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Comportamento

Antes um braço torcido que um coração mal resolvido

Entre ter o braço torcido ou o coração mal resolvido, melhor é sentir dor no braço. É perder agora para ganhar pra sempre.

Admitir erro. Dar o braço a torcer. Perdoar e pedir perdão. Coisas muito difíceis a nós, humanos. Quem diz que perdoar é fácil não perdoou. Quem perdoa fácil não perdoa. Quem admite erro sem antes pensar não pensou. Quem dá o braço a torcer toda vez que é colocado contra a parede sem antes racionalizar só quer evitar o conflito.

Entretanto, melhor é um braço torcido e quase quebrado que um coração mal resolvido. Melhor é sair de uma discussão como perdedor do que vencer e alimentar no coração uma mágoa. Entre ter o braço torcido ou o coração mal resolvido, melhor é sentir dor no braço.

Existem coisas em nós que são inegociáveis: a essas coisas chamamos de valores. Esses valores são poucos em nós. Contamos, no máximo, nos dedos das mãos. Embora inegociáveis, são discutíveis para que haja aperfeiçoamento e, às vezes, até uma flexibilização.

O resto das convicções, desejos e premissas das quais somos feitos são total ou completamente negociáveis, discutíveis ou até mesmo renunciáveis. E, acredite: as piores brigas e conflitos que temos não são por nossos valores, mas sim pelas convicções, desejos e premissas as quais nós nos filiamos. Acreditamos tanto que isso pertence a nós que não conseguimos racionalizar.

Acredito muito que o diálogo constitui-se numa das formas – senão a única – mais eficazes de solucionar situações sem que haja violência. Diálogo não é monólogo, porém. É preciso que exista a condição mínima dos dois lados se estabelecerem com mesmo tempo e respeito à fala. Ainda que não se concorde com uma vírgula empregada pelo outro, é necessário defender seu direito de fala, parafraseando Tallentyre.

Quando não existe, seja por paixão ou por fanatismo, a possibilidade de ambos os lados falarem sem interrupções, é preferível que a discussão não se inicie. A organização do discurso também é algo muito importante. Por isso a mediação se faz muito importante e às vezes até primordial em alguns casos. Tal é o efeito positivo da mediação que a prática tem sido recorrente em tribunais. Muitos casos levados a juízo podem ser abreviados, resolvidos ou pelo menos repactuados antes de serem levados a julgamento a partir de uma conversa mediada por alguém especializado(a) em transformar essa conversa em algo construtivo, propositivo.

Por fim, resta reafirmar que vale sempre um braço torcido em troco de um coração pacificado. Vale sempre um braço torcido como pagamento de uma noite tranquila. Se numa discussão, após reiteradas vezes você acha que não há outra forma de encerrá-la com sucesso se não for dando o seu braço a torcer, evite a hesitação que o orgulho vai sinalizar e dê o braço a torcer. É perder agora para ganhar pra sempre.

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Foto de Capa: Pixabay/Reprodução

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