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O que aprendi assistindo Claramente

Os desfechos são incríveis, a história é totalmente incompleta e os personagens hilários. Se você é do tipo que gosta de algo que é divertido, simples, raso e ao mesmo tempo que faça você pensar, assistir Claramente é para você.

Assistir a filmes foi uma parcela bem polposa de minha infância. Já as séries conheci no início da juventude e assisti a poucas, quando já não tinha mais o mesmo interesse e motivação para a sétima arte. Na Netflix, tive a oportunidade de assistir “O Mecanismo”, uma releitura não tão fiel sobre a Operação Lava Jato e “Love”, que é de pronto o melhor conceito de amor real que já assisti e escrevi aqui sobre.

Mais recentemente, ao retornar à Claro como minha operadora de celular, tive oportunidade de acessar aos conteúdos da Claro Vídeo. Dei preferência aos filmes, mas uma série me chamou atenção em sua sinopse. Numa das minhas escapadas de fim de semana, resolvi assistir ao primeiro episódio e, tomado por grande interesse, concluí a série em uma semana. Os desfechos são incríveis, a história é totalmente incompleta e os personagens hilários. Apesar de apreciar as novelas brasileiras, tenho que reconhecer a qualidade das narrativas mexicanas por sua originalidade e dramatismo extremados.

Ao assistir Claramente, todos os personagens são igualmente importantes para o desfecho da série. Isto é ótimo. Em 24 episódios, cada um tem um nível de proximidade maior com um ou com outro, e personagens externos à trama, mas o centro é sempre o mesmo grupo: Clara, Emiliano, Matilde, Lázaro, Gabi, Roque, Eleonora e Pablo. E há uma história de amor (trágico, para ser mais preciso) entre Clara e Emiliano, os dois diagnosticados com bipolaridade, embora fossem os mais responsáveis e produtivos da revista Lama, empresa de comunicação onde a trama toda se passa.

Não sei você, mas eu gosto de tentar me perceber dentro dos filmes, séries e outros conteúdos que vejo, sempre que possível. É por isso que dou preferência a conteúdos mais reais, que expressem situações reais. E me percebi bastante em muitos dos personagens, mas em especial em Clara, Emiliano, Roque e Pablo. Dedico-me portanto, a falar de situações que envolvem os quatro mais adiante.

Esta série tem alguns ensinamentos que perpassam o primeiro episódio e se repetem com considerável coordenação em todos os demais. O primeiro é sobre a verdade. O grupo de trabalho não trabalha escondendo segredos e quando isto acontece há advertência. A verdade é cara, mas eles preferem pagar, com exceção de um ou outro personagem mais obscuro. O segundo ensinamento é sobre colaboração e competitividade sadia, coisas que quando se trata de jornalismo é fundamento básico. Por serem uma revista de notícias e entretenimento e terem uma equipe diversificada, determinadas pautas têm seus donos. Determinadas colunas têm seus autores. Há considerável competitividade, mas ela acontece com limites, exceto quando há terceiras intenções como é o caso de Clara e Emiliano que disputavam também seu relacionamento.

O terceiro ensinamento diz respeito à amar o que se faz. Em algumas situações há ameaças de demissões, reclamações sobre a infraestrutura do escritório, entre vários outros problemas emblemáticos. Do primeiro ao vigésimo terceiro episódio, o editor, Emiliano, prova do seu envolvimento e amor com o trabalho, desde o primeiro até seu último segundo que é quando se estressa, é culpado de um crime não cometido e tem seu relacionamento desfeito com a colunista. Pablo dá demonstração ainda maior ao se tornar dono da empresa após dezenas de meses trabalhando como estagiário, numa situação em que a empresa, falida, não tinha outra saída a não ser vendida.

O quarto e talvez mais relevante ensinamento presente em Claramente é que a loucura faz parte de nossos dias e taxar as diferenças de loucura pode ser um grande problema: é querer a uniformização do ser humano que, por natureza, é plural. Num dos episódios, são feitos exames psiquiátricos com todos os funcionários. Todos apresentam algum tipo de distúrbio, mas apenas Clara e Emiliano apresentam uma doença, uma patologia: eram bipolares. Ela demonstrava isso a cada episódio, já Emiliano só em alguns momentos de impulsão. Isso dava o ingrediente para uma paixão avassaladora, intensa e com ares de novela.

O quinto ensinamento de Claramente é sobre a importância da família. O tema é recorrente em vários casos, já que a equipe se considera uma família. Mas em situações pontuais, o assunto se manifesta com grandeza. E no mais importante deles, causa lágrimas. Roque havia sido deixado pela sua esposa, era controlado e mimado por sua mãe, decidia após um tratamento que iria se amadurecer e casar-se consigo mesmo (sic). No dia da despedida de solteiro, a bailarina é sua paixão antiga da infância que, pasmem, também era apaixonada por ele. Roque desiste de casar-se consigo e casa-se com Diamante, que agora o trata com todo o carinho que merece, apesar de seus fetiches sexuais bem apetitosos. Mais adiante, Diamante traz seu filho (de quando era mãe solo) para sua casa. Roque se acha, se encontra, se vê, se sente pai. Tudo muda. O seu tempo muda, as suas prioridades mudam. Sua esposa agora também tinha mais prioridade. Mas em algum momento, seus vícios por videogame deslocam o relacionamento e, com péssimos conselhos que recebera de Emiliano, é expulso de casa.

Se você é do tipo que gosta de algo que é divertido, simples, raso e ao mesmo tempo que faça você pensar, assistir Claramente é para você. Deixo abaixo o trailer e já aviso: ele não mostra nada sobre a série em si, por isso recomendo que assista ao primeiro episódio e, quem sabe, como eu, você não se prende à tela!

Ah, um adendo: talvez você estranhe sobre o fato de eu não ter contado que Clara lê mentes. É porque isso importa muito pouco perto do quanto todo o enredo é fascinante. E olha que essas leituras de mente já garantem fortes emoções!

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Foto de Capa: Youtube/Reprodução

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