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Desendivide-se: por que nos endividamos?

O endividamento é como um vírus espalhado pelo ar. Não é visto de primeira e promove suas ações de dentro para fora. Quando começa a apresentar os sintomas mais graves, carece de internação e muitas vezes de cuidados intensivos.

Às vezes não conseguimos entender como chegamos num mar de dívidas e compromissos atrasados. Vamos buscar entender isso porque, no fundo, sempre há explicação. E conhecer essa razão nos ajuda a não nos endividarmos novamente e a tomar as atitudes adequadas quando o caminho do desendividamento parecer nebuloso demais.

Primeiro é preciso entender como você toma decisões. Nós somos seres dotados de capacidade racional e podemos utilizar isso a nosso favor, controlando nossas emoções e tomando decisões pensadas. Nem sempre, claro, conseguimos ser totalmente racionais e o nosso subconsciente acaba por dar pitacos muito efetivos nas nossas decisões.

Portanto, entender a forma como você toma decisões é importante. Uma decisão de compra de um produto devido a uma frustração emocional, por exemplo, pode ser um prenúncio de que você toma decisões de forma reativa. E se a ausência de dinheiro não lhe é problema porque você desconta a frustração num cartão de crédito… Há ainda mais perigo.

Segundo, é preciso saber como o endividamento começou. Ou seja, a partir de qual momento, as saídas passaram a ser maiores que as entradas. Isso é importante para se entender quais foram as circunstâncias que levaram você a chegar ao ponto em que desequilibrou-se e o que poderia ter sido feito para evitar. A partir deste ponto também é bacana de se entender quais as próximas decisões foram corretas e quais erradas, apontando para um aumento ou decréscimo do valor das dívidas.

Terceiro, é preciso encontrar respostas no ambiente externo. Geralmente pessoas endividadas estão envolvidas em ambientes com desordem financeira ou em grupos sociais em que as pessoas são descontroladas financeiramente. O ambiente externo pode ter influência sobre nós. Compreender quem está junto conosco e a forma como essas pessoas decidem sobre seu dinheiro é importante para que possamos compreender a nós mesmos, afinal tendemos a ficar próximos dos parecidos conosco.

Ao encontrar essas três respostas, há várias decisões a serem tomadas. Ao longo da série, trabalharemos vários desses assuntos. Mas adianto: precisaremos aceitar que a culpa das dívidas é nossa para que nós possamos fazer o que é possível.

Tomar atitudes reativas é um perigo iminente. Por exemplo, ao terminar um relacionamento, afogamos as mágoas comprando um item que, supostamente, estávamos loucos por comprar. Ou também, por exemplo, ao estarmos extremamente felizes por conquistar um emprego novo, passamos num supermercado e compramos um champanhe caro para comemorar porque, supostamente, é isso que se faz ao conseguir um emprego novo.

Talvez essas cenas se pareçam um pouco com cenas de novelas, livros, filmes ou séries que já vimos. É por aí mesmo. Nossa mente possui alguns gatilhos que podem ser facilmente ativados por aquilo que, subconscientemente, estamos certos de ser o adequado a se fazer.

Nem todo mundo começa se endividando por muito. Na verdade, a tendência é que o endividamento comece pela mercearia da esquina ou pelo cartão de crédito de baixo limite que você escolheu pagar o rotativo para sobrar mais dinheiro vivo no bolso. Das pequenas contas não pagas vêm as grandes contas que, somadas, podem equivaler à sua casa, ao seu carro ou à soma de todas as suas propriedades hoje desvalorizadas.

O endividamento, por fim, é como um vírus espalhado pelo ar. Não é visto de primeira e promove suas ações de dentro para fora. Quando começa a apresentar os sintomas mais graves, carece de internação e muitas vezes de cuidados intensivos.

Há uma frase cujo autor é desconhecido para mim, mas que eu concordo com ela em partes: “você é a média das pessoas com quem convive”. Acredito que somos muito influenciados por quem está perto de nós, sobretudo porque tem poder sobre ou em nós, como é o caso de familiares, chefes, líderes e orientadores. Encontrar pessoas que somem dentro dos laços consanguíneos não é uma tarefa fácil. Às vezes o melhor é buscar fora da consanguinidade. Ainda assim, há riscos.

Relacionar-se com supostos sabidões em finanças que não conseguem administrar bem o próprio dinheiro não é saudável. O ideal mesmo é buscar um consultor financeiro para te ajudar a lidar melhor com seu dinheiro. O melhor consultor é aquele que te capacita para ser independente dele no menor tempo possível.

Com certeza, muita coisa que eu escrevi você já supunha. Agora eu quero que processe todas essas informações. Quero que desenvolva o seu raciocínio. Se você está num processo de endividamento, o quanto antes agir, melhor. Se você já está todo enlamaçado e acha que não tem solução, respira fundo, pega aqui e vamos caminhar juntos. É possível sair dessa. Se você nunca se endividou, parabéns, mas assuma que sempre temos esse risco e que precisamos evitá-lo nos conhecendo melhor.

Como eu sei que todo mundo que está endividado não teria condições de fazer um investimento pesado em um curso, resolvi escrever uma série em 2018. Mas naquele momento eu não era capaz de falar com tanta propriedade quanto falo hoje. Por isso, essa série ficou rascunhada em meu blogue por alguns anos, com apenas dois textos escritos.

O conteúdo que você terá acesso a partir do próximo post é inédito e feito com muito carinho, a partir de uma experiência pessoal, um caminho incompleto que estou trilhando nessa luta pelo fim do endividamento e pelo melhor controle do orçamento financeiro. Sinta-se à vontade para compartilhar, comentar e discutir sobre este assunto aqui.

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