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A fortificação do homem pela mulher

A capacidade de fortificação da mulher não produz efeitos somente no parceiro, mas também nos ambientes em que o parceiro está envolvido.

“Você me conheceu na minha melhor e na minha pior fase, você sabe o tanto que eu mudei”. “Um homem quando está apaixonado é capaz de fazer muita coisa, e quando é correspondido, aí não há nada impossível pra ele”. Essas frases não são minhas, mas as ouvi de um amigo querido cujo tive a oportunidade de conhecer no curso técnico em Marketing em 2018, depois tornou-se meu Bike Anjo e ainda depois tornou-se companheiro no grupo de homens que montei em minha casa em 2020. Ele está noivo e irá se casar nos próximos meses.

“A pergunta que não quer calar é: como foi essa mudança da vida de vagabundagem pra vida de um homem que vai casar?”, eu o indaguei na nossa roda de conversa de reencontro (talvez seja o último com ele ainda em status de solteiro). As respostas foram as frases que deram início a este texto. Na oportunidade, ele contou também sobre um aspecto divino de sua noiva que se repete em todas as mulheres e está articulado no poder do feminino: a capacidade de fortificar o homem. Te convido a pensar comigo sobre isso, em especial se você for homem do espectro heteroafetivo.

A mulher possui em suas características socioemocionais mais intrínsecas a empatia, a resiliência, o senso de comunidade, o gerenciamento de tempo e a afetividade. Dentre todas estas, aquilo que confia força ao homem que está ao lado de uma mulher que desenvolveu suas características do feminino em si, é a resiliência. Saber que mesmo que dê errado, ela estará ali para recomeçar. Saber que mesmo que não dê certo, ela estará junto. Isto passa uma segurança muito grande ao parceiro que, embora muitas vezes não passe a ideia de necessitar ser fortificado por ser forte, só é “forte” por estar acompanhado.

O equilíbrio feminino posto em discussão ao mesmo tempo que atenua o comportamento geralmente mais agressivo do homem em relação aos seus processos pessoais e internos também o reveste de afetividade suficiente para lidar de forma ativa (e não reativa) com o mundo ao seu redor. É por isso que a capacidade de fortificação da mulher não produz efeitos somente no parceiro, mas também nos ambientes em que o parceiro está envolvido.

Um homem efetivamente amado e fortificado por sua companheira tende a se mostrar muito diferente do que era antes disso acontecer, o que arreganha uma série de comentários – positivos ou negativos sobre a nova postura do sujeito. Um homem fortificado tende a trabalhar melhor, a se garantir mais no seu trabalho, a buscar melhores oportunidades, a ser paciente, a ser corajoso, a ser ousado e a pensar na coletividade.

Mulher, porém, não é complementar. A ideia de mulher como complemento do homem, como parte indivisível dele, é um erro histórico. Sabe-se que relacionamentos amorosos em qualquer nível acontecem com, no mínimo, duas pessoas envolvidas. E essas pessoas são dotadas de individualidades. Tanto o homem com a sua individualidade tanto a mulher com sua individualidade. Quando dois indivíduos se unem é como uma empresa que se funde: ela passa a ter uma única sede (e aí a instituição do namoro ou casamento é bem representada nesta analogia), mas com administrações departamentais distintas (é aqui que entram as competências diferentes entre masculino e feminino e, portanto, o que faz com que relações amorosas possam se tornar uma parceria de sucesso).

Nesta mesma roda de conversa, um de nossos companheiros de jornada pontuou sua visão: “não acho que seja uma surpresa ele ter se transformado, mas sim acho ele corajoso demais para assumir um compromisso antes de ter uma vida estabilizada”. E aqui mora a grande pegadinha que contam para nós todos os dias de nossa adolescência e é compromisso nosso, dos que descobriram a verdade a respeito da vida real, desmistificarmos isso diariamente: estabilidade não é requisito do amor, pelo contrário, tende a ser um dificultador. É possível construir uma vida estruturada em termos acadêmicos, financeiros, trabalhistas e emocionais e ao mesmo tempo nutrir um relacionamento amoroso com status de casamento. É perfeitamente possível. E digo mais: é bem mais barato fazer isso.

Os que descobriram a vida mais cedo e trabalham desde pequenos sabem o valor de um trabalho e o quanto ele dignifica a pessoa trabalhadora. Mas para além disso, sabem também o preço de seus esforços. E quando se fala em preço, busca-se a racionalização do uso dessa riqueza acumulada por meio da venda de seu tempo e de seus esforços. O casamento é um excelente meio para isso, desde que satisfeitas as condições básicas do tripé da afinidade de um relacionamento. A conta é de matemática simples: se cada um tem um custo individual de R$ 1.500,00 por mês, ambos juntos não terão um custo maior que R$ 2.250,00 por mês. Posso garantir 25% de desconto quando duas pessoas compartilham as suas despesas. E olha que na matemática eu não sou tão bom assim. Se apurar direitinho, o desconto é bem maior.

E falar sobre números financeiros é importante para retomar o assunto inicial, a capacidade da mulher em fortificar o homem, pois é do homem que costuma sair o investimento maior no orçamento da casa (tanto porque nos regimes trabalhistas atuais ainda há injustiças nos salários femininos tanto porque alguns casais tendem a se estruturar no modelo de muitos dos nossos antepassados em que a provisão da casa era feita pelo homem e a mulher administrava o lar e todo o resto). Mas não adianta entrar dinheiro se ele não for bem administrado. Por isso novamente vem a mulher com sua capacidade de gerir para administrar as riquezas produzidas pelo homem e as suas próprias riquezas. Casamentos fortes advém de gestão financeira predominantemente feminina, sobretudo em relação a investimentos e aquisição de bens. A mulher, por ser resiliente, tem olhar de futuro enquanto o homem tem senso de velocidade, o que é um equilíbrio primoroso.

A mulher pode e geralmente é uma fortaleza para o homem. Há casos distintos, porém. Formações familiares diferentes. E cenários totalmente opostos aos aqui mencionados. Contudo, o que realmente fica de primoroso em toda essa reflexão é o fato de que gente nova, que acabou de entrar na vida adulta, que está com seus vinte e poucos anos, está constituindo família, adquirindo imóvel e tomando decisões que impactarão os próximos anos. Costumo dizer há três grandes ocasiões que gosto de participar na vida de meus amigos: as inaugurações de seus novos lares, as formaturas de seus graus escolares e acadêmicos e os seus casamentos. Com certeza, tenho sido feliz ao poder acompanhar boa parte de meus amigos nestas suas conquistas.

Cada um deles encontrando pessoas e razões para seguirem avançando apesar das intempéries, mantendo valores e corrigindo caminhos, inaugurando novos comportamentos e construindo uma nova forma de se relacionarem com o mundo. Retomando a ideia positivista de Comte que deu origem à frase de nossa bandeira brasileira, é o que desejo para todos os meus pares que querem seguir este caminho: “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”. Viva!

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Foto de capa: Pixabay/Reprodução

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