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Contemplar é ajustar a mira e buscar o alvo

A contemplação pode ser mais que uma demorada meditação.

Existe um conceito básico da palavra “contemplar” que passa desapercebido quando lemos o significado léxico do verbo. De acordo com o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, contemplar significa “olhar muito tempo e com atenção; dar a, doar a, fazer mercê a; meditar em, considerar; mirar-se, olhar pra si; meditar profundamente”.

Embora a meditação tenha como objetivo um reencontro de nós com nós mesmos, uma conexão firme com nossa espiritualidade, uma contemplação da natureza e do nosso corpo, quase nunca pensamos nela como um sentido de reprogramação, de mira. E quando contemplar significa “mirar-se”, é possível pensar para mirar algo precisa-se um alvo.

Neste sentido, portanto, contemplar pode ser entendido como definir ou buscar definir um alvo para que se possa envidar forças para conseguir alcançá-lo. Atingir o alvo depende de mira fina. Ajustes. Zoom adequado. Conhecimento de condições de vento, obstáculos pelo caminho, tipo de armamento e de projétil a ser disparado. É necessário, em resumo, informação.

Tenho tentado parar, nos últimos dias, devido a um episódio recente de esgotamento mental. Sigo as orientações médicas e é a segunda vez que escrevo aqui no blogue neste período de duas semanas. Talvez eu tenha pegado o celular menos de 10 vezes ao longo desses dias. Tenho buscado me desligar o máximo para tentar descansar.

Com o tempo que me é disponível agora, estou ouvindo melhor o canto dos pássaros, observando melhor a paisagem e até de pedalinho eu passeei ontem. São pequenos atos de contemplação – baratos ou até gratuitos – que me ajudam a recarregar forças, mas também a mirar meu rumo, minha carreira, desistindo de coisas que não me dão perspectiva futura e concentrando forças em aspectos importantes.

Gosto de enxergar nos meus pares, gente de carne e osso que nem eu, a saída para meus problemas mais intrínsecos. Acredito muito que Deus mora “entre” nós, isto é, nas nossas relações. E que o amor d’Ele só pode ser sentido e percebido quando nos doamos a relações saudáveis, honestas e baseadas em complacência. Nesta contemplação das relações, tenho aproveitado meu tempo de afastamento laboral para dividir momentos muito bacanas com famílias alheias à minha, pessoas que conquistaram um lugar no meu coração e que me consideram receber em suas casas.

Essa mira de relações saudáveis é muito importante pra mim. Quem acompanha os textos aqui do blogue, em especial das seções de Comportamento e Relacionamentos, sabe que gosto da temática e que me proponho a escrever sobre isto numa expectativa de me tornar melhor, mais consciente e útil aos meus pares neste sentido. Não obstante, pretendo também considerar a indiscreta possibilidade de ter alguém ao meu lado que consiga racionalizar esse meu lado de análise do comportamento alheio e meu, estando preparada para assumir uma relação mais difícil que outras comumente encontradas.

Nesta longa contemplação que tenho feito, prossigo tentando ajustar minha mira, reformulando meu alvo e aproveitando o descanso para recarregar as baterias já esgotadas. Espero que, com a mira ajustada, meus alvos se tornem mais alcançáveis e eu finalmente possa sair de uma inércia, de várias e redundantes mudanças de rota. Que venha um novo tempo!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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