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Irmão, ela não te quer e você precisa aceitar isso

Não importa o motivo, o fato é o mesmo. Ela não te quer e provavelmente nunca irá te querer. E se quiser, possivelmente, será num futuro longínquo. O que quer que seja, é fundamental que você continue jogando limpo. Uma hora dá certo.

Em novembro de 2020, escrevi um texto com um título parecido com esse de hoje. “Irmão, ela não vai voltar e você precisa aceitar isso“. Esse texto foi fruto de uma reflexão sobre uma das relações fracassadas que tive. Hoje eu tento reproduzir em palavras o máximo possível das últimas reflexões que tenho tido sobre pessoas que não escolheram a mim. E não vejo melhor forma que essa: uma conversa, de um humano para outro humano, de um irmão para outro irmão.

Pode ser que você já imagine o que eu vou te falar, mas ainda assim, peço que tente refletir sobre todas as vezes que você conheceu alguém legal. Às vezes dói um pouco lembrar das coisas que não deram certo, muitas vezes porque fomos babacas ou porque a outra pessoa não quis. Em todos os casos, a culpa invade nossa mente.

Mas agora você está aí de novo. Conheceu outra pessoa legal. De primeira, foi um pouco confuso, não sabia se estava pronto, mas resolveu arriscar. Ao primeiro sinal de afeto, você se abriu. Contou quem era, como agia e devotou tempo à essa nova pessoa. Aos poucos, você foi entendendo que essa pessoa queria algo com você – como afeto está em falta no mercado, geralmente as pessoas não costumam recusar no início. E você foi se abrindo e oferecendo mais afeto, mais carinho, mais proteção, se preocupando, até que num determinado momento, você se viu pronto para dar o próximo passo.

Você pode ter mandado um presente, chamado para conversar e feito a pergunta clássica: “o que sou pra você?”. Ou você pode também já ter sido mais ousado e ter mandado um buquê com um pedido de namoro. Ou ainda mais ousado, possa ter feito tal pedido pessoalmente, com joelho em chão. Eu sei que você é um cara que apostou todas as fichas que tinha na mão porque achava que essa pessoa iria ser uma companheira foda pra sua vida.

E tem razão, afinal, essa pessoa tem atitudes legais, se expressa de um jeito legal e você já arrisca dizer que gosta dela na sua totalidade. Você deu uma fuçada na vida dessa pessoa nas mídias sociais e gostou do que viu. Conversaram sobre família, origens e você se identificou, já se enxergava ali tranquilamente sem muitos impasses. Você começou a pensar: poxa, uma pessoa foda junto comigo que também sou foda vai ser muito legal, vamos poder fazer muita coisa juntos, vamos poder sonhar e realizar juntos.

Mas aí acontece algo: você recebe um balde de água fria. Pode ser uma inserção direta na friendzone, um “não quero ninguém”, um “não sinto nada por você” ou na mais otimista das hipóteses um: “eu não sei se quero algo sério agora”. Costumeiramente isso dói, embora seja total direito da outra pessoa fazer isso. Cada pessoa tem suas escolhas e da mesma forma como escolhemos, também podemos ser escolhidos ou deixarmos de ser escolhidos. A vida é feita de escolhas.

O problema é que, irmão, se você estiver muito envolvido com essa pessoa, esse balde de água fria vai despertar em você todas as suas inseguranças, medos e seus traumas. Tudo vai voltar com força e você vai começar a correr atrás dessa pessoa com armamento de guerra para convencê-la. Você acha, e acha isso na melhor das intenções, que se você fizer algo legal, bonito e for ainda mais sério e compromissado, essa pessoa vai te querer. Você faz isso porque quer muito que dê certo.

Tanta oferta gratuita fará com que a pessoa tenha três possíveis reações: a primeira é a de aceitar tudo de forma isenta como se aquilo fosse igual a nada; a segunda é aceitar tudo, mas chamar para uma conversa e reforçar que o limite da amizade está sendo confundido; a terceira é essa pessoa correr ou bloquear você ou ainda projetar suas inseguranças e traumas em você. Mas em todas as reações… Nada muda. Essa pessoa continua não gostando de você, porém agora ela tem certeza total de que você está entregue, ou como eu diria com mais intimidade “de quatro por ela”. Porque o amor genuíno tem a ver com entrega, não com anulação.

Porém como nada muda, você começa a se perguntar o que há de errado com você. E aí começa a tentar se mudar, a fazer coisas que não faria habitualmente, a pensar de forma diferente da que pensava ou a aceitar coisas que não aceitaria porque acha que, anulando a si mesmo, irá conquistar essa pessoa que você gosta. E isso precisa ser bem pontuado: há uma linha tênue entre fazer ajustes de comportamento para permitir uma boa convivência ou viabilizar uma aceitação e se anular. Há quem seja radical e não aceite que precisamos ceder. Eu sou do clube dos que acreditam que o diálogo resolve e dá pra haver convivência se houver disposição.

Porém quando isso parte para a anulação, a coisa fica complexa e nebulosa demais. Você está sensível e não tem mais a razão a seu favor. O máximo que pode ter é um acesso racional, mas quase sempre está se baseando no que sente. E não, você não tem outra saída. Não é culpa sua ser assim. Você gosta, tem o direito de gostar e tem o direito de estar assim. Você chora pelos cantos com a rejeição e evita até de falar sobre o assunto, pois quando fala dificilmente se sente entendido. Você acredita, no fundo, que já deu pra você e que você deveria seguir em frente. Mas o que seu coração diz e sua mente lhe condiciona a fazer é insistir. Insistir e insistir. Passa a ficar chato e grudento, você já não tem mais controle algum sobre si mesmo e passa a tomar decisões equivocadas.

Se você leu até aqui e já se identificou, as próximas palavras são as mais importantes desse texto. Você precisa dar um tempo. No primeiro minuto será doloroso, você vai querer não ter tomado essa decisão. Mas você precisa. Pode ser uma viagem, um fim de semana com o celular desligado, uma saída mais demorada e sem contato virtual. Você precisa se afastar para conseguir enxergar melhor a si. Isso não se trata de punir a outra pessoa com sua ausência, não é nada disso. É apenas tentar enxergar a si mesmo dentro de toda aquela situação.

Depois de enxergar a si, você terá visto que essa pessoa não te escolheu. É a verdade dura, nua e crua. Todavia, é a verdade. Vão aparecer mais um milhão de dúvidas, em especial o porquê essa pessoa não te escolheu. Sei que o primeiro impulso é tentar responder à essa questão, mas a verdade é que você já tem essa resposta: ela não te quer. Agora, os motivos pelos quais ela não te quer eu sei que você quer saber, mas evite o gasto desnecessário de energia. Porque o que vai acontecer é que ao saber o porquê ela tomou a decisão de não te querer você vai se machucar mais e mais e mais. Até que uma hora você vai querer fazer algo contra ela ou contra você, então, pra parar o ciclo de vez é melhor cessar a busca por respostas. Deixar um pouquinho do seu orgulho de lado e não procurar saber a resposta. Não se trata de não saber a resposta a longo prazo (pois ela vai vir quando você menos esperar, e geralmente vem de mãos dadas com sua crush), mas sim de não querer saber a resposta agora. Vale tudo para evitar pensar nisso, exceto coisas ilícitas e que te machuquem. Ocupe seu tempo. Ocupe. Porque logo você estará mais forte e rejuvenescido.

E você precisará enfrentar novamente a ideia agora já entendida de que ela não te quer. E você já deve estar preparado para saber que, se ela te quisesse, ela teria escolhido você e te acenado rapidamente. Ela teria dito isso à você, em especial, com ações. Ela teria se declarado a você, ainda que de forma tímida. Porque quem vê o amor batendo à porta e insistindo não deixa ele ir embora se realmente o quiser. Na verdade, quando ela quer, quando ela escolhe, ela vai abrir a porta para você na primeira batida e vai te convidar pra entrar.

Sei que talvez esse parágrafo possa ser confuso pra você, afinal, você se entrega rápido quando sabe o que quer. Mas ninguém é igual a ninguém e nem todo mundo se parece. Você pode funcionar de um jeito, ela de outro. Você tem seu jeito lindo de se entregar. E ela talvez seja mais cuidadosa. Mas o que importa mesmo é você saber que, se ela realmente te quisesse, logo após suas primeiras investidas reais e claras, ela teria te permitido entrar na vida dela. Mais que isso, te colocaria na vida dela.

Se ela te quisesse, irmão, ela não iria dizer a você que você não é importante. Não apagaria as mensagens sobre algo íntimo que lhe contou apenas por desconfiança. Ela não teria um comportamento de frieza e nem tampouco se esquivaria de perguntas despretensiosas. Se ela te quisesse, ela jamais diria que estava saindo com fulano ou ciclano enquanto você estava em casa fazendo algo pra ela ou por ela. Se ela te quisesse, ela confiaria em você, no que você dizia e no seu afeto. Se ela te quisesse, ela podia até te testar, mas não te levaria a um estresse desnecessário. Se ela te quisesse, conhecer a família dela não seria problema. Se ela te quisesse, ela não seria sarcástica numa briga, pelo contrário, iria abaixar a sua guarda e propor que a conversa fosse pacífica. Se ela te quisesse, ela iria querer saber, sim, o porquê você terminou com suas ex-namoradas e quais razões você tem para gostar dela. Se ela te quisesse, não haveria convite recusado que não seria compensado por um outro convite dela. Se ela realmente te quisesse, irmão, ela falaria. Aliás, se ela realmente te quisesse, nada disso acima iria importar porque as ações dela os colocariam juntos.

Mas é fato que ela não te quer. Não te quis. E possivelmente nunca irá te querer. Pode ser que você não faz o biotipo que ela aprecia. Pode ser que ela esteja confusa com seus sentimentos e, nisto, bloqueia qualquer sentimento novo. Pode ser que ela esteja envolvida seriamente com alguém, mas no sigilo. Pode ser que ela tenha motivos mais graves para não te querer. Não importa o motivo, o fato é o mesmo: ela não te quer e provavelmente nunca irá te querer.

E se quiser, possivelmente, será num futuro longínquo. Vocês dois serão pessoas diferentes, com pensamentos diferentes, logo, precisarão se conhecer novamente. Porque pode ser que agora quem não queira é você. Ou pode ser que você ainda a queira. O que quer que seja, é fundamental que você continue sendo esse cara que jogue limpo, que se entregue e que se faça vulnerável por mostrar demais a si para alguém desconhecida. Uma hora dá certo.

Não sei se te conforta saber disso, mas eu tô com você nessa. Tem dias que eu blasfemo achando que a melhor solução é ter um comportamento enigmático daqueles caras que vivem uma vida de crimes no estilo mais hollywoodiano possível e que consegue manter em segredo inúmeras relações, mas logo recobro minha consciência: eu não sou assim e nem sei se realmente exista alguém que consiga ser assim, como os filmes mostram. Eu ainda acho que uma hora vai dar certo. E quando essa hora chegar, terá valido a pena. Azar de quem perdeu? Não. Quem perdeu também tem como achar outra pessoa legal. Tem espaço pra todo mundo ser feliz. Inclusive eu e você, irmão.

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Foto de capa: Pixabay/Reprodução

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