiente para seus filhos, ela precisou até desmatricular o mais novo. “As aulas remotas, no meu caso não tiveram qualquer proveito pois tenho uma criança de oito anos com TEA [Transtorno do Espectro Autista] e fiz uma tentativa de duas semanas de acompanhamento por aula remota, mas era pior ainda porque criava uma ansiedade muito grande na criança. O meu [filho] de quatro anos eu tirei da escola, não tinha outra maneira porque eu não via nenhuma viabilidade no ensino a distância nessa idade e o de oito anos eu tive um problema neste sentido porque além de toda a dificuldade (…) para uma criança com TEA é muito maior, graças a Deus pude contar com a escola que me deu suporte, mas que no geral, em relação a aula remota, não houve [aproveitamento] para ele”, explica a mãe.

“Tanto o mais velho quanto o mais novo a gente percebeu um grau de ansiedade, irritabilidade, de inquietação muito grande”, conta Juliana Mendes quando questionada se houve alterações de comportamento de seus filhos durante o isolamento social. De acordo com a mãe, para enfrentar isso foi necessário “sentar junto, interagir, fazer alguns passeios, pedimos orientação a especialistas e à escola para nos ajudar com alguns comportamentos, tudo para tentarmos minimizar o dano causado”. “Eu não tenho medo nenhum; com toda informação que a gente já tem disponível já é possível fazer isso [retornar às aulas] com segurança”, declara Mendes.

A segurança dos professores

Sara Branquinho, professora, conta que sente que o trabalho remoto não é reconhecido pela sociedade, mas que não deixa de atender os alunos e pais. Para ela, “está muito desgastante, nossa carga horária está triplicada, por mais que tenhamos estabelecido horários de atendimento, esse sempre é ultrapassado; eu mesma, não tenho coragem de deixar de atender um aluno ou pai fora do horário, pois sei que o aluno só tem acesso ao celular, no caso dos pais, quando os pais chegam do trabalho”.

Mesmo assim, ela enxerga risco de contaminação com o retorno às aulas. “Sabemos que caso as crianças se contaminem, os sintomas podem ser leves ou até imperceptíveis, mas elas são “carreadoras”, levando e trazendo esse vírus e isso muito me incomoda”, reforça.

Arthur Henrique Pereira falou com a reportagem em nome dos professores que apoiam o movimento das escolas particulares pela volta às aulas. “Uma criança isolada do convívio social não podendo brincar e compartilhar algumas coisas tem um atraso muito grande no seu desenvolvimento emocional ficando uma criança cada vez mais arredia, isolada do seu contexto, isso pode gerar raiva, angústia e desenvolver alguns transtornos infantis de cunho mental como depressão, ansiedade, etc.”, pontua o psicólogo e professor universitário.

Pereira foi questionado se não haveria um cenário de risco para os professores (ainda sem previsão de acesso à vacina) e, no caso de retorno às aulas presenciais, em contato com um grupo que tende a ser assintomático ou manifestar poucos sinais. “Eu não posso falar em nome de todos os professores porque cada professor tem uma vivência diferente do outro”, pontua. Para ele, se trata de um dilema a volta às aulas: “ou a gente permite o desenvolvimento da criança de forma mais plena ou a gente dificulta o desenvolvimento dela, (…) porém cada professor se sente com a responsabilidade diante dos seus alunos e diante da sua própria saúde”.

Mesmo com o cenário de insegurança para o retorno às aulas, Arthur Henrique Pereira considera que os professores de escolas particulares terão mais suporte de infraestrutura que os das escolas públicas e, por isso, o dilema da volta às aulas precisa ser tratado com cautela, com a sugestão de modelos inicialmente híbridos que não aprofundem a desigualdade educacional e permitam que todos voltem em segurança.

“Cada professor vai enxergar [o dilema da volta às aulas presenciais] dentro do seu âmbito de trabalho: aquele professor da escola privada vai se sentir mais confiante pra lecionar e chamar esse aluno de volta à escola porque ele consegue ter aulas com turmas reduzidas, consegue ter um maior suporte tecnológico, mais acessibilidade a EPIs e, já ao contrário, os professores das escolas públicas têm mais essa carência e sentem mais dificuldade para sentir segurança no ambiente de trabalho e com os seus alunos”.

Arthur Henrique Pereira, representante dos professores que apoiam o movimento pela volta às aulas em Unaí-MG

O que diz a Sociedade Brasileira de Pediatria

Em 25 de setembro de 2020, quando o Brasil somava 4.717.99 casos confirmados e mais de 141 mil mortes devido ao coronavírus, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou um documento intitulado “Reflexões da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o retorno às aulas durante a pandemia de Covid-19” que defendia, diante do cenário que se desenhava nos próximos meses, uma possível volta às aulas desde que avaliadas as condições individuais de cada município.

O documento orienta a criação de comissões multissetoriais e a tomada de decisão baseada em dados sobre a infraestrutura das escolas e do sistema de saúde.

“Os especialistas em crianças e adolescentes consideram que determinar o momento ideal para a volta às aulas deve ser responsabilidade das autoridades, incluindo o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, secretarias estaduais e municipais de educação e de saúde, além de especialistas da área médica e pesquisadores. As decisões devem ser baseadas nas condições epidemiológicas locais, com identificação de baixa transmissão do vírus na comunidade, condições adequadas nas escolas para implementação efetiva das medidas de mitigação de transmissão, além de considerar aspectos de infraestrutura na rede assistencial da saúde, como disponibilidade de leitos de internação e de UTI.

Páginas 4 e 5 do documento “Reflexões da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o retorno às aulas durante a pandemia de Covid-19

A SBP orienta ainda que as decisões devam ser tomadas buscando modelos híbridos, que considerem um retorno gradual e o respeito à impossibilidade ou indisposição de quem não deseja voltar às atividades presenciais enquanto não houver imunização segura, como é esperado a partir da vacinação que deverá começar no Brasil por volta de janeiro de 2021. A SBP endossou recentemente uma nota de apoio ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) que sofreu críticas por setores da sociedade após o presidente da República declarar que não se vacinaria contra o Covid-19.

Faixas espalhadas pela cidade de Unaí-MG usam o posicionamento da SBP para endossar o movimento pela volta às aulas (Foto: Bruno Cidadão)

Apesar do aumento de casos e da detecção de novas variantes do coronavírus no Brasil, a SBP e suas entidades estaduais afiliadas continuam endossando o retorno à volta às aulas com as medidas técnicas indicadas para evitar a transmissão do vírus.

Movimentos nacionais pela volta às aulas

Volta ou não volta? Movimentos diversos criados isoladamente ou em rede têm sido vistos desde o segundo semestre de 2020, uns defendendo, outros contra a volta às aulas presenciais, tanto nas redes particulares quanto públicas de ensino.

Em 25 de novembro de 2020, 400 pediatras assinaram uma carta pedindo a volta às aulas como parte de uma iniciativa que reunia entidades de saúde e de ensino. Em 21 de dezembro de 2020, no podcast O Assunto, vinculado ao portal de notícias G1, foi a vez do presidente do Departamento de Imunizações da SBP, Renato Kfouri, defender a volta às aulas. Participou também do programa Priscila Cruz, presidente do movimento Todos pela Educação, que defende o regresso dos estudantes com critérios de vulnerabilidade socioeconômica ou demográfica inclusive. Cruz defende que alunos com dificuldades de acesso à internet possam ser os primeiros beneficiados pelas atividades presenciais.

De acordo com um levantamento da BBC Brasil, a mobilização em nível nacional pela reabertura das escolas tem início na plataforma organizada pelos pediatras da carta mencionada acima, identificados pelo movimento Ciência pela Escola, e passam a influenciar outros movimentos que usam embasamento científico para defender o retorno às aulas.

Com um perfil no Instagram, a mobilização de várias escolas, de profissionais ligados ao ensino e à saúde, o endosso ao posicionamento da Sociedade Brasileira de Pediatria e replicando manchetes jornalísticas sobre o retorno às aulas em cidades do Brasil e do mundo. Foi assim que vários movimentos pela volta às aulas presenciais se desenvolveram em várias cidades mineiras, como Uberlândia, Montes Claros e Unaí.

22 cidades de 11 estados brasileiros se mobilizaram em rede, através do movimento Apoie Sua Escola, para promover uma carreata nacional pela volta às aulas presenciais em 2021. O movimento conta com uma produção organizada, disponibilizando artes gráficas para que adeptos possam postar em mídias sociais.

Foto: Tela do evento organizado no Facebook (Reprodução/Facebook)

Muitos estados estão começando a dialogar com esses movimentos e criando condições para que possam ser retomadas às aulas. No Espírito Santo, por exemplo, movimentos já requereram participação em comissões que estão discutindo o retorno às aulas. Em Belo Horizonte, a pressão sob o prefeito Alexandre Kalil já tem data: 16 de janeiro. O movimento busca a reabertura das escolas a partir da pressão por um decreto de flexibilização das regras na cidade.

A volta às aulas em Minas Gerais

Embora sem a previsão de aulas presenciais, o Governo do Estado de Minas Gerais decidiu que o início do ano letivo da rede estadual de ensino de 2021 será em 04 de março. A pasta da Educação mineira abriu consulta pública para buscar opiniões de pais, professores, alunos e membros da sociedade civil sobre a forma como deve acontecer o reinício das atividades presenciais.

No cenário privado, o retorno é também incerto, tendo sido alvo de ações na Justiça, inclusive. Em outubro de 2020, o governo do Estado havia permitido, nas cidades em que o estágio de contaminação do Coronavírus se encontrava na “onda verde”, a reabertura das escolas. Porém, dias depois a decisão foi anulada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais após ação impetrada pelo Sindicato de Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro) alegando que havia ainda alto risco de contágio e que as aulas à distância eram a solução emergencial cabível para o momento.

O governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema, disse em entrevista ainda em dezembro, que se fosse por ele as atividades voltariam em fevereiro em todas as redes e defendeu que as escolas públicas já estão preparadas para o retorno das atividades. Na ocasião, explicou ainda que o ensino remoto adotado pelo Estado durante o ano letivo de 2020 foi o que estava ao alcance do governo estadual.

O Sinpro Minas, que representa os professores de escolas privadas do Estado de Minas Gerais e havia lutado pela suspensão da volta às aulas determinada pelo governo estadual, mudou o tom em ofício encaminhado ao governador Romeu Zema, em 18 de dezembro de 2020. No documento, o sindicato reconhece o apelo pela volta às aulas, mas defende a inclusão dos professores como quarta prioridade no plano de imunização e que essa seja a condição para o retorno às aulas no Estado.

“(…) É de extrema urgência o retorno das aulas presenciais, posto que, o prejuízo para os alunos, apesar do enorme sacrifício que os professores estão fazendo para desempenhar da melhor forma se desempenho nas aulas remotas, é muito grande. Mas, não podemos cogitar uma retomada insegura das atividades presencias, sem que haja uma evidente perspectiva de vacinação para os profissionais da educação”

Trecho do ofício protocolado pelo Sinpro Minas

Na opinião da professora Sara Branquinho, a vacinação dos professores é imprescindível antes da volta às aulas e ainda assim deverá ser considerado o modelo híbrido no ensino para evitar a contaminação. “As aulas presenciais deveriam retomar depois da vacinação dos professores, já que não tem previsão para crianças e adolescentes. Como forma de amenizar a situação em relação ao retorno das aulas, acredito que a melhor forma seria adotar um modelo híbrido, com aulas presenciais com número reduzido de alunos, para que haja o distanciamento, seguindo escalas, e com a continuidade do estudo online. Tudo isso deverá ser feito de forma muito consciente e criteriosa, seguindo as orientações de segurança sanitária, instruindo toda a comunidade escolar”, explica.

A médica Juliana Mendes também concorda que haja o retorno das aulas em modalidade híbrida. “É urgente que isso já esteja estabelecido, que haja o retorno das aulas, é lógico que de forma híbrida porque há pais que não se sentem seguros”, defende. “Os estudos mostraram que o dano para as crianças está muito maior que a própria doença”, argumenta Juliana Mendes citando estudos sobre a baixa taxa de transmissão do coronavírus entre crianças.

A aplicação presencial do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dois próximos fins de semana deverá ser um importante teste para a capacidade das escolas retornarem às atividades presenciais em 2021 em todo o país. Embora o exame seja realizado em apenas dois dias, serão testadas a capacidade de infraestrutura e de pessoal das escolas públicas para garantir que os protocolos sejam seguidos corretamente. Algumas cidades com alto índice de contaminação pelo coronavírus obtiveram na Justiça o direito de prorrogar a aplicação da prova mostrando que a situação de cada localidade deverá implicar diretamente no retorno às aulas.

O movimento de escolas particulares em Unaí-MG pelo retorno às aulas

O grupo que defende a volta às aulas presenciais conta com o engajamento de várias pessoas, aparições de representantes dos movimentos em veículos de mídia e, no caso específico de Unaí-MG, várias faixas com diversas mensagens pedindo a volta às aulas foram espalhadas em vários pontos da cidade.

A exemplo dos movimentos em outras cidades brasileiras, o movimento unaiense foca em buscar a sensibilização de setores da mídia local, vereadores e, claro, da Prefeitura Municipal de Unaí. Até o fechamento dessa matéria o perfil do movimento no Instagram tinha 612 seguidores e 27 publicações, partindo do dia 04 de janeiro de 2021.

Publicações da página mantém um mesmo código visual e endossam manchetes e posicionamentos de especialistas e entidades que defendem a volta às aulas (Foto: Instagram/Reprodução)

A manifestação do movimento pelo retorno às aulas em 2021 em Unaí-MG está marcada para 15/01. A data marcaria o aniversário de emancipação do município, que tradicionalmente realiza uma festividade pública, mas que este ano precisou ser cancelada pela própria Prefeitura para evitar aglomerações e será considerada dia útil.

O movimento de escolas tem apoio de um outro movimento, de cunho político-partidário, chamado Direita Unaí. O vereador Raphael de Paulo, eleito pelo Partido Social Liberal (PSL) em Unaí e apoiado pelo movimento conservador, declarou apoio ao movimento de reabertura das escolas e publicou em seu Instagram no dia 12 de janeiro que busca a reabertura das escolas em Unaí-MG juntamente com outro vereador.

No dia seguinte (13/01), Raphael de Paulo publicou em seu Instagram um vídeo informando que trabalhará em casa “pelos próximos 3 dias” devido à sua esposa ter sido diagnosticada com o coronavírus. Na ocasião, o parlamentar se referiu à Covid-19 como “doença da China” e pediu orações aos seus seguidores.

Após a publicação desta matéria, o perfil que organiza o movimento encaminhou nota à reportagem frisando que o movimento é de pais e professores e recebeu apoio político de forma espontânea. Confira a íntegra abaixo:

Olá!

Parabenizamos pelo conteúdo. Gostaríamos de frisar que o movimento é único e exclusivamente de pais e professores, e que o apoio de outros movimentos políticos de Unaí surgiu espontaneamente, a medida que foi-se percebendo a necessidade do retorno às aulas presenciais pelos membros desses movimentos. Se houver possibilidade de explicitar essa informação na matéria, agradecemos.

Deus abençoe.

Nota do movimento pelo retorno às aulas presenciais em Unaí-MG

Os números do Covid-19 em Unaí-MG

A série histórica, que considera os dados de março a dezembro de 2020 centralizados pela Secretaria de Saúde de Unaí-MG, traz importantes números para avaliar a curva do número de casos confirmados e sua correlação com os decretos de abertura e fechamento do comércio e de outros estabelecimentos na cidade.

O pico de casos confirmados aconteceu em agosto, com 255 novos casos na 32ª semana do ano. O número chegou a 28 novos casos em outubro, na 42ª semana do ano e começou a subir novamente, com variação, até findar o ano em 100 novos casos na 51ª semana, patamar próximo do fim de junho e início de julho, ainda antes do grande pico de infecções.

Em 20 de março de 2020, a Prefeitura de Unaí decretou o fechamento do comércio numa medida de enfrentamento imediato à pandemia do coronavírus mesmo sem confirmação de nenhum caso. Na semana seguinte, o primeiro caso foi confirmado. Em abril e maio foram definidas as regras de reabertura gradual de parte dos estabelecimentos não-essenciais e definidas as regras de biossegurança para serviços essenciais. No início de junho, o número de casos começou a subir vertiginosamente e só voltou a cair na mesma velocidade no fim de agosto.

Ainda em agosto, houve reabertura de alguns segmentos comerciais. A reabertura continuou nos meses seguintes e com ela um aumento no número de casos que, registrou na 49ª semana do ano marca superior à 33ª semana do ano, ainda em agosto, mês com maior número de casos registrados na série. No dia 21 de dezembro de 2020, a Prefeitura decidiu restringir novamente as atividades do comércio, cancelar as festividades de fim de ano e endurecer a fiscalização, num movimento similar ao de várias outras cidades do Brasil.

Fonte: Prefeitura de Unaí

Número de casos e capacidade de atendimento

Em janeiro, considerando os 13 primeiros dias do ano, foram 5 mortes e 204 novos casos. O último boletim de 2020, disponibilizado pela Prefeitura de Unaí, registrava 17.441 casos suspeitos, 3.682 casos confirmados e 57 óbitos por Covid-19. Até quarta-feira, 13 de janeiro, o município de Unaí-MG registrava 62 óbitos, 3.886 casos confirmados e 18.349 suspeitos.

A capacidade de atendimento da rede hospitalar municipal operava em 06 de janeiro de 2021 com 61,5% de ocupação para os leitos de enfermaria e 40% para os leitos de UTI. Em 13 de janeiro, conforme informações do Boletim de Ocupação de Leitos, eram 10 leitos ocupados na enfermaria (76,9% do total) e 2 na UTI (20% do total).

Estado de Calamidade Pública prorrogado

O prefeito reeleito da cidade, José Gomes Branquinho, não tomou posse ainda por estar infectado com o coronavírus, tendo sido internado desde o fim do ano em Patrocínio-MG e até o momento sem alta devido à flutuações no seu estado de saúde. Administra interinamente a cidade o vice-prefeito reeleito Waldir Novaes Pinto, que assinou em 30 de dezembro de 2020 um decreto que prorroga por mais 180 dias o estado de calamidade pública por emergência de saúde na cidade.

Ainda não há previsão para o início da vacinação contra o coronavírus no município de Unaí-MG. Também não há previsão da reabertura das escolas, em quaisquer níveis, até o momento. A Prefeitura de Unaí não se manifestou ainda sobre o assunto.


* Matéria atualizada em 13/01/2021 às 23h30 para inclusão de nota do movimento pelo retorno às aulas presenciais em Unaí-MG. Atualizada novamente em 14/01/2021 às 10h23 para correção de palavra em entrevista.

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