Categorias
Relacionamentos

A fertilidade do coração que se cura

Sou dos amores do tempo de primavera e verão.

Esse vai ser um texto curto. Enquanto deitado na minha rede aguardo o sono vir, escrevo sobre algo que tem mexido um pouco com meu coração nos últimos dias e, finalmente, é possível falar sobre.

Com uma leitura rápida pela seção de Relacionamentos aqui no blogue já dá pra entender que eu sou um ex-embuste assumido, mas que tenta melhorar pra não repetir os mesmos erros do passado em experiências do presente.

O que estou vivendo neste momento, porém, é exatamente a libertação que outro alguém precisou sentir de mim no passado. Depois de tanto tentar, insistir e protelar decisões necessárias, não me restou outra saída a não ser pegar todo o meu lixo emocional, todos os meus comportamentos depressivos e depreciativos, toda a minha devoção irrecíproca, colocar na sacola e ir estrada afora.

Por muitos meses caminhei tentando ouvir um grito para que eu voltasse. Do contrário, ouvi pedindo mais distância. Hoje somos dois estranhos. Nem a reconheço mais direito – a última vez que a vi demorei para saber que era ela e, apenas por ela ter me cumprimentado que eu percebi quem era. Pra quem sabia como caminhava, como era o cabelo e que enxergava de longe, até passando pela rua de carro, o esquecimento foi necessário.

Continuo lembrando dela todos os dias. De madrugada e aos domingos a dor aperta. A saudade bate. Cada detalhezinho que ainda não se apagou continua aqui e isso me entristece. O não ter acontecido é pior do que se fosse desastroso o acontecimento em si. Entretanto, minhas lembranças parecem começar a dar sinais de cicatriz completa quando não preciso mais falar com ela. Mas eu continuo abrindo o Telegram todo dia, várias vezes ao dia, porque… Bem, a gente conversava todo santo dia. Foi mais de um ano assim. Hábito não se desfaz tão rápido.

Meu coração, que estava fértil demais quando ela chegou, foi ficando infértil. E de pouco em pouco, perdendo coragem, atitude e, principalmente, vigor. Cheguei à estaca zero quando transformei meu sentimento por ela em exaustão e raiva. Ali nada fertilizava. Cheguei a tentar prosperar em outro campo, mas foi desastroso.

Agora, porém, meses depois, vem surgindo um broto de esperança. Parece que a terra, revolvida, arada e regada a lágrimas começa a dar os primeiros sinais de que vai permitir um novo recomeço. Porque é assim: não existe coração curado no mundo que não seja capaz de fertilizar novamente, mesmo que seja avançada a idade.

Meu coração é muito aberto. Por isso entrar e sair dele não é tão difícil. O difícil é ficar, fazer morada e aceitar os dragões que por aqui vivem. Porém ao me fechar no tempo da infertilidade, gostei. Me pareço menos vulnerável. E parece que esse fechamento acelerou o processo. São das coisas incoerentes que a gente faz quando a coisa aperta.

De pouco em pouco, regando devagar, vou seguindo. Sem pressa e sem pressão. Mas sem perder tempo. Já não me é mais necessário um affair nem mesmo pressa. Só quero mesmo o que quero e ponto final. Do alto das coisas inegociáveis, vem o me querer. Aprendi que precisa ser assim. Conquista é só pra quem quer ser conquistado. Quem, deliberadamente, diz não estar disposta, é uma pessoa inconquistável.

Toda fertilidade começa na rega. E termina na germinação. Um novo amor. Uma nova paixão. Ou um tempo de sedução. De agora pra frente, cautela, calma e astúcia. Como lembra-me sempre um icônico colega de trabalho: “valoriza o que tem dentro de você, você tem um coração aí”. E pensando nisso, nas coisas do coração, que bom seria se a teoria já na prática provada em outros períodos se confirmasse: sou dos amores do tempo quente, da primavera e do verão, da estação das cores, das flores e do sol que faz crescer tudo, inclusive o amor no coração.

Comente! Aqui é o lugar!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.