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A recompensa da espera

Não sei adivinhar
nem mesmo interpretar,
mas GPS eu sei usar.

Você chegou
e eu notei quando você chegou:
seu rosto tinha algo diferente,
minhas mãos se inquietaram
e o ambiente se floriu.
Eu poderia dizer
que foi amor à primeira vista,
mas de tanto me ferrar nisto,
fiz vista grossa e desconversei.

Não adiantou muito,
você estava onde eu estava,
ia onde eu ia,
aparecia de fininho
e às vezes me assustava.
Na internet,
nem precisava te seguir
pra me inundar de você.

Então eu deixei você entrar.
Você não fez por menos:
arregaçou as mangas,
vasculhou por cada parte
e encontrou a mim
por detrás de tudo:
o menino-homem
que não sabia interpretar.

Eu estava à beira
de um penhasco:
me entregar de vez
ou esperar?
Eu já tinha chegado naquela parte
por tantas vezes
e sempre acabou virando
uma amizade protocolar.
Desta vez, eu quis esperar
e você rugia como leoa,
ameaçou se retirar,
mas você esqueceu-se
que eu não sabia interpretar.

Como pode você ser assim?
Audaciosa, eloquente, sagaz?
Linda, atraente e delirante,
capaz de virar o mundo
e de ser o que quiser.
Quanta força você tinha
e me imprimia segurança,
paz, alegria, responsabilidade,
uma junção de fé e cetismo,
tudo seu é intenso, firme,
e confusamente bonito.

Eu, diferente, mas defeituoso,
como todo homem
quis te conquistar,
mas você um dia chegou
e sem muitas palavras,
cheia de atitude,
foi logo sendo honesta:
“não me venha
com seu amor chinfrim,
nem me tente
pra se validar,
ou venha com certeza
ou nem pense em se achegar”.

Foi um delírio total
receber de você um beijo.
Nossa pele se fundia
e quando nossa intimidade chegou,
a cama assistiu a explosão:
era afeto com tesão.
Sem qualquer explicação,
a gente se encontrou
por tantas vezes
que paramos de contar.
Deixamos nossos métodos
e sempre que nos víamos
era cheiro no cangote,
mãos em viagem
e pernas pra aqui e pra acolá.
Poucos meses se passaram
e já não tinha mais
aquela paixão espetacular:
era reforçado o amor
que nasceu naquele olhar.

Agora a gente tinha tudo
inclusive a certeza
de que não querer mais nada,
ah como é bom
ter seu abraço,
seu beijo e seu prazer,
é como faísca e álcool,
como Coca e paçoca,
como arroz e feijão:
combina demais,
é simples e gostoso.

Como todas as outras,
você não é perfeita.
Como todas as outras,
você não é fácil de lidar.
Como todas as outras,
sua história tem bagagem.
Como todas as outras,
você me conquistou.
Mas o que nenhuma outra fez,
você sim:
Você resolveu ficar.

Você não precisou
saber que eu estava
à busca de um amor maior,
nem precisou ler meu poema
pra me entender,
que bom que você chegou
e hoje significa
a recompensa da espera
de quem escolheu da vida
nada esperar.

Você não precisou
nem mesmo chegar
pra esse poema
(todo profético)
eu te dedicar.
Onde está você mulher?
Cansei de te procurar,
mas você sabe me achar.
Você está onde mulher?
Não sei adivinhar
nem mesmo interpretar,
mas GPS eu sei usar.
Esteja pronta,
ou marquemos o lugar,
vamos nos encontrar!

***

Foto de capa: Pixabay/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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