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Alguns dias serão terrivelmente ruins e outros maravilhosamente bons

Hoje escrevo com a certeza de dias melhores, independente de serem terrivelmente ruins ou maravilhosamente bons. Dias melhores porque estarei total e integralmente em cada um deles.

escrevi aqui que considerava (e de certo modo ainda considero) a sexta-feira como o meu pior dia da semana. Também já escrevi aqui o porquê amo as segundas-feiras, ainda que todas as semanas eu encontro uma nova razão para esse dia de recomeços ser ótimo. Mas hoje quero avançar nos relatos e na mistificação: ao invés de um dia em específico, quero falar dos dias ruins e dos ótimos, com a intensidade que lhes é propícia.

O dia 12 de fevereiro de 2020 fora um dia icônico para mim. Um ano depois, 12 de fevereiro de 2021 foi um dia que não precisava ter acontecido. Nos dois dias, haviam mulheres cujo me apaixonei perdidamente. No primeiro, uma moça cujo minha paixão por ela foi súbita e, na mesma intensidade que emergiu, também morreu após alguns muitos percalços nos meses seguintes. No segundo, outra moça cujo minha paixão por ela começou no fim do meu processo de luto emocional pela anterior, ali por volta de agosto de 2020, e foi crescendo de forma natural nos meses seguintes, mesmo não encontrando terreno fértil. Com a primeira, eu jurava que ia dar certo porque eu estava colocando 100% de mim. Com a segunda, eu jurava que ia dar certo porque ela era muito sensitiva e sensata comigo no início, além de eu ser ainda mais direto e ter amadurecido um pouco.

Não preciso contar que deu ruim nos dois dias, né? Mas o que é engraçado é que nestes dois dias que haviam pessoas maravilhosas que, naquele ponto exato da história eu julgavam ser as mais importantes para meu sentimento, eu pude viver coisas boas também. Sim, o dia pode até ser ruim, mas dá pra viver coisas boas também. E da mesma forma como um dia pode ter sido maravilhoso, ele poderá conter partes ruins. No geral, eu posso afirmar que um dia não é apenas um compêndio de partes ruins, embora possa até sê-lo no teor dos fatos. Uma sucessão de tragédias pode acontecer, mas apenas um ato bom já faz cair por terra o que seria um dia “absolutamente” ruim.

É por isso que neste texto, quero abolir o termo “absolutamente” e no lugar dele, adjetivar os dias ruins e bons com “terrivelmente” e “maravilhosamente”. Acredito que a intensidade que essas palavras permitem imprimir nas frases é suficiente para que eu aprofunde a compreensão de um assunto que discorro aqui com o intuito de desfazer-me de tudo que permeia meu coração humano, por vezes insensato e egoísta.

Sobre os dias terrivelmente ruins

Tem dia que o mundo parece ter se virado contra nós. Acordamos e no primeiro pé fora da cama, sentimos um estalo na coluna e uma dor se apossa de nós. No minuto seguinte, a maçaneta quebra, a pasta de dente cai sobre nossa roupa limpa e ao fechar a porta, esquecemos a janela aberta enquanto estamos com hora marcada e o relógio insiste em correr. Quando finalmente saímos de casa, lembramos que o carregador de celular ficou e que o celular só tem 25% de bateria quando você terá um dia cheio e esperaria usá-lo por todo o dia. Não é tarde ainda quando seu celular toca e se descobre que uma dívida que você tinha vai a protesto. Na hora do almoço, a energia cai, o fogão apresenta falhas e você acaba por não almoçar. À tarde, sua bicicleta apresenta problemas e numa das esquinas, um carro tira fina lhe descontrolando contra a calçada. No fim da tarde, ao chegar em casa exausto, se percebe que a conta de energia chegou, os boletos atrasados pulam em reunião e o chuveiro resolve queimar. A noite está caindo e o telefone toca. Um parente seu se acidentou e você precisa se mobilizar para ir até o hospital. Você esquece o celular em casa e quando chega ao hospital, leva bronca por não ter atendido aos telefonemas desesperados dos parentes. A noite ainda não termina antes de você encontrar um animal de estimação morto após uma semana intensa de tratamento em estágio terminal e um enterro solitário à luz do luar. É madrugada, e após um banho gelado, você deita e descansa finalmente.

Em partes, um dia assim já aconteceu comigo. E por mais que só tenha acontecido desgraças nesse dia fictício narrado acima, ainda há algo básico sobre esse dia que permite tratá-lo como um dia terrivelmente ruim e não como um dia absolutamente ruim: tudo que aconteceu não aconteceu diretamente com a vida física do protagonista, embora tenha o afetado diretamente. E acho que essa mudança de percepção perpassa a análise positivista e encontra segurança na lógica dos fatos. A não existência do absoluto traz algum nível de esperança para o dia seguinte. Uma espécie de recarga emocional de emergência.

Dias terrivelmente ruins também passam e, talvez, essa tenha sido a minha maior aprendizagem nos últimos cinco anos da minha vida.

Sobre os dias maravilhosamente bons

O sol também raia em alguns dias. Celebramos a chegada da manhã quase que com um som de fundo. Parecemos acordar em um filme com o barulho da rua, alguns raios de sol entrando pela janela e um sorriso no rosto nos invade (eu desconfio de quem já acorda sorrindo e às vezes desconfio de mim mesmo por isso). Ao olhar no celular, uma mensagem de “bom dia” toda floreada intensifica esse sorriso. Somos queridos. Levantamos, tomamos um banho calmo e quente. Nos hidratamos. Escovamos os dentes e tudo sai maravilhosamente bem. Olhamos no espelho e nos vemos como alguém atraente. Saímos para a rua e encontramos a vizinha passeando com seu cachorro. “Um bom dia pra você”, dizemos. Ao chegar no trabalho, o computador não apresenta nenhuma tela problemática e todo o prazo havia sido cumprido no início da semana. Aquele dia era um dia incomum: haveria um aniversário mais tarde. O relógio se acelerava. Uma outra mensagem no celular anuncia um almoço em local diferente do habitual. Após o almoço, no trabalho, algumas demandas resolvidas e elogios recebidos. Ao fim do expediente, um bolo delicioso. No retorno pra casa, o encontro com alguém querido que nos olha nos olhos e nos convida para um sorvete. Em seguida, chegando em casa, a pessoa amada nos espera. Vamos sair logo em seguida para um tour pela cidade. Comemos, nos divertimos, voltamos para casa. Deitamos. Uma massagem finaliza o nosso dia. O celular toca Tiago Iorc. E somos novamente tomados por uma avalanche de sentimentos bons. Parecemos úteis. Importantes. Únicos. Completos. O sono vem e é reparador. Sem pesadelos, sem interrupções.

Dias como esse que narrei anteriormente aconteceram parcialmente comigo. Por mais que tenha sido um dia muito florido e bonito, ainda há algo de ruim neste dia que precisa ser lembrado: qualquer coisa que porventura eu queira ter feito diferente eu só terei oportunidade amanhã porque o que passou não volta mais. Portanto, se em algum desses momentos, minha sensação foi de que estava bom, mas poderia ser melhor, o “melhor” só pode ser feito no amanhã porque o ontem acabou, existiu, e no agora estou processando essa necessidade de fazer diferente e melhor.

Por mais que um dia maravilhosamente bom exista, ele também passa. É essa a montanha-russa que eu tenho dificuldade de entender. Porque, não sei você, mas eu queria morar nos dias bons.

Tá, mas e aí?

Parar de falar sobre os dias e falar sobre o meu dia, de fato, poderia ter sido a solução para que você entendesse que eu estou aqui apenas transferindo minha incontinência intelectual e meu devaneio pensante para esta página eletrônica.

Hoje eu coloquei a melhor roupa que eu tinha, me vesti bem, me hidratei e fiz questão de ser o mais proativo possível. Fui comer um lanche. Eu pressentia que veria a moça de quem gosto, mas não imaginava que seria nas circunstâncias em que vi. Poderia ter evitado, mas aconteceu. O meu dia foi bom, mas teve uma partezinha ruim. E eu não quero focar só nessa parte, embora ela seja suficientemente importante para eu gastar minha próxima terapia com ela.

Assim como num dia terrivelmente ruim como hoje, há um ano atrás eu tive um dia maravilhosamente bom. Se meses depois eu quis não ter tido aquele dia maravilhosamente bom pelo apego que constituí dali em diante, pode ser (e eu torço muito para que seja) que daqui a alguns meses eu esteja eternamente grato por este dia terrivelmente ruim que me acontecera hoje.

Eu tive experiências extremamente traumáticas nos últimos dez anos quando o assunto são relacionamentos amorosos. Não sou vítima, porém. Fui vilão de um relacionamento que, entre idas e vindas, durou quase quatro anos. Nesse período de uma década, tive um tempo similar ao que tenho experimentado agora: um desequilíbrio emocional suficiente para promover um distanciamento gigantesco de pessoas, com ênfase em mulheres ou em relações que, independente do sexo da outra pessoa, não trazem ganho efetivo para minha vida. Eu não gosto de ser assim. Mas é assim que funciono. Eu preciso desse tempo para mim.

Mesmo em dias maravilhosamente bons, eu não vou arredar o pé dessa resolução. Sou uma pessoa bastante confusa às vezes. Mas não tenho qualquer medo de admitir que sou quem sou. E eu acho que neste momento, o que tenho pra oferecer é muito pouco. Por isso, me retraio. Preciso curar feridas que eu mesmo fui tirando casquinha. E pra isso, ficar longe, distante. O feminino tem um poder fantástico sobre mim, mesmo quando não está atrelado às experiências amorosas. E por mais que eu ame características femininas e masculinas em mim, este é o momento de me afastar delas e reposicionar a mim mesmo ante a elas.

Confesso que não queria dar um tempo específico pra isso, mas trabalhar com datas é algo que me ajuda a balizar minhas escolhas. Deixei 2021 pra isso. Estou exausto emocionalmente. Dei tudo que tinha, até a última gota e não vi meus investimentos frutificarem. Passei dias terrivelmente ruins que me sugaram as expectativas de dias bons. Essa energia, essa visão negativa, me afasta de minha essência existencialista salpicada com o positivismo realista. Por isso é hora de parar.

Não se trata de esperar que apenas dias maravilhosamente bons venham. Porque assim como os ruins, dias bons também existirão nesta jornada. Se trata de curar. De fazer uma internação. De buscar trabalhar competências que ainda faltam. De conseguir um novo emprego, uma nova fonte de renda, de quebrar paradigmas, experimentar novos lugares, novas decisões e principalmente, de valorizar o que já existe, de me reconhecer.

Esse texto é um registro, assim como em 2016 escrevi quase que de forma profética sobre esperança. Hoje escrevo com a certeza de dias melhores, independente de serem terrivelmente ruins ou maravilhosamente bons. Dias melhores porque estarei total e integralmente em cada um deles. E certo de que absolutamente (agora pode) nada está fora do olhar de meu Pai. Aviso, inclusive, que este pode ser o último texto reflexivo deste ano.

Se você está nessa comigo ou em algum momento se perceber assim, saiba que aqui neste blogue eu faço questão de escrever sobre meus demônios porque sou gente. E eu só confio em gente que não está pronta, gente imperfeita, gente que erra. A você, a minha confiança. Até breve!

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