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Relações destruídas – uma reflexão sobre ‘Amar, amei’

Por isso, se te conforta: se você amou, gostou e tentou, descansa seu coração e segue a vida. O coração não sara sozinho, mas o tempo amplifica o poder curativo das suas escolhas.

Hoje é dia de analisar uma letra de funk. Há muitas letras de funk boas. Grande maioria destas que considero boas tratam exatamente de situações emocionais que acontecem entre duas pessoas reais praticamente todos os dias ao nosso redor. “Amar, amei”, uma canção do MC Don Juan, fala sobre um relacionamento destruído, causas e efeitos disso.

“Amar, amei,
gostar, gostei,
mas agora
eu não quero nem de graça
[…]”

Amar, Amei (MC Don Juan)

Há gente que ama. Há gente que gosta. E há gente que faz os dois. Don Juan, em sua letra, afirma que amou e gostou. Gostar é relativamente fácil. Se a pessoa nos agrada, gostamos dela. Se ela faz coisas que nos interessa, gostamos dela. Mas amar é mais profundo. É pesar o que se gosta com o que não se gosta e achar um ponto de equilíbrio para a manutenção do amor, da relação. É tentar.

Depois de esgotar-se emocionalmente, toda aquela devoção do amor pode se transformar em repulsa. Quando não em trauma. “Agora eu não quero nem de graça”, afirma Don Juan. Quando a parte que encerra uma relação não está satisfeita com o resultado geralmente ela busca retomar o contato e até mesmo a relação. Mas quando o relacionamento foi destruído, não há chance de retorno. A frieza, a indiferença e autoproteção entram em cena. Não há fogo quente de quem agiu em destruição que descongele o coração fragilizado por um amor desfeito. É como um disjuntor: liga e desliga, quando está desligado não há passagem de corrente. É indiferente qualquer carga expressamente colocada ali.

“[…]
Ô moça, não dá mais
Era uma briga em cima da outra
Vai com suas amigas pra lá
Cuidado pra elas não te dar perdido
E vir aqui me dar”

Amar, Amei (MC Don Juan)

O amor cansa quando não há diálogo. Briga não é diálogo quando não há intenção de cessar a briga quando há um consenso ou uma questão fechada. Briga sem fim causa um gasto de energia e um distanciamento emocional irreparável. Quem sofre de ansiedade, por exemplo, tem muita dificuldade com as brigas – que diga-se de passagem, são comuns e necessárias, muitas vezes – dentro de um relacionamento, por isso é preciso deixar claro as regras, os limites de qualquer discussão. Evitar a briga, buscar o diálogo contínuo e até mesmo preventivo é importante. O que não significa fugir do enfrentamento ou de questões necessárias, mas sim de não precisar levar esse enfrentamento ao nível de briga.

Mas e quando o amor se cansa e o relacionamento é totalmente destruído? Bem, para muitos existe aquele ditado: “se você não quer, tem quem queira”. Parece ser o caso de MC Don Juan, mas que não é um caso repetente – este que vos escreve, por exemplo, em três anos pós-término nunca teve ninguém com nível de interesse suficiente para estabelecer uma relação adequada. Ter cuidado com as amigas significa evitar estragos ainda maiores – além de um relacionamento amoroso destruído, amizades e todo um círculo desfeito.

Aplica-se, portanto, a quem teve seu coração partido ou seu relacionamento destruído, uma máxima: “o que não te mata te deixa mais forte”. E é nesse pensamento que finalizo o texto, reforçando que para o coração que teve um relacionamento destruído há conserto. Mas pra um relacionamento farsante não há. Por isso, se te conforta: se você amou, gostou e tentou, descansa seu coração e segue a vida. O coração não sara sozinho, mas o tempo amplifica o poder curativo das suas escolhas. Fique com a canção abaixo.

Fonte: Youtube/Reprodução

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Foto de Capa: Youtube/Reprodução

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